A campanha eleitoral em Divinópolis começa a mudar de tom e o que antes eram apenas leves farpas nos adversários, agora já passou para acusações graves. Há 25 dias do pleito que vai definir o próximo prefeito da cidade, a campanha entra em sua fase mais aguda e é neste período que o candidato pode ganhar ou perder mais votos.
Nos primeiros dias de programa eleitoral gratuito, o que mais se falou foi sobre a saúde pública na cidade. Rinaldo Valério (PSB) já anunciou a liberação de R$ 1 milhão, segundo ele, “de minhas verbas como deputado”. Já Domingos Sávio (PSDB), que tenta emplacar Vladimir Azevedo na Prefeitura, afirmou durante o horário eleitoral que no ano que vem vai liberar R$ 20 milhões para a saúde da cidade. Os demais candidatos não ficam atrás e também usam o mesmo discurso, com promessas de tornar o Pronto-Socorro Regional viável, hospital-escola, abertura dos postos de saúde até 22h, enfim, pelas promessas, qualquer candidato eleito ficará na obrigação de dar à Divinópolis um sistema de saúde de primeiro mundo a partir de 2009.
Saindo do assunto saúde, também ganha prioridade nos discursos, a educação, seguindo habitação, esporte, cultura, urbanismo e trânsito. Entretanto, nenhum candidato ainda fez menção ao Rio Itapecerica e ao péssimo e caro transporte coletivo.
MUDANÇA DE TOM – A publicação de uma pesquisa cercada de vícios e provavelmente fraudada, conforme entendimento da juíza Andréia Barcellos Ferreira, da 102ª Zona Eleitoral de Divinópolis, foi o fiel da balança para a elevação da temperatura na campanha (leia). Se até então havia pequenas insinuações sobre os concorrentes, agora já há críticas abertas e até citação do nome do adversário.
A pesquisa publicada por Galileu foi desmoralizada em vários programas. No horário da coligação Divinópolis em Primeiro Lugar, lembrou-se que este mesmo expediente, de lançar mão de pesquisas fraudulentas, já foi usado por Galileu anteriormente e não deu certo. No programa da coligação Para o Bem de Divinópolis, a pesquisa também foi citada como trapaça para iludir o eleitor.
Nas publicidades eleitorais avulsas dentro da programação, a campanha está mais quente ainda. A coligação Divinópolis em Primeiro Lugar faz insinuações graves. Em uma das inserções, a publicidade da coligação encabeçada pelo PSDB insinua claramente um provável envolvimento do candidato Galileu Machado (PMDB) com menores. “Você deixaria uma pessoa que já se envolveu com adolescentes cuidar de sua filha?”, pergunta o texto. E, a seguir, o mesmo texto faz outra pergunta: “Você gostaria que alguém com tantos processos na Justiça cuidasse de sua cidade?”.
O candidato do PMDB, Galileu Machado, passou a usar agora a tática da vítima. No seu programa, ele alerta aos eleitores sobre os candidatos que denunciam os adversários. Diz que faz uma campanha limpa e chama a atenção para os ataques nos programas eleitorais. Galileu só não explica o aumento que deu ao vale-transporte no último dia de seu governo na administração passada; a reforma do contrato de concessão da água para a Copasa sem o conhecimento da Câmara e da população; os 28 processos que responde na Justiça; sua ausência nos debates; e a prática do nepotismo.
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