A manifestação da noite desta segunda-feira se prolongou também aos bairros de classe média, como Almagro, e baixa, como Matadeiros, na capital do país, e em diferentes cidades da Argentina. O protesto foi convocado por uma rede de e-mails e é favorável ao diálogo entre governo e setor agropecuário e em apoio aos ruralistas.
Os argentinos bateram panelas, garrafas de plástico, ergueram bandeiras e cantaram o hino nacional. Foi o protesto mais intenso durante o governo da presidente Cristina Kirchner, que assumiu o poder há pouco mais de seis meses, no dia 10 de dezembro passado.
Famílias inteiras reuniram-se nas principais esquinas e praças do país, como em Córdoba, Santa Fé, Chaco, Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, e La Plata, capital da província de Buenos Aires. Os manifestantes ergueram ainda cartazes – "estou com o campo" – e "presidente, queremos o diálogo".
IMPOSTOS – O setor rural argentino completou 97 dias de protestos nesta segunda-feira. Eles começaram quando o governo determinou, em março, o aumento dos impostos às exportações de grãos. Nesse período, ocorreram tréguas breves, a saída do ministro da Economia, Martín Lousteau, e a paralisação dos caminhoneiros que bloqueiam o trânsito nas principais estradas do país. Com isso, alguns problemas já existentes, como a escassez de combustíveis e a inflação, se agravaram, segundo analistas.
As emissoras de televisão mostraram, durante todo o dia, longas filas nos postos de gasolina na busca por combustíveis. As grandes cidades, principalmente, têm declarado apoio ao setor rural – com panelaços – desde que os fazendeiros cruzaram os braços.
A presidente já disse, mais de uma vez, que não pretende reabrir a discussão sobre o aumento de impostos e anunciou que construirá hospitais, postos de saúde e estradas com a arrecadação extra. Cristina Kirchner não faz aparições públicas desde sexta-feira.
Esta segunda-feira foi no país. Durante o dia, diferentes políticos, como Elisa Carrió, da opositora Coalizão Cívica, e Geraldo Morales, da UCR (União Cívica Radical), pediram que seja aberto o diálogo entre governo e ruralistas. "Senhora presidente, por favor, queremos paz, queremos o diálogo. Convoque os líderes ruralistas", disse Carrió. Uma das principais apresentadoras argentinas, Mirta Legrand, da TV América, afirmou: "Senhora presidente, estamos assustados. (..) Tenho medo de uma guerra civil. Faça alguma coisa."
O analista político Joaquín Morales Solá, do Canal TN (Todo Noticias) e do jornal La Nación afirmou: "É uma crise política". A expectativa é de que a presidente Cristina realize um discurso nesta quarta-feira na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada (sede da Presidência), onde está sendo preparado um palanque.
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