Médicos alemães fazem primeiro transplante duplo de braços

Publicado por: suporte

Ele perdeu os membros superiores há seis anos em um acidente com uma máquina agrícola. Ele recebeu outros dois de um rapaz de 19 anos com diagnóstico de morte cerebral em conseqüência de um acidente de carro.

"A operação correu muito bem. Infelizmente não posso comparecer à entrevista coletiva, mas estou à disposição da imprensa em uma ocasião posterior", declarou o paciente, em uma gravação que os médicos executaram para os jornalistas durante a entrevista que sucedeu a cirurgia.
 
O cirurgião plástico Edgar Biemer, que chefiou a operação, disse que a técnica foi preparada durante cinco anos. Mas só na sexta-feira passada foi encontrado um doador adequado.
 
Durante o transplante, receptor e doador ficaram em duas salas contíguas. Em um recinto, dois grupos de cirurgiões se encarregaram de retirar ambos os braços do doador enquanto, na outra sala, outros dois times trabalharam cada qual em um lado do tronco do receptor, preparando as regiões na altura das axilas para o transplante.
 
Um quinto grupo retirou veias de outras partes do corpo para ser implantadas nos braços e melhorar a circulação sanguínea dos membros. Todo o processo durou mais de 15 horas: começou na noite da sexta-feira, dia 25, e durou até o dia seguinte.
 
RECUPERAÇÃO – A cirurgia foi realizada pela equipe do hospital da Universidade Técnica de Munique, Klinikum rechts der Isar, que incluiu quase 40 pessoas, entre cirurgiões, anestesistas e enfermeiros. O paciente passa bem, mas deve ficar internado ainda por cinco semanas. "Nesse tempo, ele já fará importantes exercícios de fisioterapia para que seus braços se mobilizem e possam ser sentidos", disse Biemer.
 
O médico avalia que serão necessários cerca de dois anos para as células nervosas dos membros superiores se desenvolverem o suficiente para que o paciente tenha condição de sentir os dedos das mãos. "Ele não vai conseguir tocar piano, mas vai poder viver muito melhor do que com as próteses que usava", comparou o cirurgião.
 
Segundo os especialistas, o risco de rejeição para transplantes de membros externos é maior que o de órgãos internos. Enquanto nas mãos quase não há medula óssea, os braços superiores têm grandes quantidades de medula, composta de células que podem provocar reação de rejeição. "As possíveis reações são mais fortes do que em quaisquer outros transplantes de órgãos, porque a pele é a grande barreira imunológica do corpo", afirmou o cirurgião plástico Edgar Biemer.
 
Em um transplante incluindo o braço inteiro estão presentes 20% da parcela de pele do corpo todo. "A pele estranha é mais facilmente rejeitada pelo sistema imunológico. Mas atualmente existem vários métodos novos para evitar essas reações", disse Biemer. O paciente terá que tomar medicamentos contra a rejeição dos membros para o resto de sua vida.
 
Até agora nunca foi realizado um transplante incluindo os braços. Em fevereiro de 2003, médicos austríacos na Universidade de Innsbruck realizaram o primeiro transplante duplo de antebraços e mãos em um paciente.
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