Não é sem motivo que a propaganda eleitoral no rádio e na TV para os candidatos a vereador não resultam em votos, como avalia o professor Paulo José Cunha, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Afinal, os programas nunca apresentam nenhum atrativo, a não ser textos repetitivos, falas mal elaboradas e, principalmente, apontam para candidatos despreparados, parecendo muito mais oportunistas em busca de um cargo público do que homens capacitados para desenvolver um trabalho de legislação.
Afinal, a função do vereador é de suma importância, mas se restringe a legislar, ou seja, aprovar as leis e fiscalizar as ações do Executivo. Ao contrário disso, o que se vê é um monte de promessas absurdas e que jamais serão cumpridas. Ou seja, o candidato já começa a mentir para o eleitor na própria propaganda eleitoral.
No primeiro programa político transmitido em Divinópolis nesta terça-feira (19) pelo rádio e TV, os candidatos à vereador abusaram do direito de usar um discurso antigo e falso. Mais de 80% dos candidatos repetiram a mesma lengalenga usada em programas anteriores, falando em “saúde e educação”. As promessas de “dar mais saúde e educação para o povo” foram praticamente repetidas nos programas de todos os partidos. Poucos demonstraram capacidade de encontrar um outro tema que pudesse dar a indicação de que não se trata apenas de mais um candidato e, sim, de um candidato com possibilidade de desenvolver um trabalho decente.
Por outro lado, como o tempo é curto e são muitos candidatos, os partidos também destinam prazo mínimo, que dá para falar pouca coisa. Assim, sem argumentos e despreparados, os candidatos a vereador não podem mesmo apresentar nada de novo. Nos primeiros programas transmitidos em Divinópolis, o horário do PSOL ficou vazio, já que o partido não enviou a gravação do programa para as emissoras. Da mesma forma, o horário dedicado à coligação Rumo ao Centenário, do candidato a prefeito Rinaldo Valério (PSB), também não apresentou seus candidatos a vereador, já que a gravação do programa não foi enviada. O horário destinado a estes partidos foi ocupado por música.
A Justiça Eleitoral precisa ficar atenta aos programas em Divinópolis. Afinal, a lei diz que no horário destinado aos candidatos a vereador, não se pode fazer propaganda dos candidatos a prefeito e vice. No programa da coligação Quem Faz Está de Volta, do ex-prefeito Galileu Teixeira Machado (PMDB), todos os concorrentes a um cargo de vereador fizeram propagandas para a chapa majoritária, citando o candidato a prefeito e a vice. É preciso que a Justiça Eleitoral esclareça se nestas circunstâncias a publicidade seria permitida.
OPINIÃO DO PROFESSOR – A propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que começou nesta terça-feira (19), pode ser decisiva para os candidatos a prefeito, mas não deve resultar em maior número de votos para os que concorrem ao posto de vereador. A avaliação é do professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Paulo José Cunha.
Segundo ele, a campanha no rádio e na TV tem dois objetivos: mostrar aos eleitores quem são os candidatos; e organizar as campanhas dos majoritários. Como o tempo dos candidatos proporcionais é menor, o resultado em votos também não será expressivo na opinião do professor.
“O tempo é tão curto que a primeira função é cumprida [de informar quem são os candidatos]. Dificilmente, você vai ter alguém, candidato proporcional, que tenha se elegido exclusivamente com o uso da propaganda do rádio e da televisão”, afirmou o professor.
Ele acredita que em disputas majoritárias acirradas, uma campanha no rádio e na TV bem feita pode ser o diferencial. Já nos casos de eleições em que um candidato a prefeito tem grande vantagem sobre os demais, a propaganda não terá tanta influência no resultado.
Em vez de privilegiar o horário eleitoral na TV e no rádio, José Cunha sugere que o candidato a vereador invista mais no contato direto com o eleitorado. “A campanha proporcional é feita, preferencialmente, no corpo-a-corpo. Reuniões com grupos de eleitores de determinada categoria profissional, gasto de sola de sapato na rua, participação em comício e o contato direto entre eleitor e candidato. A campanha se processa dessa forma e não por meios eletrônicos”, argumentar José Cunha.
Para José Cunha, os candidatos a vereador terão melhores resultados se concentrarem os discursos na TV e no rádio em dois ou três temas em que tenham maior afinidade e que sejam de interesse dos eleitores. “Com isso ele cria uma marca, um carimbo perante o eleitorado”.
“Aquele que fala de tudo não está falando de nada. O candidato que trata de um tema e aprofunda mais o seu discurso em torno desse tema, é óbvio que ele terá mais chance de conquistar os votos dos interessados naquele tema”, argumentou o professor.
Ele lembra ainda que as formas de absorção da propaganda eleitoral ocorrem mais no plano emocional do que o racional. Nesse sentido, as músicas, jingle e bonitas imagens que mostrem o futuro prometido poderão ter bons resultados.
Os blocos diários da propaganda gratuita serão de 30 minutos no rádio, de 7h às 7h30 e de 12h às 12h30, e na televisão de 13h às 13h30 e de 20h30 às 21h. Os candidatos a prefeito vão ocupar as segundas, quartas e sextas-feiras e os candidatos a vereador as terças-feiras, quintas-feiras e sábados. Nos domingos não será veiculada a propaganda. Haverá ainda inserções dos candidatos a prefeito de 15, 30 ou 60 segundos, a serem veiculadas pelas emissoras ao longo da programação, entre as 8h e a meia-noite.
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