A corrida pelo Governo de Minas Gerais vive um dos momentos mais incomuns do processo eleitoral. Embora a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (28), coloque o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) isolado na liderança das intenções de voto, os dois principais partidos do campo da direita no Estado, Republicanos e Partido Liberal (PL), encerraram suas convenções sem oficializar um candidato ao Palácio Tiradentes. A decisão de manter abertas as atas das convenções demonstra que as articulações políticas continuam em andamento e que o futuro da disputa ainda depende da posição definitiva do senador.
O Republicanos realizou sua convenção estadual no último fim de semana, mas optou por deixar aberta a ata referente à candidatura ao Governo de Minas. A legenda aguarda a definição de Cleitinho, que ainda não anunciou oficialmente se disputará o Executivo estadual. A decisão poderá ser tomada até o encerramento do prazo legal das convenções partidárias, em 5 de agosto.
Na segunda-feira (27), o PL seguiu caminho semelhante. Durante a convenção que oficializou o deputado federal Domingos Sávio como candidato ao Senado, o partido também manteve em aberto a definição sobre o apoio ao Governo de Minas. Após o evento, Domingos voltou a defender a união da direita e afirmou acreditar que Cleitinho ainda poderá confirmar sua candidatura, mas reconheceu que o partido possui alternativas caso isso não aconteça.
Enquanto os bastidores seguem indefinidos, a pesquisa Genial/Quaest mostra que Cleitinho permanece como o principal nome da disputa estadual.
No cenário estimulado com todos os pré-candidatos, o senador aparece com 35% das intenções de voto. Em seguida estão Alexandre Kalil (PDT), com 12%, e Patrus Ananias (PT), lançado recentemente como candidato do partido em Minas, com 10%. Ambos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de três pontos percentuais. O governador Mateus Simões (PSD) registra 6%, Gabriel Azevedo (MDB) soma 4%, enquanto Ben Mendes (Missão) e Flávio Roscoe (PL) aparecem com 2% cada. Maria da Consolação (PSOL) tem 1%. Brancos e nulos representam 13%, e os indecisos chegam a 15%.
A vantagem de Cleitinho também aparece nas simulações de segundo turno. Contra Alexandre Kalil, o senador venceria por 44% a 29%. O levantamento indica ainda que ele lidera todos os cenários em que seu nome é incluído, consolidando-se, neste momento, como o principal favorito ao Governo de Minas.
Cenário 1
- Cleitinho Azevedo (Republicanos): 35%
- Alexandre Kalil (PDT): 12%
- Patrus Ananias (PT): 10%
- Mateus Simões (PSD): 6%
- Gabriel Azevedo (MDB): 4%
- Ben Mendes (Missão): 2%
- Flávio Roscoe (PL): 2%
- Maria da Consolação (PSOL): 1%
- Jarbas Soares Júnior (PSB): 0%
- Rafael Duda (PSTU): 0%
- Túlio Lopes (PCB): 0%
- Indecisos: 15%
- Branco/nulo/não vai votar: 13%
Cenário muda completamente sem Cleitinho
A Quaest também simulou um cenário sem a participação do senador. Nesse caso, a disputa fica muito mais equilibrada.
Alexandre Kalil passa a liderar numericamente com 15%, seguido de Patrus Ananias, com 13%, ambos em empate técnico. Mateus Simões aparece com 9%, Gabriel Azevedo registra 6% e Flávio Roscoe alcança 4%. O dado que mais chama atenção, entretanto, é o crescimento do número de eleitores sem candidato definido: os indecisos sobem para 27%, enquanto 23% afirmam votar em branco, nulo ou ainda não escolheram um nome.
Na prática, o levantamento demonstra que uma eventual ausência de Cleitinho não transfere automaticamente seus votos para outro candidato. Pelo contrário, abre uma disputa completamente nova, com grande parcela do eleitorado ainda sem definição.
Cenário 2
- Alexandre Kalil (PDT): 15%
- Patrus Ananias (PT): 13%
- Mateus Simões (PSD): 9%
- Gabriel Azevedo (MDB): 6%
- Flávio Roscoe (PL): 4%
- Ben Mendes (Missão): 2%
- Maria da Consolação (PSOL): 1%
- Rafael Duda (PSTU): 0%
- Túlio Lopes (PCB): 0%
- Indecisos: 27%
- Branco/nulo/não vai votar: 23%
Pressão aumenta sobre Republicanos e PL
Os números ajudam a explicar por que Republicanos e PL optaram por manter abertas as definições durante as convenções. Com ampla vantagem nas pesquisas e desempenho superior aos adversários em todos os cenários em que aparece, Cleitinho tornou-se a principal peça do tabuleiro político mineiro.
Caso confirme a candidatura, tende a concentrar boa parte do eleitorado de direita. Se optar por permanecer no Senado, Republicanos e PL precisarão reorganizar rapidamente suas estratégias e decidir quem representará esse campo político na disputa pelo Palácio Tiradentes.
Com o prazo das convenções se encerrando em 5 de agosto, a expectativa em Minas Gerais permanece concentrada na decisão do senador, que pode redefinir completamente o cenário eleitoral do segundo maior colégio eleitoral do país.






