O governador Aécio Neves sobrevoou Divinópolis na sexta-feira (19) e viu de perto os estragos provocados pela chuva na cidade. Em entrevista à imprensa, ele falou sobre as medidas adotadas pelo governo do Estado e mostrou-se bastante preocupado com a situação em Minas.
Na entrevista, ele garantiu a liberação de recursos e afirmou que todo o governo se mobilizou para atendimento às vítimas. Ele garantiu que a Secretaria de Obras do Estado já está orientada a adotar medidas urgentes para que os estragos provocados pela chuva em Divinópolis e nas demais regiões mineiras sejam solucionados no mais breve de tempo possível.
O governador afirmou também que o DER já está trabalhando para desobstruir as estradas mineiras interrompidas e disse ainda que a Secretaria de estado da saúde já está tomando providências para evitar epidemias.
Em Divinópolis, o governador sobrevoou a cidade e ficou assustado com a quantidade de água do Rio Itapecerica, cujo nível subiu mais de oito metros, o maior volume de água desde a grande enchente ocorrida na cidade em 1985.
| Fotos: Omar Freire/Imprensa-MG |
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| Rio Itapecerica na sexta-feira: tranbordamento em vários pontos da cidade |
Veja os principais pontos da entrevista
Quais as medidas já foram tomadas pelo governo do Estado?
Nós estamos atuando, no sentido de coordenar as várias ações do Estado, de todas as áreas, da Defesa Civil, da Copasa, no que diz respeito ao abastecimento de água, da Cemig, no fornecimento de energia, na área da Saúde porque a conseqüência pior pós-enchentes são exatamente as doenças que podem vir; uma ação também junto com a Secretaria de Obras para rapidamente fazer as intervenções necessárias, desobstruir estradas, enfim, solucionar problemas que possam ser solucionados. Há hoje uma grande coordenação no Estado. Obviamente, algumas questões você não impede que ocorram. Eu vim hoje a Divinópolis para ver de perto a situação da cidade, conversei com o prefeito eleito Vladimir, já por telefone anteriormente, e estou aqui in loco.
O DER está fazendo intervenções em todos esses pontos onde houve desabamentos, enfim, onde houve interrupção de tráfego também para liberá-los o mais rapidamente possível e a Secretaria de Saúde está fazendo inclusive uma cartilha com mais de três milhões de exemplares para que a população compreenda alguns cuidados que deve ter pós-enchentes, com algumas doenças que possam vir. Não é nunca demais alertar que estamos no período de verão e a questão da dengue tem também sido objeto das nossas preocupações. Isso passa pela população também se mobilizar para defender a si própria.
Quero reafirmar que não faltarão recursos para o enfrentamento imediato desse problema, mas também num segundo momento para a recuperação das cidades e das vias que foram afetadas pela chuva.
Já têm os valores que serão liberados?
Não temos ainda porque caberá ao prefeito fazer o levantamento de onde foram os maiores danos, apresentar ao Estado rapidamente um projeto básico para que possamos iniciar rapidamente as intervenções. Essa é orientação que eu tenho dado a todos os municípios que foram afetados. Estamos hoje com 41 municípios no Estado em emergência, estamos fazendo avaliação dos danos em cada um deles, em todos já está lá a Defesa Civil, fornecendo cestas básicas, cobertores, enfim, esse primeiro apoio emergencial e caberá ao prefeito fazer o levantamento dos danos maiores e, a partir daí, o Estado fará intervenções. Felizmente, se é que eu posso dizer num momento trágico como esse, mas felizmente, essas chuvas encontram o Estado em condições muito melhores do que no passado. Isso nos permite garantir que não faltarão recursos para reparar os danos, mas é muito importante que haja ação preventiva para o futuro. A organização das coordenadorias de Defesa Civil em todos os municípios é imperativa, é fundamental para que os danos, sobretudo, futuros sejam minimizados.
Qual o valor do recurso que será destinado no Estado de Minas Gerais para ajudar essas cidades vítimas das enchentes?
Não estamos estabelecendo limites porque não temos ainda com clareza a extensão dos danos. Áreas, por exemplo, de acesso a alguns municípios estão ainda interrompidas pelas águas, a água ainda não baixou suficiente para saber se a ponte precisará ser reconstruída ou se basta apenas algum reparo. Quero dizer que, até agora, o que nos parece é que teremos condições de atender integralmente a essas demandas, mas é muito importante sabermos que estamos no início do verão apenas e é possível que em janeiro tenhamos outras chuvas. Espero que não nessa intensidade, mas temos que nos prevenir e ação dos municípios é muito importante. Hoje está aqui o coordenador geral da Defesa Civil, coronel Eduardo, o presidente da Copasa também nos acompanha nessa visita. Devo ir a outras regiões do Estado, mas sempre estimulando sobretudo os prefeitos que tomarão posse em 1º de janeiro para que organizem a sua Defesa Civil e o Estado está colocando a sua escola de Defesa Civil à disposição para treinar os servidores municipais.
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| O Rio Itapecerica atingiu seu maior volume na sexta-feira |
SANGUE – As chuvas provocaram problemas de abastecimento nos bancos de sangue em todo o Estado. Em Divinópolis, o Hemominas está sem fazer coletas desde a semana passada e a situação deve ser normalizar a partir de quarta-feira (24). O Hemocentro de Belo Horizonte, no bairro Santa Efigênia; o posto de coleta na região do Barreiro, na capital; e o Hemocentro de Juiz de Fora vão receber as caravanas de doadores agendados para compensar o fechamento provisório das unidades de Divinópolis e Ponte Nova. As chuvas intensas interromperam o fornecimento de água potável nessas cidades, impedindo o atendimento aos doadores por tempo indeterminado.
“As caravanas, organizadas por municípios próximos e que geralmente se dirigem a Divinópolis, podem procurar Belo Horizonte pelos telefones 0 8000 31 0101 e (31) 3336 0880, para que tenhamos condições de manter os estoques necessários para o atendimento dos pacientes”, afirma Carlos Guilherme Vieira, coordenador do Hemocentro de Belo Horizonte.
O agendamento individual para doação de sangue também é possível nas demais unidades da Hemominas no Estado. “O horário de funcionamento é diferente em cada unidade, por isso pedimos que as pessoas agendem suas doações para que o atendimento possa ser feito com agilidade”, salienta o coordenador. O horário de funcionamento e os telefones de contato estão disponíveis no portal www.hemominas.mg.gov.br, no menu Unidades.
MAIOR DEMANDA – Segundo Carlos Guilherme, com as festas de Natal e Ano Novo, e este ano com as chuvas mais intensas, a demanda dos hospitais por hemocomponentes aumenta. “Não podemos, pelo fechamento provisório de Divinópolis e Ponte Nova, deixar que os estoques sejam comprometidos. Por isso estamos prevenindo e solicitando aos doadores que compareçam nas outras unidades da Hemominas em todo o Estado. Funcionamos em rede e o sangue doado será utilizado onde for necessário”, completa.
Maria Regina Bastos, gerente técnica do Hemocentro de Belo Horizonte, esclarece que os estoques de sangues negativos são sempre mais críticos por serem também menos presentes na população em geral. “No entanto, o sangue O Negativo, por exemplo, pode ser usado em situações emergenciais graves. Por isso chamamos doadores de todos os grupos sanguíneos e lembramos especialmente aqueles doadores de sangue Rh Negativo para doarem sangue antes de viajarem ou saírem para o descanso merecido”, ressalta Maria Regina.
Com informações da Agência Minas
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