Andar pelos bairros de Divinópolis faz entender porque grande parte da população criticou as obras de melhorais feitas pela atual gestão no Centro da cidade. A totalidade dos bairros periféricos sofre dos mesmos problemas, porém em algumas regiões, a situação se agrava diante da violência e o tráfico de drogas.
Os bairros afastados do Centro sofrem com a falta de esgoto, ruas completamente cobertas pelo matagal, buracos e toda falta de infraestrutura para sobrevivência com o mínimo de dignidade. Junte-se a isso a falta de um transporte coletivo decente, pontual, que ofereça veículos em condições básicas, não colocando em risco a vida dos passageiros, como acontece rotineiramente.
Na região Nordeste da cidade, onde vive uma população superior a 50 mil pessoas, há bairros completamente abandonados pelo poder público, como por exemplo, Santa Lúcia e Padre Eustáquio. Nestes dois bairros os moradores convivem com os mais diferentes tipos de problemas.
| Fotos: Jotha Lee | |
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| As ruas descuidadas e cheias de matos nos bairros servem de esconderijo para marginais; a população se protege com grossas correntes nos portões |
Embora a administração tenha asfaltado o itinerário dos coletivos para estes dois bairros, esta jamais foi a solução. Isso porque de nada adianta uma única rua asfaltada no bairro, se faltam manutenção e rede de esgoto. Agrava-se o problema e, em dias de chuvas fortes, a água não tem escoamento, causando inundações e colocando residência e moradores em risco.
No bairro Santa Lúcia, a situação ainda é mais grave. Pouco antes das eleições de outubro, a prefeitura iniciou o calçamento de dois quarteirões no bairro, o que não é solução para os moradores, pois, afinal, as ruas com maiores problemas continuarão no chão batido, acumulando poeira e água que corre dos esgotos domésticos. Entretanto, a obra vai sendo feita a conta-gotas e quase quatro meses depois, as pedras para o calçamento continuam amontoadas no meio da rua.
O bairro ainda enfrenta uma onda de violência brutal. Nos últimos dois meses, várias pessoas foram presas no bairro acusadas de tráfico de drogas. Entretanto, isso não reduziu a venda de entorpecentes na região. Ao contrário, o tráfico se instalou no bairro causando sérios transtornos, que vão desde veículos com o som em volumes absurdos nas altas horas da noite, até abuso de velocidade. A venda de drogas é feita normalmente nas ruas por traficantes que não se preocupam em disfarçar a atividade.
Outro drama dos moradores do bairro são os arrombamentos a residências. Recentemente, dois irmãos residentes no próprio bairro – 15 e 17 anos – causaram pânico aos moradores. Mais de seis residências foram arrombadas pela dupla em uma semana. Os moradores decidiram se trancar em suas residências. Casas com grossas correntes, grades e todo tipo de fechadura estão sendo usados para inibir o ataque dos ladrões.
Um morador que teve que colocar grossas correntes em sua casa, conta que acordou durante a madrugada com os ladrões em sua cozinha num final de semana. “Acordei, ouvir barulho e quando me levantei, os ladrões estavam em minha cozinha”, conta ele, que teve prejuízo apenas de pequenos eletrodomésticos. “O que nós precisamos aqui é de atenção do poder público, melhorando nossas ruas e que a polícia passe pelo menos duas vezes na noite e não venha só quando é chamada”, apela o morador.
Os moradores até compreendem a situação da Polícia. “A gente sabe que é difícil para a Polícia estar em todos os lugares ao mesmo tempo e nem cobramos isso, mas precisamos de um pouco mais de atenção”, afirma uma moradora que já teve a casa arrombada duas vezes. E por que não chamam a polícia para registrar boletins e denunciar arrombadores já conhecidos dos bairros? “Por medo”, afirma o morador que já teve a casa invadida e se protegeu com grossas correntes no portão. A lei do silêncio impera no bairro. “Ficar calado aqui dá mais garantia do que chamar a polícia”, afirma o morador.








