Direita em ebulição em Minas – de homem de confiança à traição: Mateus Simões e Zema rompem com Marcelo Aro

Governador rompe o silêncio, acusa ex-aliado de construir uma candidatura pelas costas do governo e transforma disputa interna em confronto público que pode mudar o cenário das eleições de 2026

Publicado por: Redação Divinews

A relação entre o governador Mateus Simões (PSD) e o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) chegou ao ponto de ruptura. O que, até então, era tratado nos bastidores como divergências sobre a sucessão estadual, agora ganhou contornos de uma crise política aberta, marcada por acusações de traição, perda de confiança e desmonte do grupo ligado ao ex-secretário dentro do Palácio Tiradentes.

Ao comentar a saída de Marcelo Aro do governo, o governador fez as declarações mais duras desde que assumiu o comando do Executivo mineiro. Em entrevista nesta quinta-feira (30), afirmou ter descoberto que um de seus principais aliados articulava, há semanas, uma candidatura própria ao Governo de Minas, enquanto ainda ocupava um dos cargos mais estratégicos da administração.

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“Fiquei muito mal impressionado com a reunião que tive com o ex-secretário Marcelo Aro”, declarou.

A frase sintetiza o sentimento que hoje domina o núcleo político do governo: a convicção de que houve uma ruptura de confiança entre antigos aliados.

Mais do que uma saída, uma sensação de traição

Embora Marcelo Aro tenha oficializado sua saída alegando que pretende construir um projeto político para 2026, Mateus Simões deixou claro que o problema não foi apenas a decisão de disputar o governo. Segundo ele, a insatisfação está na forma como tudo aconteceu.

O governador afirmou que Aro teria iniciado negociações com partidos políticos enquanto ainda integrava o primeiro escalão do governo e sem comunicar previamente o grupo liderado por Romeu Zema. Na avaliação de Simões, isso representou uma quebra de lealdade.

“Quatro anos depois, descubro que ele estava se organizando para ser candidato a governador contra o nosso grupo”, afirmou.

A declaração revela que o governador interpreta o movimento de Marcelo Aro não como uma divergência política natural, mas como uma articulação construída silenciosamente dentro do próprio governo.

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Um episódio que Mateus diz nunca ter esquecido

Durante a entrevista, Simões trouxe à tona um episódio ocorrido ainda nas eleições de 2022.

Segundo ele, Marcelo Aro teria trabalhado para impedir que seu nome fosse escolhido como candidato a vice-governador de Romeu Zema.

Apesar disso, afirmou que decidiu superar as diferenças.

“Marcelo perdeu a eleição em 2022. Naquela época ele fez de tudo para tentar tomar minha posição como candidato a vice-governador. Eu superei aquele momento e aceitei que ele fizesse parte do governo com muita tranquilidade.”

A fala demonstra que, para o governador, a relação já havia enfrentado momentos de desgaste, mas havia sido reconstruída em nome da unidade do grupo político. Agora, porém, Simões entende que a confiança foi definitivamente rompida.

Motivo da irritação

Nos bastidores da política mineira, o desgaste entre os dois vinha crescendo desde a reorganização da chapa governista para 2026. Marcelo Aro era apontado como um dos nomes favoritos para disputar uma vaga ao Senado ao lado de Mateus Simões. Entretanto, a filiação do senador Carlos Viana ao PSD alterou completamente o desenho eleitoral.

Sem espaço garantido na chapa majoritária, Aro passou a discutir uma candidatura própria ao Governo de Minas. Foi justamente essa articulação que provocou a reação do governador. Segundo Simões, durante a conversa que marcou a saída de Marcelo Aro, o ex-secretário admitiu que já negociava com outras legendas havia semanas.

Mais do que isso, teria afirmado que poderia rever seus planos apenas se o senador Cleitinho Azevedo confirmasse candidatura ao governo. Para Mateus Simões, essa resposta demonstrou que Marcelo Aro já havia decidido romper com o projeto governista.

“Virou as costas para o projeto”

A entrevista foi marcada por críticas incomuns entre antigos aliados. Simões afirmou que Marcelo Aro abandonou um projeto político construído ao longo dos últimos sete anos e preferiu buscar um caminho próprio. Também criticou a aproximação do ex-secretário com lideranças nacionais de partidos como PP, União Brasil, PL e Republicanos. Na avaliação do governador, Aro passou a construir uma nova coalizão sem qualquer diálogo com o grupo político que integra desde o início da gestão de Romeu Zema.

A resposta veio em forma de exonerações

Menos de um dia após o rompimento, Mateus Simões iniciou uma ampla reformulação na Secretaria de Governo. Foi exonerado o secretário Castellar Neto, considerado um dos homens de maior confiança de Marcelo Aro. Além dele, cerca de 20 servidores ligados ao antigo secretário também deixaram seus cargos.

A medida foi interpretada nos bastidores como um recado claro de que o governador não pretende manter espaços estratégicos ocupados por integrantes do grupo político de Aro. No lugar de Castellar, assumiu Juliano Fisicaro Borges, que era secretário-adjunto da pasta.

Impacto para 2026

A crise acontece justamente quando o grupo político de Romeu Zema começa a definir sua estratégia para a sucessão estadual. Ao perder Marcelo Aro e parte da estrutura partidária ligada ao PP e ao União Brasil, Mateus Simões enfrenta seu primeiro grande desafio político como candidato natural do governo.

Ao mesmo tempo, Marcelo Aro passa a trabalhar para construir uma candidatura própria, buscando apoio entre partidos de centro e direita. Enquanto isso, o senador Cleitinho Azevedo segue como peça central da disputa, já que sua decisão poderá influenciar diretamente o espaço político disponível para os demais pré-candidatos.

A crise vai além das eleições

As declarações de Mateus Simões deixam claro que a insatisfação ultrapassa a disputa eleitoral. O governador acredita que foi surpreendido por um aliado que ocupava um dos cargos mais importantes da administração estadual enquanto articulava um projeto político concorrente.

Por isso, o rompimento deixou de ser apenas uma reorganização partidária para se transformar em uma crise de confiança dentro do grupo que governa Minas desde 2019. Mais do que perder um secretário influente, Mateus Simões demonstrou publicamente que considera ter sido vítima de uma traição política. E, ao tornar esse sentimento público, sinaliza que a disputa pelo Governo de Minas em 2026 será marcada não apenas pelo confronto entre adversários, mas também pela divisão entre antigos aliados.

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