ENTREVISTA: Ary Fontoura fala sobre a novela ?A Favorita?

Publicado por: suporte

Ary Fontoura é um dos mitos da Rede Globo. No ar com o personagem Silveirinha no folhetim A Favorita, o ator já participou de 45 novelas, mais de 15 filmes, além de participações em minisséries e peças teatrais.

Mas engana-se quem pensa que Ary já está satisfeito com seu currículo artístico. Depois da trama do horário nobre, ele ainda pretende voltar aos palcos.
 
Sobre A Favorita, o ator é só elogios para João Emanuel Carneiro, o autor da obra. "Ele tem uma capacidade incrível de fantasiar e de criar", disse. Intérprete de um personagens envolvidos na rixa entre Donatela (Claudia Raia) e Flora (Patrícia Pillar), Ary Fontoura acredita que a revelação da assassina trouxe ânimo para a novela.
 
ENTREVISTA
 
Como você entrou para a dramaturgia?
Eu comecei fazendo teatro amador, depois teatro no colégio. Não fiz nenhuma escola de dramaturgia. Na época não havia isto, já que sou de Curitiba. Eu progredi gradativamente, aprendi trabalhando.
 
Você é de Curitiba, quando foi para o Rio?
Eu fui para o Rio de Janeiro em 1964. Um ano depois a Rede Globo foi inaugurada e eu contratado. São 43 anos ininterruptos na mesma emissora.
 
Qual o personagem mais marcante na sua carreira? E a novela?
A Favorita é a minha 45ª novela. São muitos personagens marcantes, sobretudo quando a Globo apresentava novelas às 22h. Era muita gente criando e eram histórias interessantes. O Dias Gomes e a Janete Clair eram grandes autores. Assim na Terra Como no Céu é uma das novelas mais marcantes da minha carreira. O João Emanuel (autor de "A Favorita") é um discípulo da Janete, ele deu um ânimo novo para a novela. Ele consegue ser tão interessante quanto os autores das tramas daquela época.
 
Como foi trabalhar no cinema brasileiro?
Fiz cerca de 20 filmes, mas a carreira na televisão impediu de me dedicar ao cinema, já que ele requer tempo integral. Foi uma opção, mas também, somente por estes tempos que o cinema teve uma retomada.
 
Quando você volta ao cinema?
No dia 10 de outubro, eu estrearei um novo filme como protagonista, A Guerra das Rochas, dirigido por Jorge Fernando. Interpreto uma mulher, a mãe de uma família que se vê sozinha. Ela pede auxílio para todos, mas não consegue abrigo, até porque ela é uma bisbilhoteira. O longa-metragem é uma comédia.
 
Qual é a sua relação com o teatro? Pretende fazer alguma peça?
Eu sempre alterno uma peça e uma novela. Gosto do teatro porque é lá que o autor aprende de verdade. A televisão toma muito tempo, mas os três possuem características diferentes. Não é nenhum bicho de sete cabeças e você acaba aprendendo os mecanismos, mas acho que o teatro é o principal. Assim que acabar a novela pretendo estrear outra peça. Estou procurando um texto, quero fazer comédia, mas está muito difícil porque a cada dia menos pessoas estão escrevendo bons textos para o teatro.
 
Como é participar da novela "A Favorita"?
Antes da novela, eu havia feito uma cirurgia, mas aceitei o papel porque achava que era um desafio, e eu gosto de papéis que me desafiem. O Silveirinha é um personagem muito bem escrito, que teve uma reviravolta na novela.
 
Qual a sua relação com o João Emanuel Carineiro, autor de "A Favorita"?
Não conheço o João Emanuel Carneiro pessoalmente, mas ele é um excelente autor. É jovem e traz uma grande esperança para as novelas. Está entre os grandes autores da Rede Globo, ocupa o principal horário das novelas. Uma enorme responsabilidade. Ele tem uma capacidade incrível de fantasiar e de criar.
 
O que você achou das críticas que o autor de “Os Mutantes” direcionou à novela “A Favorita”? (Tiago Santiago disse que revelar a assassina antes da hora era ato de desespero, apenas para chamar audiência) Qual a sua opinião sobre esse comentário?
Eu acho que esta é uma crítica desesperada deste autor. A reviravolta na novela, a revelação da assassina foi uma forma de trazer ânimo para a trama. Foi uma atitude corajosa do João Emanuel. Fora que a audiência e os objetivos comerciais estão sendo alcançados. O Tiago Santiago também é um autor muito bom, foi apenas um ponto de vista.
 
Tem alguém com quem você ainda não tenha contracenado e tenha vontade?
Não trabalhei com todos, mas não tem uma pessoa com quem realmente eu queira contracenar. Deixo que o tempo se encarregue de fazer isso.
 
Em 2007, você participou da novela "Sete Pecados" como o Romeu. A reação do público muda entre este personagem e o Silveirinha?
As pessoas são críticos excelentes. Sabem aplaudir e percebem que há uma versatilidade no ator. Isso me agrada muito, já que o Romeu era mais leve e o Silveirinha é um vilão.
 
Você participou de "Sai de baixo". Tem planos de voltar a fazer humor?
No momento não, a minha vontade é sair de férias e fazer teatro. Depois, quando eu voltar, se tiver uma possibilidade, se for algo bom, eu faço. No teatro, interpretarei uma comédia.
 
Depois de "A Favorita", o que você pretende fazer?
Pretendo descansar. Quero entrar de férias da televisão e me dedicar ao teatro.
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