“Não foi suficiente”: Mateus Simões cita acidentes na família ao defender recuperação das rodovias de Minas

Candidato do PSD afirmou que investimentos realizados com Zema recuperaram cerca de 10 mil dos 24 mil quilômetros de estradas estaduais, mas reconheceu que ainda há muito a fazer

Publicado por: Cassia Misael

O candidato do PSD ao Governo de Minas, Mateus Simões, levou uma experiência pessoal para o centro do debate eleitoral ao responder a uma pergunta sobre as condições das rodovias mineiras. Ao tratar dos investimentos realizados durante a gestão Romeu Zema, Simões revelou que perdeu um irmão e os pais em acidentes ocorridos nas estradas de Minas.

A declaração deu um tom mais pessoal à discussão sobre infraestrutura e, ao mesmo tempo, reforçou a dimensão do desafio que envolve a malha rodoviária estadual. Afinal, em um estado com milhares de quilômetros de estradas, a qualidade das rodovias interfere diretamente não apenas no transporte de cargas e passageiros, mas também na segurança de quem precisa percorrer longas distâncias diariamente.

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Questionado por Flávio Roscoe sobre o que pretende fazer para melhorar as condições das estradas, Simões começou destacando que o problema não deve ser analisado apenas pelo impacto econômico.

“As rodovias não tocam apenas no tópico do desenvolvimento como, também, na vida das pessoas”, afirmou.

Na sequência, o candidato revelou que a questão também está relacionada à própria história familiar.

“Eu perdi um irmão e meus pais em acidentes nas estradas de Minas”, declarou.

Ao trazer essa experiência para o debate, Simões procurou mostrar que a discussão sobre rodovias ultrapassa os indicadores de pavimentação, os quilômetros recuperados e os valores destinados a obras. Nesse sentido, a segurança viária aparece como uma questão diretamente relacionada à preservação de vidas.

Simões reconhece que recuperação das estradas ainda não terminou

Depois de apresentar o aspecto pessoal da questão, Simões direcionou a resposta para os investimentos realizados durante a gestão de Romeu Zema. Segundo o candidato, o governo atual coordenou um dos maiores volumes de recursos destinados à recuperação asfáltica das últimas décadas.

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“Eu e Zema coordenamos o maior volume de investimentos em mais de três décadas em recuperação asfáltica, mas não foi suficiente ainda”, afirmou.

A expressão “não foi suficiente ainda” ganha importância dentro da resposta porque, ao mesmo tempo em que o candidato defende o trabalho realizado pela atual administração, também reconhece que o problema das rodovias permanece.

Segundo Simões, aproximadamente 10 mil dos 24 mil quilômetros de estradas estaduais já foram recuperados. O número representa uma parcela expressiva da malha, mas também revela a dimensão do trabalho que ainda precisa ser realizado.

Considerando os números apresentados pelo próprio candidato, ainda restariam cerca de 14 mil quilômetros de rodovias estaduais fora desse volume de recuperação mencionado durante o debate. Portanto, a discussão não se encerra com o balanço das obras realizadas pelo governo Zema.

Pelo contrário. A fala de Simões coloca justamente a continuidade das intervenções como um dos desafios para a próxima administração estadual.

Rodovias têm peso além da infraestrutura

A situação das estradas mineiras possui impacto que vai muito além da experiência dos motoristas. Minas Gerais tem uma economia fortemente conectada ao transporte rodoviário, que é utilizado para movimentar produtos agrícolas, insumos, mercadorias e produção industrial entre diferentes regiões.

Além disso, as rodovias são fundamentais para a ligação entre os municípios. Em muitas localidades do interior, a estrada representa o principal caminho para hospitais de referência, universidades, centros comerciais, aeroportos e outros serviços que não estão disponíveis na própria cidade.

Por isso, problemas de pavimentação e conservação podem aumentar o tempo de deslocamento, elevar custos de transporte e dificultar a circulação de pessoas e mercadorias.

Da mesma forma, uma estrada em condições inadequadas pode ampliar riscos para quem trafega pelo local, principalmente quando problemas de pavimento se somam à ausência ou deficiência de sinalização, iluminação, acostamento e outros elementos de segurança viária.

Foi justamente nesse contexto que a fala pessoal de Simões ganhou força durante o debate. Ao mencionar a perda de familiares em acidentes, o candidato relacionou um tema tradicionalmente tratado como infraestrutura a uma consequência muito mais grave: o risco à vida.

Investimentos são apresentados como legado da gestão Zema

Além da dimensão pessoal, a resposta de Simões teve também um componente político. Ao citar o volume de quilômetros recuperados, o candidato apresentou os investimentos realizados durante sua atuação ao lado de Romeu Zema como parte do legado da atual administração.

A estratégia permite que Simões defenda a continuidade de ações iniciadas no governo atual e, ao mesmo tempo, reconheça que a recuperação da malha rodoviária precisa avançar.

Nesse cenário, a declaração de que “não foi suficiente ainda” evita apresentar o problema como totalmente resolvido. Pelo contrário, o próprio candidato admite que a extensão das estradas mineiras exige investimentos contínuos.

A questão, portanto, passa a ser não apenas quanto já foi recuperado, mas também quais serão as prioridades para os trechos que permanecem necessitando de obras.

Desafio envolve manutenção permanente

A recuperação de uma rodovia, por sua vez, não encerra definitivamente a necessidade de investimentos. Mesmo depois de uma intervenção, as estradas continuam expostas ao desgaste provocado pelo tráfego de veículos, pelas condições climáticas e pelo próprio tempo.

Por esse motivo, a manutenção precisa acompanhar a expansão e a recuperação da malha. Caso contrário, trechos que passaram por obras podem voltar a apresentar problemas ao longo dos anos.

Essa característica torna as rodovias um tema permanente para qualquer governo estadual. Não basta apenas recuperar trechos considerados críticos; também é necessário estabelecer mecanismos de conservação e acompanhamento para evitar que a deterioração avance novamente.

É justamente essa continuidade que aparece como um dos principais desafios colocados pela fala de Simões.

Interior deve pressionar candidatos por respostas sobre estradas

A discussão também tem peso político porque os problemas das rodovias atingem de maneira direta os municípios do interior. Prefeituras, produtores rurais, transportadores, comerciantes e moradores dependem da qualidade das estradas para manter atividades econômicas e deslocamentos cotidianos.

Além disso, a situação das rodovias costuma ser acompanhada de perto pelas comunidades porque qualquer problema em uma estrada pode afetar toda uma região.

Uma rodovia em boas condições reduz tempo de viagem, facilita o transporte da produção e melhora a conexão entre municípios. Em contrapartida, trechos deteriorados podem aumentar custos e dificultar o acesso a serviços essenciais.

Assim, a recuperação da malha rodoviária tende a permanecer entre as principais cobranças feitas aos candidatos durante a campanha pelo Governo de Minas.

Resposta mistura experiência pessoal e defesa da gestão

Ao responder a Flávio Roscoe, Mateus Simões combinou dois elementos diferentes. Primeiro, apresentou uma experiência pessoal marcada pela perda de familiares em acidentes nas estradas. Depois, utilizou números de obras e investimentos para defender a atuação do governo Zema na recuperação da malha.

Essa combinação mudou o tom da resposta. Em vez de tratar o assunto apenas como uma questão técnica, o candidato apresentou as rodovias também como um problema de segurança e preservação de vidas.

Ao mesmo tempo, a afirmação de que o trabalho realizado “não foi suficiente ainda” introduziu uma espécie de reconhecimento de que a próxima gestão terá de lidar com um passivo significativo.

Com aproximadamente 10 mil dos 24 mil quilômetros estaduais citados como recuperados, o candidato apresentou um balanço das ações realizadas, mas também deixou evidente a dimensão do trabalho que permanece pela frente.

Dessa forma, a discussão sobre as rodovias deve continuar ocupando espaço na disputa pelo Palácio Tiradentes. Para além da quantidade de quilômetros recuperados, os candidatos terão de apresentar como pretendem manter as estradas, ampliar a segurança viária e garantir condições adequadas de circulação para quem depende diariamente da malha estadual.

No debate, Simões escolheu defender os investimentos realizados ao lado de Zema, mas evitou apresentar o problema como resolvido. Ao admitir que “não foi suficiente ainda”, o candidato reconheceu que a recuperação das rodovias continuará sendo um dos grandes desafios de Minas Gerais.

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