A última semana antes do primeiro turno das eleições de 2026 começa com uma sequência de pesquisas de intenção de voto e diferenças importantes entre os levantamentos. Nesta segunda-feira (28), pesquisas Nexus/BTG e Quaest apresentaram números nacionais distintos, enquanto levantamentos estaduais também passaram a circular. Para interpretar os resultados, é necessário observar o eleitorado pesquisado, o período das entrevistas, o tamanho da amostra, a metodologia e o cenário eleitoral apresentado.
A pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira, entrevistou 2.000 eleitores entre 25 e 27 de setembro, por telefone, e tem margem de erro de dois pontos percentuais. No cenário estimulado para o primeiro turno, Lula (PT) aparece com 42% e Flávio Bolsonaro (PL) com 37%. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, os percentuais são de 46% e 44%, respectivamente. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07557/2026. A Quaest, também divulgada nesta segunda-feira, apresentou outro retrato do eleitorado nacional. O instituto entrevistou 2.004 pessoas presencialmente entre 24 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. No primeiro turno, Lula registra 39% e Flávio Bolsonaro, 34%. No segundo turno, os dois aparecem com 42% cada. O levantamento está registrado sob o número BR-06520/2026, as diferenças entre os números não significam, por si só, que um instituto esteja medindo o mesmo fenômeno de maneira idêntica ao outro. Os levantamentos tiveram períodos de entrevistas e métodos diferentes, além de poderem apresentar questionários e desenhos amostrais próprios. Por isso, a comparação direta entre percentuais exige atenção às respectivas metodologias.
Pesquisa estadual não representa o eleitorado nacional
Outro ponto importante na leitura dos levantamentos da reta final é a abrangência geográfica, uma pesquisa realizada exclusivamente em Minas Gerais, por exemplo, descreve as intenções de voto entre os eleitores mineiros e não pode ser tratada como equivalente a uma pesquisa nacional, essa diferença ganha importância justamente quando levantamentos de diferentes abrangências são divulgados no mesmo dia. O eleitorado pesquisado, portanto, precisa ser identificado antes que os percentuais sejam comparados.
Calendário concentra pesquisas nos últimos dias
A reta final ainda terá novos levantamentos nacionais. Entre as pesquisas registradas até o fim de semana e com previsão de divulgação nesta última semana, estão levantamentos da Vox Brasil, Datafolha, Real Time Big Data, Palver e Quaest. As datas previstas podem sofrer alterações, e o registro no TSE não significa que o resultado necessariamente será publicado naquele dia.
| Divulgação prevista | Instituto | Registro no TSE | Entrevistados previstos |
|---|---|---|---|
| 29/9, terça-feira | Vox Brasil | BR-00895/2026 | 2.100 |
| 1º/10, quinta-feira | Datafolha | BR-08039/2026 | 2.506 |
| 1º/10, quinta-feira | Real Time Big Data | BR-09503/2026 | 2.000 |
| 3/10, sábado | Palver | BR-00198/2026 | 5.000 |
| 3/10, sábado | Datafolha | BR-01708/2026 | 4.006 |
| 3/10, sábado | Quaest | BR-02197/2026 | 3.702 |
A relação reúne pesquisas nacionais selecionadas e registradas até 27 de setembro. O sistema do TSE também reúne outros levantamentos, inclusive estaduais e pesquisas com diferentes datas de divulgação.
Registro no TSE não significa publicação obrigatória
O registro de uma pesquisa eleitoral indica que o levantamento foi cadastrado na Justiça Eleitoral e permite a consulta de informações como instituto responsável, contratante, metodologia, amostra e período de realização, a data indicada no registro também não obriga o instituto a publicar o resultado naquele dia. Trata-se da data a partir da qual a divulgação pode ocorrer, conforme as regras aplicáveis ao levantamento. Para pesquisas realizadas antes da votação e que tenham divulgação prevista para o dia 4 de outubro, o prazo de registro terminou nesta segunda-feira (28). A regra considera cinco dias inteiros entre o registro e a divulgação. Isso não significa que 28 de setembro seja uma data-limite geral para a publicação de pesquisas. O prazo está relacionado ao registro necessário para levantamentos anteriores à votação que sejam divulgados no próprio dia do primeiro turno.
Pesquisa feita no dia da eleição tem regra específica
As regras também diferenciam pesquisas realizadas antes do dia da votação daquelas feitas no próprio domingo eleitoral, levantamentos realizados antes de 4 de outubro podem ser divulgados no dia da eleição, desde que tenham cumprido as exigências de registro. Já pesquisas realizadas no próprio dia da votação só podem ter os resultados divulgados a partir das 17h, pelo horário de Brasília. Assim, a presença de uma pesquisa publicada no domingo não significa necessariamente que as entrevistas tenham sido realizadas naquele mesmo dia.
O que observar antes de comparar pesquisas
Na reta final, alguns pontos ajudam a entender por que os percentuais podem apresentar diferenças, o primeiro é quem foi entrevistado. Uma pesquisa nacional e uma pesquisa estadual não representam o mesmo universo. Também é necessário observar quando as entrevistas foram realizadas, já que fatos ocorridos durante o período de campo podem ou não ter sido captados integralmente, outro fator é o tamanho e a composição da amostra, além da margem de erro e do nível de confiança informados pelo instituto. A forma de coleta também deve ser considerada. A Nexus/BTG desta segunda-feira, por exemplo, realizou entrevistas por telefone, enquanto a Quaest fez entrevistas presenciais. Por fim, é necessário verificar qual cenário foi apresentado ao eleitor. Primeiro turno e segundo turno são perguntas diferentes e não podem ser tratados como se medissem a mesma disputa.
Últimos levantamentos antecedem o primeiro turno
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a semana concentra uma série de pesquisas que poderão apresentar diferentes fotografias do eleitorado em momentos próximos à votação, os levantamentos, porém, continuam sendo retratos produzidos a partir de amostras e metodologias específicas. O resultado oficial da eleição será determinado pelos votos registrados nas urnas e apurados pela Justiça Eleitoral.






