“Não poderia ser mais adequado estarmos aqui, neste momento da história brasileira, reverenciando a figura do Tiradentes. É sua passagem pela vida que deve guiar nossa reflexão”, afirmou o governador ao relembrar a trajetória do inconfidente. “A história desse homem nos ensina que, quanto mais seletiva for a punição, mais coletiva será a impunidade. A conveniência política, momentânea, desequilibrada, não patrocina a justiça. Ao contrário, é a irmã do arbítrio e a mãe da injustiça. Tiradentes é exemplo disso”, ressaltou Pimentel.
Justiça
Dirigindo-se ao ministro Ricardo Lewandowski, o governador de Minas Gerais afirmou a importância de se dar amplo direito de defesa à sociedade e relembrou o período na ditadura militar em que esteve na posição de réu.
“É a preocupação de quem já foi réu, julgado e condenado pelas leis de exceção do regime autoritário, e que hoje, abençoado pela democracia e ungido pelo voto popular, ocupa o mais honroso posto que um mineiro pode almejar: o de governador de nosso Estado”, disse Pimentel, que ao lado do vice-governador Antônio Andrade entregou a Medalha da Inconfidência a cada um dos homenageados presentes.
Ainda segundo Pimentel, não se pode atropelar, “pela ansiedade do condenar e execrar”, o processo penal. “Todo réu é inocente até que sejam esgotadas todas as possibilidades de defesa. Há tempo de acusar, há tempo de defender, mas o tempo de justiça deve ser guiado pelo eterno”, completou, durante seu discurso.
O governador também citou personalidades políticas referências para a história de Minas Gerais, como Milton Campos, Tancredo Neves e Juscelino Kubitscheck, defensores da democracia e combatentes da tirania. “Temos nesse Estado a ordem democrática, baseada no voto popular e republicana, fundada nas leis e na justiça independente e soberana”, salientou.
Pimentel encerrou seu discurso relembrando que hoje, em um país democrático, estava colocando medalhas onde, no passado, Tiradentes recebeu a corda da opressão. E reverenciou nomes que contribuem para a democracia. “Que o equilíbrio e a moderação presidam sempre os poderes da nossa República”, finalizou o governador de Minas Gerais.
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