Quando o impasse envolvendo a candidatura do senador Cleitinho Azevedo parecia definitivamente encerrado, um novo movimento do Republicanos de Minas voltou a agitar os bastidores da política estadual. Na madrugada desta quinta-feira (6), o diretório estadual registrou uma ata da Executiva em que formaliza a intenção de lançar candidatos próprios ao Governo de Minas, ao cargo de vice-governador e ao Senado Federal. O documento chama atenção porque foi registrado após o prazo final das convenções e justamente depois de a direção nacional do partido anunciar que Cleitinho não seria candidato ao Palácio Tiradentes. Mais do que isso, a ata não cita nominalmente o senador nem o ex-prefeito Luís Eduardo Falcão, apontado durante meses como provável candidato a vice em uma eventual chapa liderada por Cleitinho. Ainda assim, o texto deixa aberta uma margem política para futuras movimentações.
Ata não cita Cleitinho, mas não fecha todas as portas
O documento assinado pelo presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen, não confirma nenhum nome para disputar o Governo de Minas. Apesar da ausência de referências a Cleitinho, dirigentes estaduais ouvidos por veículos que acompanham os bastidores da política mineira afirmam que o senador continua sendo o nome preferido de parte da legenda caso a direção nacional decida rever sua posição.
Na prática, a ata mantém uma estrutura partidária preparada para uma candidatura própria, sem indicar quem efetivamente ocuparia cada vaga.
Prazo terminou sem Cleitinho e sem Falcão
O novo movimento ganha relevância porque ocorre após uma sequência de acontecimentos que parecia ter encerrado o assunto.
O Republicanos aguardou durante dias uma definição de Cleitinho, manteve a ata da convenção aberta para permitir uma decisão do senador e, posteriormente, o presidente nacional Marcos Pereira anunciou que a candidatura não seria mais viável diante da falta de uma decisão definitiva e das sucessivas mudanças de posição do parlamentar.
Durante todo esse período, Luís Eduardo Falcão também era apontado como o principal nome para ocupar a vaga de vice-governador em uma chapa liderada por Cleitinho. No entanto, com o encerramento das convenções, nenhum dos dois teve a candidatura oficializada.
Texto também abre espaço para alianças ao Senado
Outro trecho da ata chama atenção ao estabelecer que, caso o presidente estadual da legenda não registre dois candidatos ao Senado Federal, o Republicanos poderá declarar apoio a candidatos de outras siglas.
Na avaliação de analistas políticos, a redação abre caminho para uma composição com Marcelo Aro (PP), que acabou confirmado como candidato ao Senado ligado ao grupo político de Mateus Simões (PSD), embora em candidatura própria ao Senado. O texto oferece flexibilidade para que o Republicanos participe da construção de alianças sem, necessariamente, lançar dois nomes ao Senado.
Falcão ainda aparece como alternativa nos bastidores
Mesmo sem ter sido oficializado como candidato a vice, Luís Eduardo Falcão continua sendo citado entre as alternativas discutidas internamente.
Segundo informações publicadas por O Fator, caso a direção nacional mantenha o veto definitivo a Cleitinho, dirigentes estaduais avaliam outros cenários, incluindo a possibilidade de Falcão assumir uma eventual candidatura ao Governo de Minas. Até o momento, entretanto, nenhuma decisão nesse sentido foi oficializada.
Mais um capítulo da maior novela política das eleições mineiras
A nova ata adiciona mais um episódio a uma das negociações mais turbulentas do processo eleitoral de 2026 em Minas Gerais.
Ao longo dos últimos meses, o Republicanos alternou sinais de candidatura própria, negociações com outras legendas, espera por uma definição de Cleitinho e, por fim, o anúncio da direção nacional de que o senador não disputaria o Governo de Minas. Agora, o registro da ata estadual recoloca dúvidas sobre qual será a estratégia definitiva da legenda.
Embora o documento não altere, por si só, a posição pública da direção nacional, ele demonstra que o diretório mineiro preservou instrumentos políticos para eventual reorganização do partido caso o cenário volte a mudar. Até o momento, porém, não há anúncio oficial de revisão da decisão comunicada por Marcos Pereira.
Marcos Pereira (Republicanos) também atua como “biruta de aeroporto”
Da mesma forma, muitos analistas políticos, parodiando uma fala da deputada Lohanna França, avaliam que, embora o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, tenha afirmado em seu discurso que “não se pode brincar com os mineiros”, a decisão tomada na madrugada transmitiu justamente a impressão contrária. Para esses analistas, o partido transformou o processo em uma verdadeira “biruta de aeroporto”, alimentando a instabilidade política e deixando em dúvida os rumos da legenda. Na avaliação deles, o Republicanos acabou não apenas confundindo os eleitores mineiros, mas também os próprios postulantes à candidatura ao Governo de Minas, Cleitinho Azevedo e Luís Eduardo Falcão, prolongando um dos episódios mais imprevisíveis da história política recente do Estado.
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