Lula visita a Argentina e tenta quebrar tensão entre os dois países

Publicado por: suporte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (4), em Buenos Aires, que, quando se fala em crise de alimentos alguns países "podem tremer", e que Argentina e Brasil precisam ver a crise com certa preocupação, mas também como uma "oportunidade histórica" para se transformarem em países capazes de fornecer alimentos ao mundo. "Somos mais industrializados, temos mais tecnologia e mais experiência em comércio exterior", disse Lula.

Em relação às negociações da Rodada Doha, o presidente disse que já havia avisado líderes de países ricos que a parte técnica da discussão já havia se esgotado e que avisara que estava na hora de juntar dirigentes políticos e tomar uma decisão, porque a questão não era mais econômica, mas eminentemente política.
 
"Não estou desanimado. Ainda vou continuar teimando para ver se construímos uma saída. Acho que, se não construirmos o acordo de Doha, possivelmente Argentina e Brasil não sofram tanto. Mas os países mais pobres, que têm que ser incentivados a produzir alimentos, para isso precisam que o mercado dos países ricos estejam abertos. Esses países não irão produzir e muita gente continuará passando fome", disse o presidente.
 
Lula disse que, caso a situação permaneça como está, países ricos cada vez mais irão aprovar legislações mais duras para proibir o trânsito de pessoas pobres, criando mais dificuldades para a imigração.
 
Ao participar da cerimônia de abertura do encontro empresarial entre Brasil e Argentina em Buenos Aires, Lula garantiu que o Brasil continua a “apostar” na Argentina – em seus trabalhadores, empresários e também no governo de Cristina Kirchner.
 
Para Lula, os dois países precisam fortalecer a atuação de pequenas e médias empresas trasnformando-as em “verdadeiros motores” da integração sul-americana e que um fundo específico para a medida já está sendo instituído no Mercosul.
 
“Cristina e eu estamos acompanhando pessoalmente os principais projetos bilaterais por meio de encontros semestrais. Assim, asseguramos impulso político para avançar em todas áreas de relacionamento bilateral, da economia e do comércio às políticas de desenvolvimento social, passando pela cooperação em defesa, educação, cultura, ciência e tecnologia”, disse Lula.
 
O presidente afirmou estar “atento” às possibilidades de aumentar a sinergia de setores estratégicos brasileiros e argentinos, onde já há investimentos cruzados em áreas como de bens de capital, calçados, indústria naval, software, químicos e petroquímicos.
 
Durante o evento, Lula lançou uma proposta de um fórum permanente, que reúna governo e empresariado brasileiros e argentinos, para pensar a integração sul-americana como uma área de “interesse estratégico” nas empresas e nos dois países.
 
“É preciso estabelecer novas parcerias, gerar investimentos, que aumentem a produtividade dos negócios e que permitam a conquista de novos mercados. Os governos da Argentina e do Brasil farão a sua parte. É fundamental que o Banco de la Nación [banco oficial argentino], o Bird [Banco Mundial] e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] estabeleçam uma parceria renovada e estudem modalidades de financiamento conjunto de associações entre os nossos setores privados”, disse Lula.
 
De acordo com o presidente, as três instituições financeiras devem assinar, em breve, um convênio de cooperação. Ele lembra que Brasil e Argentina já concluíram as medidas para a implementação de um sistema de pagamentos em moeda local. A medida, segundo Lula, irá baixar os custos do comércio, sobretudo, para as pequenas e médias empresas, aproximar os sistemas do bancos centrais e estimular a consolidação de mercados cambiais em moeda nacional.
 
“Pode ser o germe de uma futura integração monetária. Temos um imenso potencial pela frente. Vamos juntar forças para garantir nossa inserção soberana na economia mundia”, disse o presidente Lula.
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