Cineasta de Divinópolis transforma fazenda histórica de Oliveira em cenário de filme que emociona e surpreende

Produção do cineasta Alisson Resende foi gravada na centenária Fazenda Bom Retiro, em Oliveira, e une saúde mental, pandemia e suspense em uma história que já percorre cidades mineiras.

Publicado por: Cassia Misael

O cinema produzido no Centro-Oeste de Minas ganha cada vez mais espaço e reconhecimento. Desta vez, o destaque é o curta-metragem “Suspirou”, dirigido pelo cineasta divinopolitano Alisson Resende, que escolheu um dos cenários mais simbólicos da história mineira para dar vida à sua nova obra. Gravado na centenária Fazenda Bom Retiro, em Oliveira propriedade onde nasceu o médico e cientista Carlos Chagas —, o filme propõe uma profunda reflexão sobre a solidão, a saúde mental e as marcas deixadas pelo período da pandemia.

Muito mais do que um drama psicológico, “Suspirou” conduz o espectador por uma experiência sensorial. Em vez de apostar em grandes diálogos, a produção utiliza o silêncio, a fotografia e a imensidão da paisagem rural para transmitir os sentimentos vividos pela protagonista Cecília, interpretada pela atriz Rita Matiusso.

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Um cenário que também conta a história

A escolha da Fazenda Bom Retiro não aconteceu por acaso. Segundo Alisson Resende, o objetivo era encontrar um ambiente que traduzisse visualmente o isolamento vivido pela personagem e, ao mesmo tempo, despertasse dúvidas no público sobre o tempo em que a narrativa acontece.

A arquitetura preservada, os amplos espaços e a atmosfera histórica fazem com que o local se transforme praticamente em um personagem do filme, reforçando a sensação de vazio, introspecção e distância do mundo exterior.

O significado escondido no título

Um dos detalhes que mais chamam atenção é a forma como o nome da obra aparece em alguns materiais de divulgação: “SUS/PIROU”.

O jogo de palavras presta uma homenagem ao Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecido pelo diretor como um dos grandes símbolos de resistência durante a pandemia da Covid-19. Dessa maneira, o filme amplia sua mensagem e transforma uma história individual em uma reflexão coletiva sobre um período que marcou milhões de brasileiros.

Produção priorizou cuidado com a saúde mental

O processo de produção durou cerca de seis meses e envolveu aproximadamente quinze visitas técnicas antes das gravações.

Além da preparação artística, a equipe contou com o acompanhamento de um psicólogo, responsável por orientar o elenco e oferecer suporte emocional durante toda a construção da personagem principal. A iniciativa buscou garantir que um tema tão delicado fosse tratado com responsabilidade, respeito e humanidade.

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Final surpreendente prende o espectador

Embora a narrativa seja conduzida de maneira contemplativa, o filme reserva uma importante reviravolta nos momentos finais.

Sem antecipar detalhes, Alisson Resende explica que a verdadeira essência da história somente é revelada no desfecho, convidando o público a revisitar toda a experiência vivida durante o curta.

Cinema acessível e com propósito social

Com uma década dedicada ao cinema independente, Alisson Resende mantém o compromisso de democratizar o acesso à cultura.

Produzido integralmente com recursos privados e apoio de parceiros, “Suspirou” segue a proposta do diretor de realizar exibições gratuitas, aproximando o público de obras que estimulam reflexão e debate.

Após estreias em Oliveira e Divinópolis, o curta continua circulando por Minas Gerais, com sessões previstas em Pará de Minas e Belo Horizonte, fortalecendo a presença do audiovisual produzido no interior do estado e mostrando que histórias locais também podem emocionar, provocar e conquistar novos públicos.

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