A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos atingiu seu pior momento em anos após o governo do ex-presidente Donald Trump, que tenta voltar ao poder, anunciar sanções diretas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão, comandada pelo secretário de Estado Marco Rubio, inclui a revogação de vistos do ministro, seus familiares e “aliados” não identificados uma medida inédita e gravíssima que, segundo analistas, representa um ataque frontal à soberania do Brasil e uma ingerência inaceitável em assuntos internos do país.
Mais grave ainda é o pano de fundo desta ação. As sanções não têm origem em fatos jurídicos concretos, mas em um conjunto de narrativas distorcidas levadas aos EUA por Eduardo Bolsonaro e seus aliados — que atuam há meses em Washington como uma espécie de “embaixada paralela” da extrema direita brasileira. O objetivo: convencer o governo Trump de que há uma perseguição judicial contra Jair Bolsonaro, omitindo que o ex-presidente é investigado por crimes gravíssimos, como tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito.
Trump repete a retórica bolsonarista para justificar ingerência
Na postagem que oficializa as sanções, Rubio alega que Moraes conduz uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e que suas decisões afetam até mesmo a liberdade de americanos — argumento genérico e alinhado ao discurso conspiratório promovido por Eduardo Bolsonaro e figuras da extrema direita global. Rubio não apresentou qualquer comprovação de que Moraes tenha violado direitos de cidadãos dos EUA, mas mesmo assim invocou a Lei de Imigração e Nacionalidade para justificar a medida.
A ação de Rubio ocorre logo após a Primeira Turma do STF confirmar medidas cautelares contra Jair Bolsonaro, que agora está proibido de usar redes sociais, manter contato com investigados — incluindo o próprio filho Eduardo — e obrigado a usar tornozeleira eletrônica.
Eduardo Bolsonaro comemora ataque à soberania nacional
O próprio Eduardo Bolsonaro comemorou publicamente a decisão dos EUA, dizendo que “agora autoridades brasileiras também não poderão ver seus familiares nos EUA”. Em outro post, afirmou: “Não haverá recuo”, sugerindo que novas retaliações estão por vir.
A atuação do deputado no exterior é vista por setores do Judiciário como uma tentativa deliberada de pressionar potências estrangeiras a interferirem na Justiça brasileira — o que motivou, inclusive, a inclusão de seu nome nas investigações do STF.
Sanções e tarifas: chantagem internacional sob pretexto judicial
Além das medidas contra Moraes, o governo Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como suco de laranja e componentes da aviação civil. Na carta que justificou as tarifas, o ex-presidente dos EUA acusou o STF de censura às redes sociais e de prejudicar empresas americanas. Moraes, de fato, determinou bloqueios de plataformas como Rumble e X (ex-Twitter) por descumprirem ordens judiciais — decisões que seguem a Constituição Brasileira e o marco legal da internet.
Lula reagiu com firmeza, dizendo que o governo americano está fazendo uma “chantagem inaceitável” e prometeu levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente defendeu a independência das instituições brasileiras e sinalizou que o país poderá retaliar com base na Lei da Reciprocidade.
Especialistas apontam ameaça sem precedentes à soberania nacional
Diplomatas e juristas ouvidos pela imprensa consideram a ação de Trump um grave precedente. “É inadmissível que um país estrangeiro se permita sancionar um magistrado por cumprir sua função constitucional. O Brasil está diante de uma tentativa de intimidação que afronta o princípio da não intervenção”, disse um embaixador ouvido pela BBC News Brasil.
O cenário deixa evidente que o clã Bolsonaro opera hoje como canal de desinformação institucionalizada, exportando fake news ao exterior na tentativa de deslegitimar a Justiça brasileira e proteger réus de altíssimo escalão. O governo Trump, por sua vez, parece disposto a ouvir apenas o que lhe convém, atacando ministros da Suprema Corte com base em versões fabricadas.






