No centro judaico Casa Chabad, a situação permanece confusa, depois que as forças de segurança invadiram o lugar nesta sexta-feira. Várias explosões foram registradas no local e não está claro quantos atiradores permanecem lá escondidos.
Em entrevista a uma emissora de televisão de Israel, o diplomata israelense Haim Choshen, que acompanha a operação de resgate, disse que foram encontrados os corpos de cinco reféns mortos no centro judaico. Entre os mortos estão o rabino do centro e sua mulher.
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Mais cedo, imagens da televisão indiana mostraram soldados descendo por meio de cordas de um helicóptero que sobrevoava o local e outros se aproximando por terra do escritório do centro.
Segundo o correspondente da BBC David Loyn, os soldados inicialmente atiraram bombas de fumaça para confundir os extremistas.
Horas antes, uma mulher e uma criança saíram do local, mas ainda não está claro se elas foram libertadas pelos militantes ou se conseguiram escapar. A criança foi identificada como o filho de dois anos de idade do rabino Gavriel Noach Holzberg, líder da comunidade.
HOTEL DE LUXO – No hotel de luxo Taj Mahal Palace, onde as forças indianas acreditam que pelo menos um homem armado permanece escondido com dois ou mais reféns, fortes explosões e tiros foram ouvidos.
Forças de elite estariam vasculhando o hotel quarto a quarto desde a quinta-feira em busca de extremistas, e já encontraram pelo menos 30 corpos de vítimas em um salão. Reforços foram enviados para dar suporte à operação.
Usando armas automáticas e granadas, os extremistas atacaram, além do hotel e do centro judaico, um outro hotel, a principal estação ferroviária da cidade, um hospital, um restaurante freqüentado por turistas e um condomínio.
Uma fundação na Virginia, Estados Unidos, informou na manhã desta sexta-feira que dois americanos, um homem e sua filha, que faziam parte da Synchronicity Foundation, um grupo de meditação, foram mortos em um café durante os ataques coordenados por militantes islâmicos em Mumbai, centro financeiro da Índia. Também o serviço israelense de resgate, em Jerusalém, informou que a retomada do centro judaico Hasan Ghafoor deixou cinco reféns e dois terroristas mortos. Porém, a imprensa indiana informou que pelo menos cinco pessoas foram mortas no local. Segundo dados oficiais, o número confirmado de mortes é de 143. Se somadas as nove mortes informadas nesta sextga-feira, o número de vítimas fatais na tragédia deve subir para 152.
Oficialmente, pelo menos oito estrangeiros morreram e 22 ficaram feridos durante os atentados, segundo o alto funcionário de segurança M. L. Kumawat. Os mortos incluem três alemães e um de cada dos seguintes países: Japão, Canadá, Grã-Bretanha e Austrália. A nacionalidade de uma das vítimas estrangeiras era desconhecida. Segundo testemunhas, os agressores procuravam estrangeiros durante as invasões.
Nesta sexta-feira, as forças indianas anunciaram ter tomado o controle do hotel Oberoi Trident, onde até o dia anterior os extremistas ainda mantinham reféns.
O chefe de segurança do país, J.K. Ditt., disse que forças especiais invadiram o hotel e mataram dois militantes. A polícia encontrou 24 corpos no hotel, pouco depois de libertar 93 pessoas lá detidas, entre hóspedes e funcionários.
VÍTIMAS – Acredita-se que pelo menos oito estrangeiros morreram nos ataques em Mumbai, além de nove extremistas, 15 policiais e dois membros da força de elite indiana. Pelo menos nove suspeitos de envolvimento nos ataques teriam sido presos.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, entre os mortos está um cidadão britânico. Informações dão conta de que entre os estrangeiros mortos nos ataques estariam também um alemão, um japonês e um italiano.
Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas reféns nos hotéis, segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto.
“Entramos em contato com as administrações dos dois hotéis e eles afirmaram que não havia nenhum brasileiro registrado lá no dia dos ataques. Também não recebemos notícias de que brasileiros possam estar entre as vítimas ou reféns”, disse Chapot nas primeiras horas desta sexta-feira.
CONEXÃO ISLÂMICA – Além do Brasil, vários governos estrangeiros lamentaram os ataques e manifestaram disposição em ajudar o governo indiano. Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano.
O analista da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques. Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Mujahideen do Deccan, reivindicou a autoria dos ataques. Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque.
Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos, mas extremistas hindus também foram presos.
PAQUISTÃO – O governo paquistanês decidiu nesta sexta-feira enviar a Mumbai o chefe do serviço de inteligência do país para ajudar nas investigações sobre os atentados, em meio à suspeita na Índia de que os agressores tenham ligação com o Paquistão.
A Marinha indiana estaria realizando buscas em navios da costa oeste do país, pois acredita-se que os autores dos ataques chegaram a Mumbai por barco. Dois barcos paquistaneses teriam sido apreendidos e a tripulação, interrogada.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu adotar “quaisquer medidas que sejam necessárias” para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai.
O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são “de fora do país” e foram à Índia “com a determinação de criar caos na capital comercial do país”.
Ele também alertou que a Índia não irá tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.






