Natural do Rio de Janeiro, trabalhou no circo por vinte anos, esteve casada dezenove anos, e, viúva, radicou-se, na década de 60, em Divinópolis, cidade que considera sua segunda terra natal, porque aqui criou e educou seus filhos, renasceu para a arte e para uma vida de alegria, ela que muito sofreu, no circo e no casamento.
APARECIDA NOGUEIRA IN CONCERT, em dois atos, o primeiro apresentado por Helena Alvim Ameno, e o segundo, por Ênia Azevedo, constitui-se de canções, marchinhas, cançonetas (gênero musical extinto), memórias do circo, da vida matrimonial e também de poemas, dela própria e de autores da literatura divinopolitana, nacional e internacional.
Sozinha no palco, é acompanhada nas músicas pelo violonista Eduardo Moreira, que fabricou um instrumento especialmente para estrear no espetáculo. A direção é de Osvaldo André, que trouxe a artista de volta ao palco, na peça de Nelson Rodrigues, “Dorotéia”.
O evento é uma realização da Academia Divinopolitana de Letras, através do presidente Augusto Fidélis, e será gravado para documentação em DVD.
Recentemente, Aparecida Nogueira foi eleita Membro Honorário da Academia Divinopolitana de Letras e recebeu homenagem da Câmara dos Vereadores de Divinópolis.
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QUEM É Maria Aparecida Nogueira?
Nasceu em Santa Cruz dos Mendes, Rio de Janeiro, em 8 de fevereiro de 1919, filha de Antônio Luís de Sousa e Maria das Dores Vieira, ambos portugueses. Enquanto era vivo o pai, Aparecida e suas duas irmãs tiveram uma vida tranqüila. Quando ele morreu, acometido de varíola, a mãe casou-se com um palhaço de Circo A partir daí, Aparecida e suas irmãs, ainda crianças, eram obrigadas a trabalhar duro no circo, com longos ensaios e muitas apresentações, sob as ordens e debaixo do chicote do palhaço Pindoba. Foi uma época de muitas sofrimentos.
Foi aí no circo que Aparecida desenvolveu seu potencial artístico, em várias formas de expressão, destacando-se desde o contorcionismo, a acrobacia e o trapézio até o canto, a dança e a representação teatral. Depois da morte do palhaço, a mãe com suas filhas deram continuidade ao trabalho circense. Um dia o todo o material do circo pegou fogo numa viagem de trem ‘Maria Fumaça”. Aparecida e mãe foram participar de uma outra companhia de circo.
O Diretor do circo era um homem correto e bom. Como muitos artistas eram analfabetos, ele contratou um professor que fosse livre e pudesse com eles viajar. Chamava-se Sebastião Policarpo da Silva. Era aposentado e viu no circo uma maneira de preencher sua vida. Começaram as aulas. Maria, sua mãe, também fez parte do grupo de alunos. E, de lição em lição, o professor ensinava com paciência a cartilha do bê a bá.
O circo sempre viajava e fizeram apresentações em cidades mineiras como Belo Horizonte e depois para outras cidades do interior: Divinópolis, Bom Despacho, Nova Serrana e São Gonçalo do Pará.
E assim Aparecida Nogueira viveu com sua família no circo durante o período de 1922 a 1942. Em 16 de maio de 1942, deixou o circo para se casar com o fazendeiro Antônio Nogueira Maia Primo, em São Gonçalo do Pará/ MG. O casamento foi uma desilusão, pois sua vida mudara radicalmente. Ela sempre quis sair do circo, mas o circo nunca saiu de Aparecida. A vida de fazendeira era completamente diferente daquela que vivera toda a sua infância e juventude no circo. Enfrentou muito preconceito por ser uma moça de circo. Com a chegada dos filhos, Aparecida se anulou totalmente. O circo já era apenas uma lembrança e foi ficando para trás. Aquela artista agora era uma conformada dona de casa, mãe de família. Ela buscava forças para continuar sua vida na esperança e na fé em Deus.
Do casamento nasceram sete filhos, sendo quatro meninas. Quando estavam em idade escolar, mudaram para o arraial de São Gonçalo do Pará. Mudaram mais tarde para Divinópolis, depois que uma filha morreu, ainda pequena, pela picada de um escorpião. Na década de sessenta, depois da morte do fazendeiro, por assassinato, as coisas ficaram mais pesadas para Aparecida.
Estava sozinha com seis crianças para acabar de criar. Não entendia nada de fazenda. Aparecida vendeu quase todas as terras e comprou casas para alugar. Seus filhos estudaram em colégios. Vieram as formaturas, os casamentos… Era uma família feliz. Os filhos sempre foram para ela a maior riqueza.
Mas devagarinho foram saindo, um por um, procurando seus destinos, indo para cidades longínquas. Aparecida ficou sozinha. Sentiu-se perdida dentro da grande casa, sem ter com quem conversar. Preocupada em criar os e educá-los, tinha esquecido de pensar nela, não fizera amigos e nem freqüentara a sociedade.
Era como se tivesse chegado ao fim da estrada. Já não tinha por quem lutar, para que lutar e por que lutar. Chegou a solidão e com ela a descrença, o desânimo, até que adoeceu gravemente. Foram meses de cama.
A convite do teatrólogo divinopolitano Osvaldo André, a partir de 1970, voltou a dedicar-se às atividades artísticas, tendo participado do elenco de várias apresentações teatrais. Também participa de várias atividades culturais em escolas, seminários, congressos e comemorações cívicas.
Tem uma memória incrível. É fã do poeta português Fernando Pessoa e declama vários de seus poemas, todos decorados. Vive no mundo da poesia, um mundo em que ela gostaria de ter vivido sempre. Aos 89 anos é muito feliz!
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