A PF está certa de que Valério é o líder da organização criminosa que a Operação Avalanche desmantelou – culminando com a prisão de 17 suspeitos, entre eles o operador do mensalão. Valério foi capturado sexta-feira por ordem da juíza Paula Mantovani. O prazo para a custódia vence hoje. O plano da PF para Valério é mais implacável: após análise de documentos e HDs sua prisão preventiva deverá ser solicitada.
A PF não se manifestou sobre sua estratégia, mas também pediu renovação da temporária de Rogério Tolentino, sócio de Valério, e dos advogados Ildeu Pereira e Eloá Veloso, apontados como elos da trama de inquérito forjado contra fiscais da Fazenda estadual que autuaram em R$ 104 milhões a Cervejaria Petrópolis – cujo proprietário, Walter Faria, é amigo de Valério. Na casa de Eloá, em Belo Horizonte, os federais apreenderam R$ 700 mil em uma sacola no fundo falso de um armário de roupas. "É inquestionável que estamos frente a verdadeira organização criminosa. É certo que a ordem pública se vê ameaçada, uma vez que o Estado e a sociedade vêm sendo lesados diuturnamente por estes criminosos que fazem do ilícito seu modo de vida", assevera relatório de 300 páginas que a PF enviou à Justiça, ontem acessado por advogados.
Valério foi monitorado três meses. Seus telefonemas interceptados e seus movimentos seguidos e filmados. Ao pedir sua prisão, a PF destacou pelo menos seis grampos, diálogos dele com Ildeu. "Os diálogos demonstram que a cadeia de comando, no que se refere à ordem de pagamento, partiu diretamente de Valério e Tolentino. É notória a capacidade de comando de Valério." Os acusados negam a prática de crimes.
DENÚNCIA – O Ministério Público Federal em São Paulo ofereceu nesta segunda-feira (13) a primeira denúncia relacionada à Operação Avalanche, desencadeada na última sexta-feira pela Polícia Federal. A denúncia foi contra policial federal Francisco Pellicel Júnior e o investigador da Polícia Civil de São Paulo Edisom Alves Cruz. Os dois, segundo o MPF, teriam se associado aos empresários Afonso José Penteado Aguiar e Eduardo Roberto Peixoto para tentar extorquir um empresário paulistano.
Segundo a denúncia, Pellicel e Cruz, entre dezembro de 2007 e junho de 2008, procuraram a advogada do empresário para exigir dele de US$ 2 a 3 milhões. Os policiais afirmavam ter informações sigilosas, obtidas na Receita Federal, que poderiam resultar numa investigação contra ele na Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin). O dinheiro não foi pago, pois o empresário orientou sua advogada a não ceder à pressão dos acusados.
A Operação Avalanche teve início em 2007 para investigar inicialmente a apropriação indevida de dinheiro apreendido durante operação de fechamento de bingos e que culminou com a descoberta de diversos outros crimes. Entre os presos está o empresário Marcos Valério, réu no caso do mensalão.
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