Minha última sombra! Morri assassinada; ouça minha história

Publicado por: Redação

Eu sou a árvore que, por sessenta anos, estendeu seus galhos sobre a Praça Dom Cristiano, a Praça da Catedral, em Divinópolis. Minha vida começou como uma pequena muda, plantada com esperança e carinho. Cresci observando a cidade florescer ao meu redor, testemunhando o desenvolvimento e as mudanças que moldaram a Princesinha do Oeste.

Sob minha sombra, prefeitos, vereadores e figuras ilustres traçaram os destinos da cidade. Fui o abrigo silencioso de reuniões importantes, onde decisões que impactaram a vida de muitos foram tomadas. Vi passeatas começarem ao meu redor, com pessoas unidas por causas nobres, buscando um futuro melhor.

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Foi sob minha sombra que no início dos anos 80 surgiu a vigília que impediu a derrubada do casarão, hoje nosso museu. Do alto, vi a população sair marchando pela primeiro de junho na passeata Todos Contra a Pedofilia, das pessoas cobrando seus direitos, das escolas, da distribuição de bolo de aniversário no Primeiro de Junho. Protegi quem se preparava para o desfile de aniversário de Divinópolis.

As crianças sempre foram minhas favoritas. Seus olhos brilhavam de admiração ao olhar para meu tronco robusto e meus galhos frondosos. Elas corriam ao meu redor, brincando e rindo, enchendo a praça de vida e alegria. Eu era o refúgio dos namorados, o descanso dos trabalhadores e o ponto de encontro dos amigos.

Mas hoje, tudo isso chegou ao fim. Sem nenhuma explicação, fui condenada a uma sentença de morte. O som da motoserra cortando meu tronco ecoou pela praça, pela cidade, e eu senti cada golpe como uma dor profunda e inexplicável. O que fiz para merecer tal destino? Será que minha sombra, que tanto protegeu e acolheu, se tornou um incômodo?

Enquanto caio ao chão, vejo a praça pela última vez. As lembranças dos momentos históricos, das risadas das crianças e das conversas importantes passam diante de mim. Meu coração de madeira se parte, não pelo corte, mas pela falta de compreensão. Fui uma testemunha silenciosa da história de Divinópolis, e agora, sou apenas um tronco caído, esperando ser levado embora.

Espero que minha ausência faça as pessoas refletirem sobre a importância de cada árvore, de cada sombra, de cada vida que, silenciosamente, contribui para o bem-estar de todos. Que minha morte não seja em vão, mas um lembrete de que a natureza merece respeito e proteção. Afinal, sem árvores, quem contará as histórias das futuras gerações?

Meu destino está traçado. Não volta atrás. Neste mandato, eu fui sentenciado à morte pelo Prefeito. Não só eu. O sangue de mortes parece ser uma realidade não apenas figurativa. Cortaram árvores que dariam frutos nas mortes prematuras na UPA. A morte que também se tornou real nas redes sociais. Eu tombei diante dos insensíveis, dos sem coração. Mas ainda resta uma outra árvore, minha irmã, também frondosa. Peço a vocês que não permitam que ela tenha o mesmo destino meu. E você pode protegê-la com seu voto.

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