| JOTHA LEE |
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Eleito em 2000 para seu primerio mandato como vereador, o prefeito eleito Vladimir Azevedo terá pela frente algumas missões espinhosas. Aos 36 anos, no ápice de sua juventude e de sua vida produtiva, ele é uma grande esperança para milhares de divinopolitanos que confiaram no seu discurso. E só. Afinal, a história política de Vladimir é muito curta. Em tese, ele conseguiu provar ao eleitor que era, de fato, o candidato melhor preparado e com o melhor programa. Agora é que são elas. Ele tem que provar na prática o discurso que usou no palanque.
Vladimir tem aquela estrela especial de homem público e não precisou um longo currículo para convencer o eleitor. Embora politicamente não tenha o currículo dos grandes homens públicos, sempre teve um tom socialista. E isso pesa muito. Na Câmara, Vladimir defendeu as minorias com um discurso sempre duro contra desmandos cometidos contra o povo.
Não era um discurso vazio. Pelo menos quem acompanhou a meteórica carreira de Vladimir como vereador, pôde observar isso.
Agora chegou a hora da onça beber água. Vladimir deixa a função de legislar, para ocupar o cargo de executar. Terá que provar, na prática, o discurso que fez durante oito anos como vereador. E, assim, se verá na obrigação de dar soluções para problemas que parecem insóluveis às vistas do cidadão divinopolitano. Caso contrário, sua carreira de prefeito será tão curta como a do atual chefe do Executivo, Demetrius Pereira. Seguindo o mesmo pensamento, pode até ver sua carreira política desabar de vez.
A começar pela questão da Copasa. Vladimir foi o mais ferrenho opositor do malfadado projeto de entrega do tratamento do esgoto para a estatal. Foi ele também quem combateu o ex-prefeito Galileu Machado que renovou na moita o contrato de concessão de água para a Copasa por 30 anos. E ele fez questão de lembrar isso na campanha eleitoral.
Vladimir também combateu de forma veemente o transporte coeltivo, criticou o alto valor das tarifas e não se fez de rogado em lançar mão disso na campanha. Seu programa eleitoral lembrou insistentemente ao eleitor que Galileu Machado, no seu último dia de governo na gestão 2001/2004, concedeu um dos mais estrondosos aumentos para a tarfia.
E agora Vladimir? Como fica a Copasa? E o transporte coletivo? O povo vai exigir medidas nesse sentido. O povo não vai aceitar um discurso renovado, empurrando soluções. Vai exigir que, como líder da cidade, com a caneta na mão, sejam adotadas medidas eficazes, concretas. Os milhares de eleitores que foram às urnas para renovar a prefeitura, pelo menos em termos de nome, não aceitarão que os próximos quatro anos passem sem que sejam revistos os contratos de concessão de água e do transporte coletivo.
Vladimir pode e vai fazer uma grande administração. Mas, de nada adiantará seu esforço para dar boa educação, saúde de qualidade, saneamento, se no frigir dos ovos atropelar seu próprio discurso e não peitar aqueles que estão acostumados a peitar esta cidade.
Meninas do Aécio
Falava eu da Copasa e quero acrescentar aqui a Cemig. A estatal, que já foi modelo de atenção e competência, não é hoje nem sombra daquela antiga Centrais Elétricas de Minas Gerais. No sábado passado, tive o dissabor de ficar sem energia em casa durante mais de cinco horas. Claro que toda a região onde moro foi afetada. Tive o desgosto de ligar para a Cemig em busca de informações. Na primeria ligação, a atendente com aquela irritante educação, me disse: “Senhor, a Cemig tem 11 horas para providenciar a volta do fornecimento. Anote o protocolo de sua ligação, por favor”. Anotei o raio do protocolo. Liguei três horas mais tarde. A mesma resposta: “Senhor, a Cemig tem 11 horas para normalizar o abastecimento”.
Isso é me fazer de retardado. O relógio da Cemig não anda? O relógio que mede energia agente sabe que é capaz de acompanhar o Felipe Massa. Veio aquela saudade do tempo em que quando ocorria falta de energia agente ligava para nossos competentes servidores da Cemig em Divinópolis.
O problema é que tanto a Copasa quanto a Cemig não têm direção. São as meninas dos olhos do nosso governador playboy, que usa as duas empresas tão somente como moeda de troca com a imprensa. Na TV, no rádio, nos joranis, lá estão anúncios e mais anúncios das duas empresas. Aécio manda fazer isso. Ele quer ficar bem com a imprensa. Pagando, ele sabe que as críticas são camufladas, que as manifestações contra seu governo são abafadas e aí ninguém fica sabendo da insatisfação do povo. Afinal, o homem quer ser presidente.
Geraldinho Martins
O ex-candidato a prefeito, Geraldinho Martins (DEM) concedeu entrevsita ao jornalista Flávio Ramos, pela TV Candidés, na última terça-feira (4). Geraldinho, naturalmente, para concorrer ao cargo de prefeito, se preparou e se colocou a par dos problemas que a cidade enfrenta. Portanto, não faria afirmações levianas. E uma de suas afirmações deixou-me com a pulga atrás da orelha. Segundo ele, o custeio da saúde em Divinópolis (ele não citou o período) ficou restrito aos governos federal e municipal. Segundo ele, o governo federal repassou R$ 36 milhões, o governo municipal entrou com R$ 24 milhões e o Estado do governador Aécio Neves? Este, segundo Geraldinho, entrou com apenas R$ 180 mil.
É uma informação que o povo precisa guardar na cabeça. O deputado estadual Domingos Sávio (PSDB) cansou de discursar afirmando que não faltaram recursos do governo do Estado para a saúde em Divinópolis. Se é assim, então alguém está mentindo. Ou pensando que o povo desta cidade é burro e orelhudo.
Ainda o Geraldinho
Na mesma entrevista, Geraldinho Martins afirmou que a região Centro-Oeste foi a que menos recebeu recursos do governo do Estado na atual legisaltura. “O governador Aécio Neves, como homem da região, deveria olhar mais para o lado de cá”, disse ele. Mais vejam só, não foi o próprio Geraldinho que andou às turras com Vladimir Azevedo para saber quem o governador Aécio Neves apoiava em Divinópolis? O negócio gerou um punhado de ações e só depois que a Justiça disse que o Aécio era do Vladimir que a coisa esfriou. Eu, hein?!
Adauto
Por falar em briga na caça de apoio político, por onde andam o deputado federal Jaime Martins (PR) e o ex-deputado Francisco Gonçalves (PPS)? Como eu não tenho memória curta, lembro-me de que quando o então minsitro dos Transportes, Anderson Adaudto apareceu em Nova Serrana para anunciar reforma na BR-494 foi uma briga daquelas. Jaiminho disse que trouxe o ministro, Francisco Gonçalves também.
E agora? O homem foi afastado do cargo de prefeito em Uberaba, suspeito de ser um dos maiores trambiqueiros da política mineira. Será que os dois ainda querem ser coleguinhas dele?
Trincheira
A trincehria vai ou não vai? Durante a campanha eleitoral, quase houve guerra para saber quem era o pai da trincheira. Todos os candidatos, à exceção de Jorge Torquato, fizeram uso do assunto na tentativa de arrancar alguns votinhos. Jaiminho colocou até placas pela cidade: “A trincheira é nossa”.
Passado o fogo eleitoral, a trincheira vai continuar só no papel. É assim que vai ser. Pelo menos até 2010, quando a campanha eleitoral promete mais uma duelo de dar gosto.





