A transição para o futuro governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ganhou nesta sexta-feira (9) sua primeira composição formal. Depois de definir o vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão como coordenador-geral do processo, Cleitinho indicou 21 nomes que passarão a acompanhar a situação administrativa de Minas Gerais e preparar a chegada da nova gestão. A relação já foi encaminhada ao governo de Mateus Simões (PSD) e reúne políticos eleitos, gestores municipais, advogados, técnicos com experiência no Estado e profissionais que participaram da campanha e da estrutura política do governador eleito. Entre eles aparece Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis, irmão de Cleitinho e deputado federal eleito, reforçando o peso político da cidade na transição do governo.
A publicação dos nomes representa uma nova etapa do processo iniciado imediatamente depois da eleição. Na quarta-feira (7), Cleitinho havia comunicado oficialmente que Falcão seria o responsável pela coordenação-geral da comissão, com atribuição de organizar as tratativas operacionais, articular os diferentes setores e manter a interlocução institucional com o atual governo. Agora, com o primeiro grupo definido, começam a surgir também os perfis que deverão analisar documentos, identificar prioridades e auxiliar na preparação dos primeiros meses da administração que assumirá Minas Gerais em janeiro de 2027.
Gleidson entra na transição e Divinópolis amplia presença
<span style=”float:left;font-size:3.5em;line-height:.8;font-weight:700;margin-right:8px;”>U</span>m dos nomes que mais chama atenção na relação é o de Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e deputado federal eleito nas eleições de domingo. Irmão gêmeo de Cleitinho, Gleidson comandou a Prefeitura por dois mandatos e chega ao grupo com experiência administrativa municipal, justamente no momento em que o governador eleito começa a transformar uma estrutura de campanha em uma estrutura de governo.
Sua presença também mantém Divinópolis em posição importante dentro da montagem inicial. A cidade, que já ganhou projeção depois das eleições ao eleger ou projetar nomes para diferentes esferas políticas, agora passa a ter participação direta na equipe responsável por examinar a máquina estadual e auxiliar na definição dos primeiros passos da nova gestão. A força política divinopolitana aparece ainda em outros integrantes com passagem ou atuação ligada à administração municipal.
Entre eles está Diogo Andrade Vieira, controlador-geral da Prefeitura de Divinópolis, que já vinha sendo citado nos bastidores como um dos profissionais próximos ao núcleo da transição. Também integra a relação Fernando Henrique Costa de Oliveira, com passagem pela estrutura ligada à administração de Gleidson.
A presença desses nomes não significa, entretanto, que estejam automaticamente escolhidos para ocupar secretarias no futuro governo. A comissão de transição possui uma função específica: receber informações, analisar dados e preparar o terreno administrativo para a posse. A definição do secretariado é outro processo e deverá ocorrer paralelamente nas próximas semanas.
Medioli e presidente da AMM também entram
A composição mostra que Cleitinho e Falcão buscaram reunir perfis de diferentes origens. Um deles é Vittorio Medioli (PL), empresário, ex-prefeito de Betim e deputado estadual eleito. A experiência de Medioli no Executivo municipal e sua trajetória empresarial acrescentam ao grupo um perfil voltado à gestão e à administração pública.
Também foi indicado Lucas Vieira Lopes (PSB), prefeito de Iguatama e atual presidente da Associação Mineira de Municípios, a AMM. A presença de Lucas aproxima a comissão do municipalismo mineiro e cria um canal direto com demandas das prefeituras, tema que deverá ter peso para um governo que terá de negociar repasses, programas regionais e políticas que dependem diretamente da cooperação entre Estado e municípios.
Há um elemento político adicional nessa escolha: Falcão presidia a própria AMM antes de deixar a Prefeitura de Patos de Minas e entrar na disputa estadual. Lucas, que era vice-presidente, assumiu o comando da entidade. Os dois voltam agora a trabalhar juntos em um processo que terá entre seus desafios justamente compreender as dificuldades financeiras e administrativas enfrentadas pelas cidades mineiras.
Técnicos com passagem por diferentes governos
O grupo também incorpora profissionais com experiência em diferentes estruturas administrativas, indicando que a transição não será formada apenas por integrantes do núcleo político do Republicanos. Bruno Westin Prado Soares Leal, por exemplo, teve atuação no Programa de Parcerias de Investimentos durante o governo de Jair Bolsonaro. Sua experiência passa por projetos estruturantes, concessões e parcerias com o setor privado, temas que podem ganhar espaço nas discussões sobre infraestrutura e investimentos.
Outro integrante é Leonardo Almeida Bortoletto, que possui passagem pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, a Codemge. Já Gilberto Silva Ramos possui histórico na administração fazendária e financeira, área particularmente sensível diante do quadro fiscal que a futura equipe encontrará.
A composição indica que o novo governo mineiro começa a cercar Falcão de pessoas com conhecimento em gestão, finanças, estrutura administrativa, meio ambiente, políticas sociais e relações institucionais. A estratégia permite que cada reunião setorial seja acompanhada por profissionais familiarizados com a linguagem técnica das secretarias e dos órgãos estaduais.
Dois secretários da Prefeitura de Belo Horizonte participam
A lista também inclui dois nomes atualmente ligados à Prefeitura de Belo Horizonte. João Paulo Menna Barreto de Castro Ferreira, secretário municipal de Meio Ambiente, integrará os trabalhos e poderá contribuir diretamente nas discussões relacionadas a licenciamento, sustentabilidade, recursos naturais e políticas ambientais.
Também aparece André Abreu Reis, secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos da capital. A presença dos dois amplia o caráter técnico da comissão e mostra que o grupo de Cleitinho não ficou restrito a aliados partidários ou profissionais diretamente ligados à sua campanha.
Esse desenho pode ser importante para uma transição que terá de percorrer praticamente toda a estrutura administrativa estadual, envolvendo áreas como Saúde, Educação, Segurança Pública, Meio Ambiente, Desenvolvimento Social, Infraestrutura, Fazenda e Planejamento.
Núcleo jurídico também está presente
A área jurídica, aparecem Raimundo Cândido Neto e Gustavo Carneiro Mendes, advogados que participaram da estrutura jurídica da coligação durante a campanha eleitoral. Raimundo teve atuação direta em questões levadas ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais durante a disputa e já vinha sendo apontado como um dos nomes de confiança próximos ao grupo.
A presença de advogados no processo é esperada diante da quantidade de contratos, atos administrativos, convênios, normas e obrigações legais que precisam ser analisados durante uma transição estadual. O trabalho não se limita a conhecer programas de governo; envolve compreender compromissos assumidos pela administração atual e identificar quais deles continuarão produzindo efeitos nos próximos anos.
Os 21 nomes indicados
A relação inicial encaminhada pelo governador eleito reúne:
- Ana Lúcia de Assis Simões
- André Abreu Reis
- André Luiz da Silva
- Bruno Westin Prado Soares Leal
- Daiana Castilho Dias
- Diogo Andrade Vieira
- Emerson Rocha de Azevedo
- Fernando Henrique Costa de Oliveira
- Gilberto Silva Ramos
- Girlaine Figueiró Oliveira
- Gleidson Azevedo
- Gustavo Carneiro Mendes
- João Paulo Menna Barreto de Castro Ferreira
- Júlia Cristina Alves Lopes
- Leonardo Almeida Bortoletto
- Lucas Vieira Lopes
- Luís Eduardo Falcão
- Paulo Henrique Rabelo da Silveira
- Raimundo Cândido Neto
- Silvio Correa de Faria Junior
- Vittorio Medioli
A relação é inicial e poderá ser ampliada. Falcão terá possibilidade de solicitar a participação de outros profissionais em encontros específicos quando o tema exigir conhecimento técnico adicional.
Comissão poderá convocar especialistas
Segundo o ofício encaminhado pelo governador eleito à administração de Mateus Simões, os integrantes acompanharão os trabalhos da transição e poderão chamar profissionais adicionais de acordo com as necessidades de cada área. Isso significa que os 21 nomes formam o núcleo formal, mas não necessariamente representam a totalidade das pessoas que participarão das análises.
A metodologia permite que especialistas sejam incorporados pontualmente para discutir temas específicos. Em áreas complexas, como Saúde, dívida estadual, infraestrutura, concessões, educação ou meio ambiente, o grupo poderá buscar profissionais com conhecimento técnico para auxiliar na interpretação dos dados apresentados pelo governo atual.
Os integrantes não receberão remuneração pela participação na comissão. O atual governo, por sua vez, ficará responsável por disponibilizar as informações solicitadas dentro dos procedimentos definidos para a transição.
O desafio agora é conhecer por dentro o Estado
Cleitinho venceu a eleição apresentando propostas e críticas construídas durante sua trajetória como vereador, deputado estadual e senador. A partir de agora, entretanto, começa uma etapa diferente: conhecer em profundidade a situação encontrada em cada secretaria, contratos em andamento, obras, despesas obrigatórias, programas que precisam de continuidade e compromissos financeiros já assumidos.
É exatamente para isso que a comissão passa a trabalhar. Falcão, como coordenador, será responsável por organizar as informações recebidas e transformar esse volume de dados em um diagnóstico que permita ao governador eleito tomar decisões antes da posse.
A composição divulgada nesta sexta-feira é, portanto, mais do que uma lista de nomes. É a primeira fotografia concreta do grupo que começará a preparar a chegada de Cleitinho ao Palácio Tiradentes.
E também será observada por outro motivo: muitos desses profissionais podem ganhar espaço nas especulações sobre o futuro secretariado. Isso, porém, será uma segunda etapa.
Por enquanto, eles têm uma missão definida: entender o Estado que Cleitinho receberá e preparar o terreno para o início do novo governo.






