As eleições de outubro que vão renovar a Câmara Municipal e também apontar o prefeito de Divinópolis para o próximo mandato a partir de 2009, estão definitivamente abertas na cidade. Nos últimos dias está havendo um corre-corre, um disse-me-disse, um verdadeiro bafafá entre os partidos na escolha de seus prováveis candidatos para a sucessão de Demetrius Pereira. O que se discute agora são as coligações, que estão muito mais para conchavos com o objetivo claramente definido de destronar Demetrius e impedir Galileu Machado de subir ao trono. Não que Galileu esteja com a eleição ganha ou que Demetrius seja candidato. Ocorre que esses dois nomes deixam a turma que anda louca para ganhar a prefeitura tremendo feito vara verde.
OBRAS PARADAS
Foto: Juliano Vilela
Em ano eleitoral é aconselhável a político dormir sempre com um olho aberto. De preferência, os dois olhos arregalados, estatelados. Se piscar, é tempo suficiente para uma rasteira daquelas. Isso me faz pensar e refletir sobre algumas situações que o prefeito Demetrius Pereira está enfrentando atualmente. Com o dinheiro do PAC liberado, projetos prontos, homens e máquinas loucos para trabalhar, o projeto não anda. Está emperrado por falta de licença ambiental. O secretário do Meio Ambiente diz que toda a documentação exigida já foi apresentada pela prefeitura e a licença não sai. O IEF diz que a culpa é da Superintendência Ambiental do Alto São Francisco, que não explica nada porque a funcionária responsável está em merecidas férias. Alguém estaria com esta licença na gaveta de propósito ou atendendo a pedidos? Será?
Tanto é assim que o deputado Jaime Martins quer repetir a dose das eleições de 2004, quando três deputados e mais 17 partidos políticos se uniram em torno do nome de Demetrius. A iniciativa deu tão certo que Jaiminho, agora, quer o repeteco para conseguir realizar seu grande sonho político: fazer o prefeito de Divinópolis.
O deputado federal é raposa velha (no bom sentido). Ele sabe que se Galileu e Demetrius estiverem na disputa, vão sobrar poucos votos para os nomes que ele têm à sua disposição. Sabe também que é preciso tirar os dois da reta, sob pena de seu grupo político não raspar nem no travessão.
Jaiminho já chamou os dois deputados estaduais – Domingos Sávio e Rinaldo Valério – para uma conversa de pé de ouvido. Ele quer juntar os dois ao seu projeto de eleger alguém da família para ocupar a prefeitura. O deputado anda tão preocupado em brecar Demetrius e Galileu que já fala até em seu irmão caçula, Luís Cláudio Martins, o Bezerro, como nome para disputar a prefeitura. Seria um pandemônio político.
Mas, o PSDB vai abrir mão da candidatura de Vladimir Azevedo para se aliar a Jaiminho? Se assim o fizer, assumirá claramente sua condição de coadjuvante, que vem desempenhando nos últimos anos na política local. Já Rinaldo Valério, que agora é lembrado por Jaiminho, precisa ter voz própria e deixar de ser maria-vai-com-as-outras. Rinaldo tem um enorme potencial e pode ser o fiel da balança na sucessão, desde que tenha voz e luz próprias.
Na verdade, a idéia de Jaiminho em formar um frentão contra Demetrius e Galileu é muito boa. Mas, para isso, é preciso arranjar alguém que seja bom de voto no seu grupo e, pelos nomes apresentados até agora, não há ninguém capaz de derrubar o atual ou o ex-prefeito. Nem mesmo com um frentão.
Trincheira
Está muito mal contada esta história da construção da trincheira da Rua Goiás. O prefeito Demetrius Pereira e o deputado Jaime Martins lançaram a obra com pompa e circunstância e ficou nisso. Algumas máquinas fizeram meia-dúzia de buracos no local e pronto. A verba, aquela que deveria vir de Brasília, continua emperrada. Jaime Martins, na condição de deputado federal influente, não poderia fazer uma forcinha extra para arrancar o dinheiro dos cofres do governo? É estranho tudo isso, porque a equipe do prefeito garante que o projeto, com suas alterações, está pronto desde outubro do ano passado. E o dinheiro? Nadinha da silva.
Eleição garantida
Na verdade, as obras do PAC, a construção da trincheira, aliadas a tantas outras melhorais que o governo atual fez para Divinópolis, dariam a Demetrius uma condição inequívoca de favorito nas próximas eleições. Com ou sem essa história de fraude no FPM – que até agora não conseguiu achar nada contra Demetrius – o povão sabe reconhecer que houve muito trabalho por parte do Executivo. O prefeito Demetrius Pereira foi o que mais mostrou serviço entre os últimos prefeitos. E isso não é desmerecimento para os anteriores, que também trabalharam muito. Só que Demetrius trabalhou mais. Se o PAC está emperrado e a trincheira está no mesmo caminho, fica uma certa sensação de que não interessa a muita gente que Demetrius dê seqüência ao seu projeto de governo antes das eleições. Sabem eles que, se tocar seu projeto conforme programado, Demetrius seria um candidato difícil de ser derrotado.