Setembro reúne campanhas que colocam a vida no centro da discussão. Enquanto o Setembro Amarelo chama atenção para a valorização da vida e a prevenção do suicídio, o Setembro Verde amplia esse debate ao tratar da doação de órgãos. Em Divinópolis, o Hospital São João de Deus ocupa a terceira posição em Minas Gerais na captação de órgãos e reforça uma orientação fundamental: quem deseja ser doador precisa conversar com a família e deixar essa vontade clara.
A doação de órgãos envolve um dos momentos mais delicados que uma família pode enfrentar. Afinal, a possibilidade surge justamente quando os familiares lidam com a perda de uma pessoa querida. Entretanto, essa decisão também pode representar uma nova oportunidade para pessoas que aguardam por um transplante.
Por isso, o Setembro Verde procura ampliar a conversa sobre o tema. Mais do que informar sobre a importância dos transplantes, a campanha busca sensibilizar a população para uma decisão que pode fazer diferença na vida de outras pessoas.
Em Divinópolis, o Hospital São João de Deus ocupa posição de destaque nesse trabalho. A instituição aparece em terceiro lugar em Minas Gerais na captação de órgãos, resultado que chama atenção para a atuação das equipes envolvidas nesse processo e, ao mesmo tempo, reforça a necessidade de ampliar a conscientização da sociedade.
Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (14), o doutor Elizeu e a doutora Ana Paula falaram sobre a importância da doação e destacaram o papel da família nesse processo.
Doação pode prolongar outra vida
Ao abordar o assunto, o doutor Elizeu destacou que a conscientização precisa alcançar, principalmente, as pessoas que podem se tornar potenciais doadoras. Segundo ele, enquanto alguns pacientes já enfrentam doenças graves e aguardam por um órgão, existe também a necessidade de sensibilizar a sociedade sobre a possibilidade de contribuir para que outra pessoa continue vivendo.
Nesse sentido, o médico ressaltou que todos podem ser potenciais doadores. No entanto, a decisão precisa partir de uma reflexão pessoal e, principalmente, de uma conversa com os familiares.
Afinal, a doação estabelece uma ligação entre duas realidades completamente diferentes. De um lado, uma família enfrenta a dor provocada pela perda de alguém próximo. Do outro, uma pessoa continua lutando pela própria vida enquanto aguarda por um órgão.
Assim, um gesto de solidariedade pode surgir justamente em meio a um momento de profunda tristeza. Um órgão que já não poderá continuar a vida do doador pode, em determinadas circunstâncias, ajudar a prolongar a vida de outra pessoa.
Para o doutor Elizeu, essa possibilidade revela uma dimensão difícil de medir. Afinal, a doação permite que uma pessoa, mesmo após a morte, contribua para que outra tenha a oportunidade de continuar sua história.
Empatia ganha espaço em meio à dor
A doutora Ana Paula também destacou o aspecto humano da doação. Para ela, falar sobre o tema significa recuperar a capacidade de olhar para o sofrimento do outro, principalmente quando a própria família enfrenta uma situação de luto.
Nesse contexto, a empatia ganha um papel fundamental. A perda de um ente querido provoca uma dor profunda e, naturalmente, concentra a atenção da família naquele momento. Ainda assim, a possibilidade de ajudar outras pessoas pode transformar parte desse sofrimento em esperança.
Segundo a médica, a doação permite pensar em um recomeço para outras famílias. Dessa forma, uma decisão tomada em um momento de dor pode contribuir para que outras pessoas tenham uma nova oportunidade.
“Talvez a gente possa resumir na empatia e no amor, que significa a doação de órgãos”, afirmou Ana Paula.
A declaração reforça uma das principais mensagens do Setembro Verde: a doação representa mais do que um procedimento dentro de um hospital. Ela também envolve solidariedade, responsabilidade e disposição para pensar na vida de outra pessoa.
Família precisa conhecer a vontade do doador
Embora a decisão de doar seja pessoal, a conversa com a família tem papel fundamental. Por isso, quem deseja ser doador deve falar sobre o assunto enquanto está em condições de manifestar sua vontade.
Essa conversa pode parecer difícil no primeiro momento. No entanto, ela ajuda os familiares a compreenderem a decisão e evita que o assunto apareça pela primeira vez justamente durante uma situação de perda.
Por essa razão, a orientação reforçada durante a coletiva é direta: quem deseja ser doador precisa conversar com a família e deixar essa vontade muito clara.
Além disso, falar sobre o tema com antecedência permite que os familiares conheçam os desejos do ente querido. Dessa maneira, diante de uma eventual situação de doação, eles terão mais segurança para lidar com a decisão.
Hospital São João de Deus se destaca em Minas
O trabalho realizado em Divinópolis também ganhou destaque no cenário estadual. O Hospital São João de Deus ocupa a terceira posição em Minas Gerais na captação de órgãos.
Esse resultado demonstra a relevância da instituição dentro da rede de assistência e destaca o trabalho desenvolvido pelas equipes que participam do processo de captação.
Ao mesmo tempo, a posição alcançada pelo hospital reforça a importância da conscientização fora do ambiente hospitalar. Afinal, a doação não começa apenas quando uma equipe identifica um potencial doador.
Antes disso, existe uma conversa que precisa acontecer dentro de casa. Existe uma decisão que precisa ser conhecida. E existe uma família que, em um momento de dor, poderá precisar compreender qual era a vontade daquela pessoa.
Por isso, a informação também faz parte desse processo. Quanto mais a população conhece o assunto, mais espaço existe para que a doação seja discutida com responsabilidade e sensibilidade.
Setembro Verde coloca a vida no centro da conversa
O Setembro Verde, portanto, amplia uma discussão que precisa ultrapassar o calendário das campanhas. A conscientização sobre a doação de órgãos pode começar em qualquer momento, principalmente dentro das famílias.
Da mesma forma, a campanha permite uma reflexão sobre a própria vida e sobre aquilo que cada pessoa gostaria que acontecesse caso, um dia, não pudesse mais tomar essa decisão.
No caso do Hospital São João de Deus, o terceiro lugar em Minas Gerais na captação de órgãos reforça a importância do trabalho realizado em Divinópolis. Entretanto, os profissionais destacam que a atuação hospitalar precisa caminhar junto com a conscientização da população.
Afinal, uma decisão compartilhada em vida pode fazer diferença quando a família precisar enfrentar uma perda.
Por isso, a principal orientação neste Setembro Verde é simples: converse com sua família sobre a doação de órgãos.
Falar sobre o assunto não significa antecipar a morte. Pelo contrário, significa valorizar a vida e considerar a possibilidade de ajudar alguém que ainda espera por uma oportunidade de continuar vivendo.
Nesse sentido, a doação representa um gesto de empatia. Em meio à dor de uma despedida, uma família pode contribuir para que outras famílias tenham a esperança de um recomeço.
O DiviNews também participa dessa conscientização ao levar informação à população e ampliar o debate sobre a importância da doação de órgãos.






