Ministro diz que Brasil fez tudo o que pôde para ter acordo em Doha

Publicado por: suporte

O fracasso nas negociações de tentativa de estabelecer o livre comércio mundial foi anunciado nesta terça-feira, depois de mais de uma semana de negociações. “Se há um país que está fora desse jogo de culpa (pelo fracasso), esse país é o Brasil”, o chanceler afirmou em entrevista coletiva ao final da última jornada de negociações na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“O Brasil fez tudo o que podia para permitir esse acordo, inclusive abriu mão de interesses que eram seus. Estávamos dispostos a ceder mesmo em um tema que é de nosso interesse, como as salvaguardas”, disse Amorim.
 
Grande exportador de produtos agrícolas, o Brasil teria como lógica alinhar-se com Uruguai e Paraguai, seus sócios no Mercosul, contra a exigência da Índia de melhorar o chamado mecanismo de salvaguarda, que garantiria proteção aos mercados contra aumentos acentuados nas importações de alimentos. “Mas eu disse que o que os Estados Unidos acertassem com a Índia eu aceitaria”, o ministro assegurou.
 
RESPONSABILIDADE – Antes do início das reuniões, Amorim chegou a cobrar responsabilidade dos outros negociadores e pediu que parassem de trocar acusações e assumissem os riscos em nome de um acordo final para a Rodada Doha.
 
Em meio ao impasse, propôs que a composição do chamado Grupo dos Sete fosse modificada para tentar explorar novas posições que sugerissem outras alternativas para a crise.
 
“É um absurdo que tudo tenha acabado por uma questão de números (que definem as condições para a aplicação das salvaguardas). Acho que podíamos ter tentado outro time, quem sabe outros jogadores funcionariam melhor”, lamentou.
 
Na avaliação do ministro, o pacote que estava sendo debatido era “positivo para o comércio mundial e para o Brasil, mas seria especialmente bom para os países mais pobres”.
 
Assim como já havia dito o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, o chanceler brasileiro também acredita que o fracasso da rodada terá mais impacto sobre os países mais pobres.
 
“É lamentável para a economia mundial nesse momento e é muito ruim para os países mais pobres, principalmente para aqueles mais pobres dentre os pobres, porque eles receberiam maiores benefícios”, afirmou Amorim.
 
Por outro lado, o ministro voltou a destacar a importância do G-20, grupo de países emergentes que lidera junto à Índia, para a evolução da rodada.
 
“O G-20 proporcionou a estrutura, as principais idéias e fórmulas para lidar com o problema da agricultura. O único ponto em que o G-20 nunca foi capaz de encontrar uma solução dentro do grupo foi precisamente o ponto que levou a rodada ao fracasso”, ele disse.
 
FUTURO – Amorim considera que o tempo que as negociações permancerem paralisadas a partir de agora será determinante para o futuro da rodada. Alguns países sugeriram que as discussões sejam retomadas em setembro, mas a proximidade das eleições americanas, em novembro, dificultaria o processo.
 
“Depois disso vêm as eleições européias, depois é a Índia que entra em processo eleitoral, logo o Brasil. A vida evolui, não pára. Dentro de um mês todos estarão pensando em outras prioridades, como a mudança climática ou acordos bilaterais”, justifica.
 
Ainda assim, o chanceler ressalta a importância de insistir em um acordo multilateral no âmbito da OMC, já que essa seria a única forma de solucionar determinados problemas do comércio global, como a questão dos subsídios agrícolas.
 
Enquanto isso não volta a evoluir, o Brasil deverá tentar retomar as negociações para um acordo de associação com a União Européia, paralisadas à espera de um resultado em Doha.
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