A morte de Urias Rodrigues dos Santos, 77 anos, ocorrida no Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis, na madrugada da última quarta-feira (13), deixou familiares inconformados. Eles acusam o médico de negligência, e afirmam que houve inversão da narrativa no Boletim de Ocorrência além de denunciarem que o profissional se fez de vítima, após ele ser agredido por familiares, que teriam agido sob o impacto da dor pela perda, disseram. O caso foi registrado em um BO feito pelas partes à Polícia Militar.
Maria das Graças, esposa do idoso, contou que o marido sentiu fortes dores na virilha e pediu para ser levado imediatamente ao hospital. “A gente levou de urgência. Chegou lá por volta das 20 horas. O médico foi atender ele somente bem mais tarde. Eu chamava, minha neta chamava. Ele ficava olhando pro teto, fazendo descalso da gente. Aí ele teve bem pertinho e eu falei: olha o meu marido tá passando mal, ele tá rolando com a dor. Ele [médico] saiu. Aí meu marido, Urias, sentou na cama e falou assim: me ajuda. Pegou vomitar. Aí ele pegou, caiu para trás dos meus braços, com a boca preta, a língua preta. Eu pedi socorro. Quem foi socorrer foi um acompanhante de outro doente. E o enfermeiro, do outro paciente fez a massagem para ele. Agradeço a esse enfermeiro. Ele voltou. Só que depois ele tornou da outra parada e faleceu”, relatou, emocionada.
A filha, Eloína, confirmou a versão da mãe e acrescentou que o pai chegou ao hospital pouco depois das 8h, já com a ficha de atendimento feita. Segundo ela, o médico não compareceu de imediato. “Foi chamado o médico, o médico não apareceu, ele convulsionou e deu uma parada. E quem ajudou ele foi um enfermeiro que não é do São Judas e que estava de acompanhante lá. Depois disso, a minha mãe gritou, já tinham mais de três horas que meu pai estava esperando. A minha filha foi atrás do médico, o médico estava batendo papo no telefone. Depois de três horas, e que ele buscou o meu pai e foi para a sala vermelha. E na sala vermelha, meu pai deu mais uma e outra parada. Foi entubado porque não tinha outra opção, mas não resistiu”, denunciou.
Ainda de acordo com a filha de Urias,”E o hospital acha normal. Meu pai tem plano de saúde, paga Unimed, é caro pela idade dele, 77 anos e ele foi tratado como se fosse um nada, um lixo. A gente não teve apoio nem do hospital e nem do médico. O médico é um (NOME RETIRADO POR DETERMINAÇÃO LIMINAR DA JUSTIÇA) . Sem capacidade nenhuma. Ele [o pai] esperou mais de três horas para ser atendido. Ele tinha um monte de problema, era um caso prioritário. Acredito que se ele tivesse atendido a tempo não teria sido tão triste”
Eloína em sua entrevista, que na verdade é um desabafo ao Divinews, afirmou que, “o medico para ser médico, tem que ter amor pelo que faz”. E em seguida ao ser perguntada sobre o nome do seu pai, e também o nome do médico que o atendeu, a filha responde, que o nome do pai é “Urias Rodrigues dos Santos, 77 anos”, e a seguir identificou o médico como sendo ….. (NOME DO MÉDICO RETIRADO POR DECISÃO JUDICIAL LIMINAR) (Não Lembro o sobrenome, mas acho que é (NOME RETIRADO POR DECISÃO JUDICIAL LIMINAR) Logo depois ela pede alguém para verificar o nome correto, e na sequencia diz o nome completo. (NOME RETIRADO POR DECISÃO JUDICIAL LIMINAR)”
No Boletim de Ocorrência, o médico apresentou versão diferente, descrevendo que atendeu o paciente e que a confusão teria começado após a constatação do óbito, quando familiares, revoltados, passaram a agredi-lo verbal e fisicamente. Ele relatou que se sentiu ameaçado, situação enquadrada pela polícia como “vias de fato/agressão”.
A família, no entanto, sustenta que o médico distorceu os fatos no registro policial, colocando-se como vítima e omitindo que, segundo eles, a demora e a falta de atendimento adequado contribuíram para o desfecho trágico. Maria das Graças e Eloína afirmam que a reação emocional se deu diante da perda e da sensação de injustiça. “Perdemos nosso pai, nosso marido. Ele era a vítima, não o médico”, desabafou a filha.
ENTIDADES MÉDICAS DE MINAS GERAIS REPUDIAM AGRESSÃO CONTRA MÉDICO EM DIVINÓPOLIS
POSICIONAMENTO OFICIAL DO HOSPITAL SÃO JUDAS TADEU
“Conforme as diretrizes legais e institucionais, Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), Lei nº 13.787/2018 e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018 – LGPD) o hospital não repassa informações relacionadas a questões médicas e ao estado de saúde de pacientes a terceiros, exceto nos casos autorizados pela legislação vigente. Assim, reforçamos que o sigilo médico e hospitalar é um dever ético e legal da instituição e de seus profissionais, visando à proteção da privacidade e da dignidade do paciente. Contudo, ressaltamos que permanecemos à disposição da família para eventuais esclarecimentos.
Por fim, o Hospital repudia toda e qualquer forma de violência”.
Contextualização Divinews
A redação do Divinews foi contatada logo no inicio da manhã desta última quarta-feira (13) para que fosse ao Cemitério Parque da Serra ouvir os relatos de familiares sobre ocorrido. Local onde foram ouvidas uma das filhas de Urias, Eloina, e a esposa dele, Maria das Graças. Muito abaladas contaram suas versões, acima apresentadas. Na manhã desta quinta-feira (14), o Divinews tentou entrar em contato com a direção do Hospital São Judas para ouvir a versão institucional da empresa, ao ser informado de que os responsáveis estavam em reunião, deu o prazo até as 12 horas para que se manifestassem.
Por volta das 10 horas, uma servidora do Conselho Regional de Medicina (CRM-MG), em contato com o Divinews, informou que tinha uma Nota de Repúdio para ser publicada, e se o veículo de comunicação poderia públicá-la (Nota Acima).
Contudo, paralelamente, uma agência de publicidade, que atende a conta do CRM-MG, em contato com o Divinews, via WhatsApp, solicitou tabela de preço para a publicação da ‘Nota de Repúdio’ – Fato é que o Divinews está publicando a Nota, que é assinada pelo Conselho Regional de Medicina de Minas (CRM-MG); Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (SINMED-MG); e Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).








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