O sub-relator de Sistematização da CPI dos Cartões, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) encaminou hoje ao Ministério Público representação contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; contra a secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e mais 13 servidores envolvidos na confecção do dossiê com gastos sigilosos do governo Fernando Henrique.
O deputado acredita que a ministra cometeu crime de improbidade administrativa ao não tomar providências para punir subordinados que montaram o dossiê, buscando descobrir apenas os responsáveis pelo vazamento das informações.
Enquanto isso, a CPI quer dar provas de que ainda está viva, ao contrário das notícias da semana passada. Foram incluídos na pauta da reunião maracada para 9h30 desta terça-feira (27), requerimentos de convocação de Nélio Wanderlei Lacerda e de Marco Pólo Rios Simões. Eles foram citados pelo assessor do senador Álvaro Dias, André Eduardo Fernandes, em depoimento prestado na última terça-feira (20) à CPI, como participantes de um almoço no Clube Naval, em Brasília. No almoço, segundo Ferandes, o ex-chefe de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires teria revelado que o suposto dossiê com gastos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso foi feito por ordem da secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra.
Em depoimento que prestou logo depois de André Fernandes, José Aparecido negou à comissão que, durante o almoço, tenha tocado nesse assunto. Disse que apenas discutiu informações publicadas na imprensa sobre o dossiê. Os parlamentares da CPI querem, no entanto, ouvir os dois. Nélio Lacerda é servidor do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e Marco Pólo é funcionário do Tribunal de Contas da União (TCU), cedido ao Senado e lotado na 2ª Vice-Presidência, ocupada pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
Também serão examinados pelos senadores e deputados da CPI requerimentos pedindo a acareação entre André Fernandes e José Aparecido. Isso porque os depoimentos dos dois, na semana passada, revelaram divergências. Parlamentares oposicionistas julgam necessária a acareação; já os da base do governo consideram que a acareação nada acrescentaria às investigações.
Outros requerimentos da pauta pedem a convocação de dois funcionários da Casa Civil – o secretário de Administração da Presidência da República, Norberto Temóteo Queiroz, e o assistente de auditoria da Secretaria de Controle Interno da Presidência da República, Marcelo Veloso Nascimento. Eles foram mencionados por José Aparecido em depoimento à Polícia Federal como envolvidos na elaboração do dossiê.
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