O Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais, será reaberto ao público neste domingo (25), a partir das 8h30 até às 13h. Após passar pelo mais completo processo de restauração, um dos principais cartões postais da capital mineira estará disponível para quem quiser conhecer um pouco mais da história de Minas. Todo o requinte do edifício, construído no final do século XIX, foi resgatado, incluindo mobiliário, elementos artísticos e estruturas originais que estavam encobertas, há pelo menos 70 anos, por paredes ou várias camadas de tinta.
| NOVO PALÁCIO | |
| Fotos: Jomar Bragança | |
| Salão de Couro | |
| Teto do Hall da Escadaria | |
| Quarto do governador |
A partir de agora, sempre no último domingo de cada mês, toda a beleza do Palácio, fechada ao público há quatro anos, poderá ser conferida em visitação guiada. Além de conhecer o edifício, o visitante assistirá à tradicional Troca de Guarda do Palácio da Liberdade, cerimônia que vem sendo realizada desde o início da década de 80.
Marco na história de Minas
Com mais de cem anos de história, o Palácio da Liberdade é um marco referencial da história republicana de Minas e do Brasil. Inaugurado em 1897 pela Comissão Construtora da Nova Capital, o palácio foi projetado pelo engenheiro-arquiteto pernambucano José de Magalhães em estilo eclético, com predominância de elementos neoclássicos com forte influência da arquitetura francesa.
O requinte da edificação exigiu mão-de-obra especializada e importação de parte dos materiais da Europa. As armações de ferro das escadarias e as estruturas metálicas da cobertura vieram da Bélgica, as telhas, de Marselha, e o pinho-de-riga, madeira utilizada no piso, da Letônia. Para a pintura e decoração do Palácio, foi contratado o artista Frederico Antônio Steckel, que veio do Rio de Janeiro trazendo uma equipe de decoradores nacionais e estrangeiros. O resultado de seu trabalho pode ser admirado nos tetos, nas paredes e cimalhas, também os ornamentos com aplicação de enfeites em papier-mâché pintados. As peças do mobiliário, tapeçarias, cristais, porcelanas e talheres também foram trazidos da Europa, principalmente da França.
Novidades
A visita ao Palácio da Liberdade seguirá um roteiro estipulado por técnicos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) para garantir a segurança do rico acervo. Acompanhado de guias, o visitante vai despertar a curiosidade pela riqueza das pinturas do hall da escadaria, passando pelos salões Nobre e Dourado, pela varanda, Salão de Banquetes, Quarto do Governador, entre outros. Conhecerá as pinturas de paredes originais de paredes que foram resgatadas no processo de restauração. Também irá conferir o novo hall do elevador espaço que ficou cerca de 70 anos encoberto por paredes. A visita interna ao Palácio encerra-se pela Sala de Retratos e pelo Espaço Liberdade, ambiente interativo, onde o visitante conhece a história do Palácio e o processo de restauração.
Regras para visitação
Por medidas de segurança, o visitante deverá obedecer algumas normas determinadas no passeio pelo Palácio da Liberdade. No momento da entrada, ele deverá apresentar documento de identidade e será fotografado por meio de equipamento digital. Os dados do visitante ficarão registrados no banco de dados do Palácio e, em uma próxima visitação, ele não precisará fazer novo cadastro.
Durante a visita, é proibido o uso de filmadoras ou máquinas fotográficas. Somente é permitido fotografar na área externa do Palácio. Também é proibido o uso de calçados de salto agulha pelas mulheres, para evitar danos ao delicado piso em parquet. O visitante não poderá consumir bebidas ou lanches no interior do prédio. Haverá guarda-volume na entrada.
Troca da Guarda é atração à parte
A Troca de Guarda do regimento que cuida da segurança do Complexo de Palácios (Liberdade e Despachos), iniciada em 1984, foi adaptada da cerimônia realizada na visita ao Palácio de Buckingham, em Londres, onde o mesmo tipo de evento é atração turística. A cerimônia se inicia, a partir da 8h30, com apresentação da Banda da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) no Coreto do Palácio da Liberdade.
Antes de iniciar a Troca de Guarda a banda se dirige aos jardins do Palácio da Liberdade. A entrada dos regimentos em marcha é realizada pela lateral esquerda do Palácio que se posicionam de frente para os mastros na entrada principal. O regimento que assumirá a guarda marcha à frente do que está deixando o serviço realizado nas últimas 24 horas.
Em seguida, inicia-se a execução do Hino Nacional. Após a execução do hino é realizada a troca da guarda propriamente dita: os oficiais e os sargentos de cada regimento se encontram no centro e trocam os serviços. Os policiais em serviço no dia assumem a guarda do Palácio e o regimento anterior retira-se marchando. A cerimônia dura em média 25 minutos e seu ponto alto acontece na evolução dos pelotões no momento da retirada do pátio de entrada do Palácio.
Durante a cerimônia, é sempre feita uma homenagem: seja a algum segmento da sociedade que tenha data comemorativa naquele mês ou a alguma autoridade indicada pelo governador. A população também é convidada a participar. Dois visitantes são escolhidos para hastear as bandeiras do Brasil e de Minas Gerais.
Obras realizadas no Palácio da Liberdade
Em 1920, durante o Governo de Arthur Bernardes, foi realizada a primeira reforma do prédio, inclusive dos jardins, para receber a visita dos reis da Bélgica, durante visita a Belo Horizonte. Em 1925, foi apresentada, com grande repercussão, a nova ornamentação do Salão Nobre, feita pelo artista Antonio Parreiras.
Em 1968, durante o governo Israel Pinheiro, o Palácio recebeu nova intervenção. Foram colocadas grades na frente e nas laterais do Palácio e holofotes instalados nos jardins. Durante o governo de Francelino Pereira, em 1980, o Palácio da Liberdade passou por uma importante intervenção para estabilizar as fundações e o solo, com a introdução de 700 estacas-raízes de cerca de 20 metros de profundidade. Também foi realizada a recuperação da cobertura, rede hidráulica, elétrica, piso e elementos artísticos.
Em 1958, a pedido da esposa do governador José Francisco Bias Fortes, foi construída a Capela de Santana nos jardins do Palácio da Liberdade. Em 1993, foram realizadas obras de restauração nos forros dos Torreões. Nos anos de 1996/97 nova intervenção, desta vez os elementos artísticos/bens integrados foram restaurados e também o Quiosque localizado nos jardins do Palácio.
Depois de reparos na cobertura da edificação, em 2003, no ano seguinte, o Palácio da Liberdade passou por obras completas de restauração, sob supervisão e coordenação do IEPHA, inclusive recuperando elementos artísticos. O Palácio ganhou redes indoor de comunicação de dados, com tecnologia de ponta implantada através do Sistema Wireless. O prédio também ganhou segurança e moderno sistema de comunicação e de combate a incêndio.
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