A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (10) a operação Avalanche para desarticular um grupo de empresários, despachantes, aduaneiros, advogados e policiais civis e federais acusados de extorsão, fraudes fiscais e corrupção.
Foram cumpridos nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo 17 mandados de prisão, oito preventivas e nove temporárias, e 33 mandados de busca e apreensão. A PF apreendeu documentos, CDs e cerca de R$ 500 mil em dinheiro. De acordo com informações da Polícia Federal em São Paulo, o empresário Marcos Valério é um dos presos da Operação Avalanche. A PF ainda não informou qual a participação de Marcos Valério no esquema. Ele se tornou conhecido em todo o país como caixa do mensalão, que derrubou nomes importantes no governo, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
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A Polícia Federal informou ainda que não há nenhuma ligação entre a prisão e o caso do mensalão. Valério é um dos 40 denunciados pelo esquema do mensalão, processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi apontado como o operador do suposto esquema de compra de apoio político pelo governo no Congresso.
A denúncia do mensalão foi feita pela Procuradoria Geral da República em 2006, acatada pelo tribunal em agosto do ano seguinte e convertida em ação penal em 12 de novembro.
Para facilitar as investigações que culminaram nas prisões desta sexta-feira (10), o grupo foi dividido em três grupos distintos, porém interligados. O primeiro grupo, por meio de contatos públicos como Polícia Civil e Federal, Receita Federal e Estadual obtinha informações privilegiadas sobre determinados empresários que apresentavam problemas com o Fisco e com base nesses dados praticavam extorsão, exigindo valores em troca de uma possível solução.
O segundo grupo atuava em fraudes fiscais praticando importações ilegais por meio de empresas de fachada e contava com a ação de despachantes aduaneiros no Porto de Santos. Já o terceiro grupo foi identificado quando uma empresa que havia sido autuada pela Receita Estadual em mais de R$ 100 milhões, usou como defesa a desmoralização dos fiscais responsáveis pela fiscalização.
Os envolvidos responderão por crimes de corrupção ativa e passiva, extorsão, formação de quadrilha, contrabando e descaminho, quebra de sigilo e divulgação de dados sigilosos. As penas somadas podem chegar a 15 anos de prisão.
ADVOGADO – O Advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, disse que seu cliente foi preso em Belo Horizonte e foi levado para São Paulo, onde deve prestar depoimento. A prisão, segundo ele, é temporária, de até cinco dias. O advogado disse ainda que não faria nenhum pronunciamento, já que ainda não teve “acesso à decisão nem à investigação”.
O Ministério Público Federal, também responsável pela operação, disse que não iria se pronunciar sobre o caso. Já a Polícia Federal realizará uma entrevista coletiva, no meio da tarde de hoje, para dar mais detalhes sobre a Operação Avalanche.
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