A secretaria estadual de Saúde de Santa Catarina informou que foram notificados, neste final de semana (29 e 30), os primeiros casos suspeitos de leptospirose no estado. Os dez pacientes com sintomas da doença foram atendidos nos postos de saúde de Blumenau e Ilhota.
A leptospirose é uma doença infecciosa febril transmitida pelo contato com a urina de ratos de esgoto, ocorrendo com freqüência em situações de enchentes. A doença é considerada grave e não existe vacina para evitá-la. A melhor maneira de preveni-la é utilizar calçados e luvas impermeáveis e evitar ao máximo o contato com água ou lama contaminados.
Os sintomas da leptospirose costumam aparecer entre dois e 30 dias após a infecção e as manifestações iniciais são febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios. Dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia também são freqüentes, podendo levar à desidratação.
Em cerca de 10% dos pacientes, a partir do terceiro dia de doença surge icterícia (olhos amarelados), que caracteriza os casos mais graves. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue e a recomendação é que, ao perceber um ou mais sintomas relacionados à leptospirose, a pessoa procure o quanto antes um serviço de saúde, para receber tratamento.
A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina está repassando uma Nota Técnica sobre a conduta e o tratamento da leptospirose a todos os municípios atingidos por inundações e deslizamentos de terra. Além dos procedimentos a serem adotados em caso de suspeita da doença a nota orienta que a vigilância deve permanecer nos municípios até 40 dias após a baixa das águas.
DOAÇÕES – As doações feitas por meio de contas bancárias para as vítimas dos temporais
Até o momento, 114 mortes já foram confirmadas, a maioria por soterramento. Cerca de 78 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas e outras 19 continuam desaparecidas.
De acordo com o boletim da Defesa Civil, R$ 811,7 mil já foram usados na compra de produtos de higiene pessoal, itens de limpeza e cestas básicas para os municípios de Itajaí, Brusque e Jaraguá do Sul.
SOLIDARIEDADE – Os detentos da Penitenciária Industrial de Joinville, na região norte de Santa Catarina, decidiram participar do grande mutirão nacional de solidariedade pelos atingidos pelas chuvas no estado.
A partir desta segunda-feira (1º), cerca de 270 dos 360 detentos do presídio farão doação de marmitas do jantar aos desabrigados. Os presos preparam a refeição sob a supervisão de uma nutricionista e de duas cozinheiras. O fornecimento da comida será terceirizado e a empresa utilizará a mão-de-obra dos detentos.
A assessoria de comunicação do governo do estado de Santa Catarina informou que a idéia partiu dos próprios presos.
HOSPITAL DE CAMPANHA – Está funcionando desde a manhã desta segunda-feira(1º) no trevo Itajaí-Ilhota um hospital de campanha montado pelo Ministério da Defesa para atender os desabrigados da região do Vale do Itajaí. O horário de atendimento é das 8h às 16h.
Segundo o major-brigadeiro Raul José Dias, serão atendidas somente as pessoas encaminhadas pelos centros de triagem das unidades de saúde dos municípios atingidos.
Cerca de 50 tendas, com 30 leitos, e capacidade de atender até 400 pessoas por dia foram montadas no local. Uma equipe de 40 médicos da Força Aérea Brasileira fará o atendimento nas especialidades de ginecologia, ortopedia, odontologia, pediatria e clinica médica.
O hospital também dispõe de farmácia, aparelhos de Raio X e ultrassom, laboratório clínico e uma Unidade de Terapia Intensiva para casos que se agravarem durante o atendimento
“A idéia é que o hospital de campanha funcione como uma reserva estratégica para aliviar os serviços de emergência dos hospitais da região”, disse Dias. Segundo ele, “nessas unidades terão prioridade as vítimas de soterramento ou que sofreram ferimentos em conseqüência da chuva.
A montagem da estrutura envolveu o trabalho de 100 pessoas, incluindo o restaurante, com capacidade de servir 200 refeições para as equipes e para os internos.
O hospital levou 10 horas para ser montado e só será desativado quando a situação estiver normalizada.
Jose Camargo, morador da região, foi um dos primeiros atendidos no hospital. A mulher dele, Marlene Camargo, disse que ele passou pelo postinho de saúde e foi encaminhado para o hospital. “Nunca tinha visto essas coisas, só em filme, mas meu marido foi atendido muito bem. Agora ele está lá dentro em observação naquela tenda. Agora eu vou para casa ver minha filha pequena e depois volto para buscar ele”.






