A crise em torno do Diviprev ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (28), após reunião convocada pela prefeita Janete Aparecida, por volta das 14h, na Câmara dos Vereadores de Divinópolis. O encontro reuniu representantes dos sindicatos dos servidores, vereadores e integrantes do Executivo, em uma tentativa de conter o desgaste político provocado pelo projeto que mexe diretamente com a vida funcional e previdenciária da categoria.
O resultado prático foi o adiamento da votação por até 30 dias. A decisão não encerra o impasse, mas empurra para junho uma discussão que já havia elevado a tensão entre Prefeitura, Câmara e funcionalismo. Além disso, o acordo suspende, neste momento, o risco imediato de paralisação, já que os sindicatos passam a ter prazo para apresentar propostas de alteração ao texto.
A reunião contou com a presença de Marco Aurélio, representante do SINTRAM, e Rodrigo Rodrigues, representante do SINTEMMD. Os dois sindicatos chegaram ao encontro com uma proposta de 120 dias para reestudo do projeto. A intenção era abrir um prazo mais amplo para análise técnica, debate com os servidores e construção de alternativas a uma proposta considerada sensível para a categoria.

A partir desse impasse, Prefeitura e sindicatos chegaram a um meio-termo. O prazo aceito foi de até 30 dias, com previsão de apresentação de propostas até o fim de junho. Nesse período, os sindicatos poderão apontar mudanças, sugerir ajustes e tentar reduzir impactos do projeto sobre os servidores municipais.
O adiamento representa um alívio momentâneo para a categoria, mas não significa retirada do projeto. A proposta continua viva dentro da Câmara e deverá voltar ao centro da pauta após o prazo de negociação. Portanto, os próximos dias serão decisivos para medir se o acordo terá força real para produzir mudanças ou apenas adiar uma votação desgastante.
Durante a reunião, Janete sustentou que o governo não pode abrir mão do eixo financeiro da proposta. A prefeita afirmou que há pontos passíveis de diálogo, mas deixou claro que o chamado “esqueleto financeiro” do projeto não pode sofrer alteração profunda, sob pena de comprometer a sustentabilidade do Diviprev e das contas municipais.
Esse ponto mantém o conflito em aberto. Para os servidores, o projeto afeta direitos e exige debate mais amplo. Para a Prefeitura, a reforma representa uma medida dura, porém necessária, diante do cenário previdenciário e orçamentário apresentado pelo Executivo.
Outro ponto importante é que o Colégio de Líderes continuará mantido. Na prática, isso impede a apresentação livre de emendas individuais durante o período de suspensão. O argumento apresentado foi evitar que o projeto vire um “retalho” político, com alterações desconectadas entre si.
A manutenção do Colégio de Líderes, contudo, também gera leitura política. Embora a votação tenha sido adiada, o controle sobre a tramitação permanece preservado. Assim, eventuais mudanças deverão surgir da negociação entre Prefeitura e sindicatos, e não de emendas isoladas apresentadas por vereadores.
O presidente da Câmara também reforçou que o projeto estava próximo de seguir para votação. Sem o acordo construído nesta quinta-feira (28), a proposta poderia avançar pelas comissões e chegar ao plenário nos próximos dias. Com a suspensão, o Legislativo ganha tempo, mas também assume o peso de acompanhar uma negociação delicada.
A movimentação ocorreu após uma audiência pública marcada por forte tensão. Servidores demonstraram insatisfação, sindicatos cobraram abertura de diálogo e vereadores da base enfrentaram pressão direta da categoria. O clima expôs o tamanho do desgaste causado por uma pauta que atinge salários, aposentadorias, contribuição previdenciária e estabilidade financeira do município.
Janete tentou enquadrar a reunião como um gesto de bom senso. A prefeita afirmou que não houve vencedor nem derrotado, mas uma tentativa de conciliação para evitar que servidores, Prefeitura e Câmara saíssem ainda mais feridos do processo. A mesma leitura foi reforçada por representantes do Legislativo e dos sindicatos.
Apesar do tom conciliador, o episódio deixa claro que o governo sentiu o peso da pressão. A proposta não foi retirada, mas a votação também não avançou como estava previsto. O Executivo agora terá que convencer os servidores de que as mudanças são inevitáveis e, ao mesmo tempo, demonstrar disposição concreta para reduzir danos.
Para os sindicatos, o prazo de 30 dias abre uma janela política importante. Marco Aurélio e Rodrigo Rodrigues passam a ter a responsabilidade de construir uma proposta técnica, capaz de dialogar com a base dos servidores e enfrentar os argumentos financeiros da Prefeitura.
Para os vereadores, o adiamento diminui a pressão imediata, mas não elimina o custo político da votação futura. A base do governo terá que sustentar publicamente a necessidade da reforma, enquanto a oposição e os servidores deverão acompanhar cada movimento do texto.
No fundo, a reunião apenas mudou o calendário da crise. O Diviprev segue no centro da disputa. A diferença é que, agora, Prefeitura, Câmara e sindicatos terão até 30 dias para provar se o diálogo anunciado será suficiente para construir uma saída menos traumática.
Com essa movimentação política, Janete aborta a manifestação que estava programada para ocorrer no aniversário da cidade, em que um grupo chegou a cogitar em levar um caixão para a avenida, em um enterro simbólico da prefeita.






