Os dados de junho ainda não foram oficialmente fechados, mas os primeiros levantamentos já alcançaram a marca de 1.031 transplantes feitos até o mês passado. A média é de oito cirurgias a cada um milhão de habitantes, superando de longe a meta inicial do MG Transplantes – de 3,7 -, bem como os números do ano passado – uma média de 5,7 desses procedimentos.
O diretor do Complexo MG Transplantes, Charles Simão Filho, ressaltou que nos últimos seis meses, a unidade teve o melhor desempenho em relação a igual período dos anos anteriores. “Com esse crescimento no número de doações, esperamos zerar a fila de espera por uma córnea em dois anos, com as pessoas esperando no máximo 90 dias”.
Segundo ainda Charles Simão, um dos motivos desse crescimento é o processo de reestruturação pelo qual o Complexo MG Transplantes vem passando e que começou em abril do ano passado, quando foi incorporado à Rede Fhemig, recebendo todo o apoio logístico da Secretaria de Estado de Saúde.
Além disso, a direção do Complexo MG Transplantes vem fazendo um trabalho intenso de busca ativa, por meio de contatos e orientações às Comissões Intra-Hospitalares de Doações de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTS), palestras em escolas e empresas. Também são realizados cursos e simpósios de capacitação para abordagem de familiares, diagnóstico de morte encefálica, manutenção do potencial doador e retirada de múltiplos órgãos.
Charles Simão cita também como causa desse crescimento nas doações a credibilidade que o MG Transplantes adquiriu junto à população de Minas. “Devemos esse crescimento, principalmente, à solidariedade dos familiares que, num momento e dor, autorizam a doação dos órgãos de um parente querido”, ressaltou.
VIDAS – Até maio, foram realizados 864 transplantes, sendo 568 de córneas, 34 de escleras, 32 de medula óssea, 171 de rins, 13 de coração, 45 de fígado e um de rim + fígado. Em junho, os primeiros levantamentos fecharam com 156 transplantes, sendo 104 de córnea, oito de escleras, sete de medula óssea, 29 de rins, dois de coração, cinco de fígado e um de rins + pâncreas.
A fila de espera, em maio, fechou com 4.298 pacientes ativos. Desse número, 3.172 pessoas aguardam pelo transplante de rins. São 1.044 cadastrados para receberem córneas, 12 para coração, 49 para fígado e cinco por rins + pâncreas. A fila está zerada para pacientes esperando pulmão e pâncreas.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, observa-se que a maioria dos doadores tem entre 30 e 43 anos, representando 35,2% do total das doações. Esses doadores foram, em grande parte, vítimas de traumatismo crânio-encefálico (77,3% dos casos).
A projeção para 2008 é de 2.074 transplantes realizados. No ano passado, foram realizados 1.608 transplantes.
MG TRANSPLANTES – Fundado em 1992, o MG Transplantes tem uma equipe de profissionais que trabalha 24 horas. São médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e pessoal administrativo. Em fevereiro do ano passado, por meio do Decreto 44.466, foi criado o Complexo MG Transplantes, vinculando-o à Rede Fhemig, criando assim estrutura jurídica–organizacional.
Integram o Sistema Estadual de Transplantes: a Central Estadual de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos / Complexo MG Transplantes (Fhemig); Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos para transplantes Regionais (CNCDO); Coordenadoria de Redes Assistenciais.
O Complexo MG Transplantes atua na abordagem e auxílio na decisão das famílias nas doações; coordena e acompanha as Equipes de Retirada de Órgãos para aprimoramento da técnica e garantia de qualidade do órgão a ser ofertado; e coordena e promove em âmbito Estadual estratégias e campanhas com o objetivo de aumentar a captação e distribuição de órgãos.
As Centrais de Notificação estão localizadas nas regiões Metropolitana – sede em Belo Horizonte; Zona da Mata – sede em Juiz de Fora (com nova sede inaugurada recentemente); Sul – sede em Pouso Alegre; Oeste – sede em Uberlândia; Nordeste – sede em Montes Claros, e Leste – sede em Governador Valadares.
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