O governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), fez nesta terça-feira (4) as críticas mais contundentes até agora ao imbróglio envolvendo o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Ao comentar as sucessivas mudanças de posição do parlamentar sobre disputar ou não o Palácio Tiradentes, Simões comparou a situação às séries “Game of Thrones” e “House of Cards”, conhecidas pelas constantes reviravoltas. Apesar da ironia, o governador prestou solidariedade a Cleitinho pela morte do irmão Matheus Azevedo e direcionou suas principais críticas à condução do Republicanos, afirmando que o partido precisa colocar um ponto final na indefinição.
“Cada hora tem um plot twist diferente”
Questionado sobre o novo capítulo envolvendo a possível candidatura de Cleitinho, Mateus Simões usou o universo das séries para ilustrar o cenário político mineiro. “Está pior do que assistir episódio de Game of Thrones ou House of Cards. Cada hora que se fala tem um plot twist diferente.”
A declaração faz referência às constantes mudanças de posição envolvendo o senador e o Republicanos nas últimas semanas, período marcado por anúncios, desistências, novas negociações e tentativas de reaproximação entre as partes.
“Acordei com um cenário e fui dormir com outro”
Na sequência, o governador detalhou como acompanhou os acontecimentos das últimas horas. Segundo Simões, a velocidade das mudanças tornou praticamente impossível prever qual seria o desfecho das negociações.
“Eu acordei ontem com o Cleitinho em Brasília, tinha certeza de que era para anunciar a candidatura dele, e fui dormir com o anúncio conjunto dele com o Republicanos dizendo que não era candidato. Hoje, antes do almoço, já tenho de novo ele dizendo que quer ser candidato.”
Para o governador, chegou o momento de o Republicanos definir definitivamente qual será sua posição. “Acho que o Republicanos precisa chegar a uma conclusão sobre isso.”
Solidariedade ao senador
Apesar do tom crítico em relação ao impasse político, Mateus Simões fez questão de separar a situação eleitoral do drama pessoal vivido por Cleitinho. O governador lembrou que o senador perdeu recentemente o irmão caçula, Matheus Azevedo, e afirmou compreender o momento emocional enfrentado pela família. Segundo Simões, justamente por esse contexto, o Republicanos deveria ter conduzido o processo com maior sensibilidade.
Críticas ao Republicanos
As críticas mais duras do governador foram direcionadas à direção nacional do Republicanos. Na avaliação de Simões, a legenda expôs desnecessariamente Cleitinho durante um período de luto e acabou ampliando a crise política. Embora não tenha poupado ironias em relação ao “vai e vem” da candidatura, o governador afirmou que o senador merece solidariedade pela forma como a situação foi conduzida pelo partido.
Histórico de críticas
As declarações desta terça-feira reforçam uma posição que Mateus Simões já vinha adotando desde o início da pré-campanha. Em entrevistas anteriores, o governador afirmou que uma eventual candidatura de Cleitinho dificultaria a união da direita em Minas Gerais, classificou a disputa como um possível “desastre político” e chegou a dizer que o senador teria dificuldades para colocar em prática propostas consideradas disruptivas para a administração estadual.
Ao mesmo tempo, Simões também já declarou em outras ocasiões acreditar que Cleitinho poderia permanecer como aliado do grupo político ligado ao ex-governador Romeu Zema, cenário que vinha sendo discutido antes da crise entre o senador e o Republicanos.
Crise segue repercutindo
O episódio envolvendo Cleitinho continua produzindo reflexos em praticamente todos os grupos políticos mineiros. A indefinição do senador alterou o planejamento de partidos como Republicanos, PP, União Brasil e PL, além de provocar uma intensa reorganização das articulações para a disputa pelo Palácio Tiradentes.
Enquanto o Republicanos tenta encerrar o impasse sobre a candidatura, adversários e aliados acompanham cada novo capítulo de uma crise que se tornou o principal enredo da sucessão estadual.






