A primeira etapa da vacinação contra a dengue com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan começa no dia 26 de janeiro, marcando um novo capítulo no combate à doença no Brasil. Inicialmente, a imunização será direcionada a profissionais da atenção primária à saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários, considerados estratégicos no enfrentamento às epidemias.
Antes dessa fase nacional, a campanha terá uma aplicação piloto nos dias 17 e 18 de janeiro, contemplando moradores de 15 a 59 anos em três municípios selecionados: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). A escolha das cidades levou em conta critérios epidemiológicos e operacionais, segundo o Ministério da Saúde.
Vacina 100% brasileira e em dose única
A vacina Butantan‑DV é o primeiro imunizante contra a dengue do mundo administrado em dose única. A Anvisa aprovou o uso para pessoas entre 12 e 59 anos. Dados de estudos clínicos indicam 74,7% de eficácia contra casos sintomáticos, 91,6% contra formas graves da doença e 100% de proteção contra hospitalizações.
Além disso, a produção é integralmente nacional, o que garante maior autonomia ao Brasil no enfrentamento da dengue e reduz a dependência de importações.
Entrega de doses e estratégia nacional
O Instituto Butantan já iniciou a entrega de 1,3 milhão de doses ao Ministério da Saúde, que serão incorporadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Desse total, 300 mil doses começam a ser distribuídas nos próximos dias, enquanto o restante será disponibilizado até o fim de janeiro.
A estratégia do governo federal prevê que, após os profissionais de saúde, a vacinação seja ampliada gradualmente para a população, começando pelas faixas etárias mais altas e avançando conforme o aumento da produção do imunizante.
Alerta para avanço da dengue em 2026
A expectativa em torno do início da vacinação ocorre em meio a um cenário de alerta epidemiológico. Um estudo internacional, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o Brasil pode registrar cerca de 1,8 milhão de casos de dengue ao longo de 2026.
Segundo a pesquisa, 54% das notificações devem se concentrar no estado de São Paulo, reforçando a urgência de medidas preventivas, especialmente em regiões com histórico de alta transmissão.
Especialistas ressaltam que, embora a vacina represente um avanço significativo, ela deve atuar em conjunto com ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, como eliminação de focos de água parada e vigilância sanitária.






