Jaiminho e o abacaxi (leia Jotha Lee)

Publicado por: suporte
JOTHA LEE
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O deputado federal Jaime Martins está com um espinhoso abacaxi nas mãos e precisa descascá-lo até esta sexta-feira (4), no máximo, sob pena de ver seu grupo desagrupado para as eleições municipais. O tamanho do pepino deve ser analisado pela conjuntura a que se chegou o grupo de partidos do deputado, que hoje tem dois candidatos a prefeito já confirmados pelas convenções.

Não bastasse o abacaxi, Jaiminho ainda terá que usar toda sua esperteza para fugir de outra verdadeira sinuca de bico. Além dos candidatos da sua própria base, ainda há os penduricalhos que querem agarrar a aba do deputado para se fortalecerem como partidos. Ocorre que Jaiminho não pode perder os penduricalhos, já que precisa de apoio político. Também não pode fugir de uma coligação com o PSDB, pois isso colocaria em risco a eleição. E, para piorar, não pode comprar uma briga dentro da própria casa.
 
A situação que ora se apresenta, é clara. O DEM, partido presidido pela mãe do deputado, Maria de Lourdes Martins, lançou o irmão, Geraldinho Martins candidato a prefeito. Já o PR, partido do deputado, lançou a candidatura de Aristides Salgado. Geraldinho e Aristides estariam, pelo menos até esta quarta-feira, longe de um acordo. Geraldinho aceita ser vice só do deputado Rinaldo Valério. Ele disse isso com todas as letras ao Jornal Divinews. Já Aristides também não aceita ser vice de Geraldinho e toparia uma coligação com o PSDB, que por sua vez, exigiria a cabeça da chapa, inviabilizando, assim, a coligação com o PR. Uma verdadeira salada, na melhor mistura de abacaxi com pepino.
 
Se Jaiminho optar em apoiar o irmão, terá que ignorar o PR, seu partido. E a fidelidade partidária? Seria um péssimo exemplo de Jaiminho. Porém, se optar apoiar Aristides, vai peitar a família. Daí que a salvação da lavoura (de abacaxis e pepinos) estaria tão somente num entendimento entre Geraldinho e Aristides. Tá fácil?
 
O deputado Jaime Martins é raposa velha (no melhor sentido da expressão) e sabe que tudo se resolve com alguns afagos. O que ele quer é que Geraldinho e Aristides se entendam, para sacramentar o acordo com o PSDB e, de quebra, garantir a presença de Rinaldo Valério no grupo. Isso cairia como uma luva para o bem de todos. De todos eles, naturalmente.
 
É claro que uma solução terá que aparecer. Porém, no frigir dos ovos, vai sair gente cuspindo marimbondo e o deputado pode até perder aliados se não conseguir uma solução para agradar à turma. Fosse eu no lugar do deputado já teria pegado o primeiro trem-bala e saído zunindo em direção ao Alaska.
 
JÁ GANHOU
 
Aquele que pensa que as próximas eleições já estão no papo, pode colocar barbas, bigodes e cavanhaques de molho. O próximo pleito em Divinópolis será totalmente diferente daquele de 2003, quando apenas duas chapas polarizaram a disputa. Desta vez, pelo que se promete, no mínimo quatro candidatos deverão concorrer. Francisco Martins, do PDT, Marcos Vinícius Alves da Silva, do PSC, Galileu Machado, do PMDB e, alguém do grupo dos deputados. Jorge Torquato, do PSOL, pode até ser, mas não terá bala na agulha para manter a campanha. Certamente a quarta candidatura, será de “alguém” do grupo dos deputados, pois do jeito que coisa anda, difícil saber qual será o premiado. Assim, com quatro candidaturas de tendências bem diferentes, o eleitorado terá opções de escolha de acordo com a história e a postura de cada um.
 
MARCOS VINÍCIUS – Tem a seu favor as obras viabilizadas pelo PT em Divinópolis. É dono de um discurso fácil e tem ótima penetração entre os jovens e os mais velhos. Além disso tem dois mandatos como vereador e isso ajuda muito. A juventude do candidato é outra vantagem que pode pesar na balança.
 
VLADIMIR AZEVEDO – A seu favor contam dois mandatos como vereador, a política herdada do pai, discurso muito fácil e a juventude. Vladimir foi autor de bons projetos e tem o peso do apoio de Domingos Sávio.
 
GALILEU MACHADO – Tem a experiência de três mandatos como prefeito. Canceriano, Galileu Machado completa 76 anos no próximo dia 11 de julho. A idade não deve ser um problema que dificulte a candidatura de Galileu, mas pode pesar entre o eleitorado jovem, que cresceu muito nos últimos anos.
 
FRANCISCO MARTINS – Popular, gente boa, e o mais democrata de todos. Chiquinho nunca virou a cara para nehum jornalista que o tenha criticado. Como vereador foi atuante e é um técnico difícil de ser derrubado. Vai dar dor de cabeça na concorrência.
 
ARISTIDES SALGADO – Um artista, sem dúvida. Intelectual, militante da esquerda no passado e prefeito bom de serviço. Porém, seu fraco desempenho no último pleito dá a entender que renovação tem sido uma tônica do eleitorado. Entretanto, com seu carisma, pode dar a volta por cima.
 
GERALDINHO MARTINS – Sujeito gente boa. Vai aonde o povo está. Entretanto, ainda não conseguiu emplacar nas urnas. Quem sabe desta vez a coisa vai.
 
RINALDO VALÉIRO – É um político carismático, tem boa penetração em diversos grupos da sociedade, mas ainda não se explicou como deputado. Isso pesa.
 
JORGE TORQUATO – Ex-metalúrgico e ex-PT. Se concorrer, cai para a segunda divisão.
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