BRIGA NO NINHO TUCANO NO SENADO: senadora goiana deixa partido que tentou comê-la no seu próprio ninho

Publicado por: suporte


Segundo a senadora, “a mágoa é em relação a esse processo. A disputa é normal para quem é político. O que não é normal é deixar um companheiro ser massacrado. Pelo menos, o partido vai aprender que tem que ter mais delicadeza ao lidar com questões complexas”, afirmou.

A alguns parlamentares disse que a legenda a expôs a uma “situação vexatória” ao espalhar o “boato” de que ela teria votado em Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência da Casa, contrariando a orientação do PSDB, que apoiou Luiz Henrique (PMDB-SC).

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“Querem desacreditar minha atitude pondo em suspeição meu voto para presidente dessa Casa”, reclamou a senadora durante discurso na tribuna do Senado. “Não posso de forma nenhuma aceitar a ação sutil, rasteira e muito cruel que fizeram comigo durante essa semana”, afirmou Lúcia.

A senadora atribuiu a autoria dos boatos ao seu partido, que tinha a intenção, ainda de acordo com ela, de queimar seu nome na disputa pela 1ª secretaria da Casa. Lúcia Vânia tinha apoio de Renan Calheiros e de outros integrantes da cúpula do PMDB, mas o PSDB tinha preferência pelo senador Paulo Bauer (PMDB-SC).

Lúcia Vânia subiu à tribuna do Senado nesta tarde para declarar que votou em Luiz Henrique, conforme determinou seu partido e, em discurso bastante emocionado, afirmou que sente “profunda tristeza” pelo episódio.

“Fui submetida sem aviso prévio a uma situação vexatória. Expuseram-se impiedosamente a toda a bancada do PSDB, da imprensa, do meu estado e dessa Casa. Descredenciando a minha palavra, o desprestígio da minha credibilidade”, afirmou a senadora.

A senador admitiu que tinha intenção de ficar com a primeira secretaria porque esperava “novos desafios”, mas afirmou que estava disposta a abrir mão do cargo caso isso fosse negociado. “A forma de conduzir o processo talvez tenha sido, na minha visão, frouxa”, afirmou.

Questionada durante entrevista se o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), teria sido o responsável pelo desgaste, a tucana preferiu não apontar nomes. “Não posso dizer quem foi, mas que saiu do PSDB eu não tenho dúvida”, disse durante entrevista à imprensa, após discurso no plenário.

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A senadora disse que ainda não definiu a qual partido pretende se filiar nem quando pretende apresentar seu pedido de desfiliação do PSDB. “Meu desejo nesse momento é me isolar um pouco de tudo isso.”

‘Injustiça com o PSDB’

Após o discurso de Lúcia Vânia, que foi assistido por Aécio Neves e outros tucanos, o líder da bancada, Cássio Cunha Lima (PB) pediu a palavra para dizer que a senadora estava sendo “injusta” com o partido.

“Compreendendo a emoção do instante, mas acho que a senadora comete uma injustiça com o PSDB”, disse Cunha Lima, acrescentando que a legenda sempre teve “respeito e zelo” pela senadora.
O líder ainda negou que seu partido tenha desconfiado da lealdade de Lúcia Vânia na votação para presidente do Senado. “Em nenhum momento por parte do PSDB houve desconfiança. Se desconfiança houve não foi da nossa bancada”, afirmou.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou apaziguar a situação e disse, após as falas de Lúcia Vânia e de Cássio Cunha Lima, que “o pior exercício da democracia é especular quem votou em quem”. “A eleição acabou. Jamais entrarei nesse exercício de querer descobrir quem votou em quem”, contemporizou.

Nesta terça-feira (3), após reunião da bancada tucana, Aécio Neves reafirmou que o nome indicado pelo partido seria o de Paulo Bauer e disse que Lúcia Vânia teria retirado sua candidatura nem “gesto de generosidade”. “Isso já estava no nosso planejamento de ter a Lúcia Vânia na nossa Executiva do partido, onde ela continuará desempenhando um belo papel”, afirmou na ocasião.

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