Resgate alcança epicentro de terremoto na China e mortos e desaparecidos passam de 30 mil

Publicado por: suporte

O acesso ao local, uma região montanhosa, foi dificultado por fortes chuvas e por deslizamentos de terra, que bloquearam estradas. Estima-se que o número de mortos pelo terremoto, calculado até agora em mais de 12 mil pessoas, aumente à medida que as equipes entrarem nas zonas mais afetadas. Somente em uma cidade, Mianyang, perto do epicentro, mais de 18 mil pessoas foram soterradas pelos escombros e 7.395 mortes foram confirmadas, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As autoridades chinesas afirmam que mais de 3,5 milhões de casas foram destruídas pelo terremoto, que atingiu 7,9 pontos na escala Richter e teve seu epicentro no condado de Wenchuan, a cerca de 100 quilômetros da capital da província, Chengdu.
 
Cerca de 100 mil pessoas vivem na região, e as equipes de resgate que chegaram ao local, formadas por 1,3 mil soldados e membros de equipes médicas, ainda não enviaram relatos atualizados sobre o número de vítimas.
 
Destruição – Os relatos de destruição, no entanto, estão por todos os lados. Em outra cidade próxima ao epicentro, Mianzhu, pelo menos 4,8 mil pessoas estariam soterradas e vários deslizamentos de terras impedem o acesso ao local, segundo a Xinhua.
 
Em Dujiangyan, onde 900 estudantes foram soterrados pelos escombros da escola onde estavam no momento do terremoto e pelo menos 50 morreram, o correspondente da BBC, Michael Bristow, afirma que o cenário é de "caos organizado".  Segundo Bristow, sobreviventes ainda atônitos perambulam pelas ruas vestindo pijamas, enquanto a polícia tenta organizar o trânsito.
 
De acordo com o correspondente da BBC, diversos tremores secundários foram registrados após o terremoto, e as pessoas ainda estão com medo de voltar para suas casas. Bristow afirma que muitos estão preparados para passar uma segunda noite ao relento, sob a forte chuva que cai na região. No condado de Beichuan, 80% dos prédios foram destruídos.
 
Em Shifang, duas fábricas de químicos desmoronaram e mais de 2 mil pessoas ficaram presas nos escombros. Cerca de 80 toneladas de material corrosivo vazaram, 6 mil pessoas tiveram de ser evacuadas e, segundo a Xinhua, 600 pessoas morreram.
 
No centro de pesquisas e reprodução de ursos panda de Wolong, em Wechuan, ainda não há relatos sobre o estado dos funcionários e dos turistas que estavam no local no momento do terremoto. Também foram registradas mortes fora da província de Sichuan. A agência de notícias chinesa afirma que pelo menos 300 pessoas morreram em Gansu, Shaanxi e Chongqing.
 
Ajuda – O terremoto de segunda-feira foi o pior a atingir a China nos últimos 30 anos. O tremor foi sentido até na capital, Pequim, e em países próximos, como a Tailândia. No total, 50 mil soldados foram enviados para a região afetada, mas apenas uma pequena parte do contingente já chegou ao local. O governo chinês disse que vai aceitar ajuda estrangeira. União Européia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Taiwan já ofereceram ajuda.
 
Em visita a cidades atingidas, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que suprimentos precisam ser entregues rapidamente aos sobreviventes e que muitas crianças estão famintas.  No entanto, os planos de lançar suprimentos por meio de aviões foram cancelados devido ao mau tempo.
 
De acordo com a Xinhua, Wen convocou uma reunião de emergência e ordenou a retirada das barreiras e a abertura das estradas de acesso às áreas mais afetadas. O Ministério da Saúde lançou um apelo urgente por doações de sangue para os feridos. O terremoto afetou também o revezamento da tocha olímpica, que está percorrendo todas as províncias chinesas até chegar a Pequim para a abertura dos Jogos Olímpicos, no dia 8 de agosto.
 
Os organizadores dos Jogos de Pequim informaram que o trajeto da tocha será encurtado e que, no início da próxima etapa, previsto para quarta-feira, na cidade de Ruijin, haverá um minuto de silêncio em memória às vítimas do terremoto.
 
Com informações da BBC Brasil
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