Durante mais uma live promovida pelo grupo Mulheres Abrigo, transmitida pelo Divinews, especialistas debateram com profundidade os impactos do narcisismo nas relações humanas. A psicanalista Marília Lemos e a terapeuta Alessandra destacaram como o transtorno afeta mulheres, homens e até crianças, gerando sofrimento emocional e adoecimento silencioso. O projeto também revelou que muitas vítimas não reconhecem que estão em relações destrutivas, reforçando a urgência de acesso a apoio psicológico especializado.
Em transmissão ao vivo realizada pelo projeto Mulheres Abrigo em parceria com o portal Divinews, um tema complexo e urgente foi abordado com franqueza: a saúde mental nas relações atravessadas pelo narcisismo. A roda de conversa reuniu a psicanalista Marília Lemos e as terapeutas Cláudi Borges e Alessandra Borges, que detalharam, a partir da experiência clínica, como o narcisismo é um dos transtornos mais destrutivos, silenciosos e comuns na sociedade, muitas vezes presente em lares, relações de trabalho, contextos religiosos e ambientes institucionais.
Marília explicou que o narcisista não é, necessariamente, um perverso, mas sim alguém que possui uma estrutura psíquica voltada para o controle e a manipulação. Ele estuda sua vítima, a seduz com precisão e, aos poucos, a isola e a destrói emocionalmente. “Ele goza ao abater sua vítima. E o mais grave: faz isso socialmente, coloca os filhos contra a mãe, os amigos contra a companheira. É uma mente que não para”, alertou.
A especialista destacou ainda que o narcisismo pode começar cedo, com traços manifestados já na infância, muitas vezes como defesa psíquica diante de abusos emocionais e abandono. “Esse transtorno não tem classe social. O narcisista pode ser gerente de banco, pastor, político ou professor. O que o move é o prazer em dominar e subjugar”, afirmou.
Alessandra, por sua vez, explicou como o narcisista precisa de uma vítima emocionalmente fragilizada — e como, muitas vezes, essa fragilidade é construída ao longo de décadas. “A vítima se anula e passa a duvidar de si. A autoestima some, a saúde física se deteriora. O remédio, nesses casos, é terapia. O narcisista não busca ajuda, mas a vítima pode e deve buscar”, reforçou.
O grupo Mulheres Abrigo, desta vez por meio de Cláudia Borges, ressaltou ainda que a maior demanda recebida não é apenas de escuta, mas de socorro. “Muitas mulheres de outros estados pedem abrigo real, um teto. Dizem: ‘não consigo mais viver nessa casa, preciso sair’. Isso nos parte o coração. Ainda não temos esse abrigo físico, mas temos acolhimento e orientação”, disse Cláudia, uma das articuladoras do projeto.
A live também discutiu o impacto do narcisismo no ambiente infantil. “Crianças dominadoras, manipuladoras, muitas vezes são reflexo de ambientes familiares desequilibrados. O diagnóstico precoce pode ajudar a evitar adultos adoecidos”, disse Alessandra.
Ao final do encontro, a mensagem deixada pelas especialistas foi clara: há saída. A busca por autoconhecimento, diagnóstico, terapia e, quando necessário, medicação, pode libertar vidas inteiras da prisão emocional provocada por relações.
Veja a live completa:






