Anteriormente marcada para o dia 22/08, a segunda etapa foi adiada, respeitando determinação do ministério da Saúde, que teve o objetivo de evitar uma sobrecarga no atendimento aos pacientes com suspeita de Influenza A (H1N1), e contribuir para que a vacinação ocorra em um cenário mais tranqüilo, com os trabalhadores da área da saúde em condições de priorizar o trabalho de imunização. Em Divinópolis deverão ser novamente vacinadas, de forma indiscriminada, todas as 14.520 crianças de zero a cinco anos incompletos, com a dose da vacina oral contra a paralisia infantil.
Adriana Gomes, coordenadora de Vigilância em Saúde da secretaria municipal de Saúde de Divinópolis – SEMUSA aponta a importância da vacinação das crianças de zero a cinco anos incompletos. “Precisamos lembrar que é fundamental que mantenhamos coberturas vacinais com níveis altos, não só pela questão numérica e das metas a serem batidas, mas principalmente pela proteção das crianças de nossa cidade. Quanto mais crianças tivermos protegidas contra a poliomielite, menor a chance de reintrodução do vírus no nosso país, já que esse vírus ainda circula em outros países, principalmente no continente africano e asiático. Com a globalização a disseminação de doenças tem sido cada vez maior, pois o trânsito de pessoas de uma país para o outro é muito grande. Um bom exemplo disso foi a disseminação da Influenza A (H1N1) no mundo, em questão de semanas”.
DIA NACIONAL DE VACINAÇÃO
Os dias nacionais de vacinação contra a poliomielite ou “paralisia infantil”, que tiveram início no ano de 1980, constituem experiência positiva e de expressivo resultado, evidenciado pela ocorrência do último caso da doença em 1989 e pela confirmação, pela Organização Mundial de Saúde – OMS, de sua erradicação no Brasil em 1994. As campanhas visam, sobretudo, estabelecer proteção coletiva nas comunidades, mediante a promoção da intensa circulação do poliovírus vacinal no ambiente, impedindo assim a implantação do vírus selvagem.
Divinópolis, a exemplo de vários municípios brasileiros, não atingiu, nos últimos anos, os 95% de cobertura vacinal, meta mínima preconizada pelo Ministério da Saúde, nas duas etapas da Campanha Nacional de vacinação. Este quadro mostra-se preocupante, tendo em vista que a cada ano ocorre um acúmulo de crianças não devidamente protegidas, constituindo fator de risco de disseminação do poliovírus em uma ocasional reintrodução do mesmo.
Soma-se a isso, o fato do Brasil representar um importante pólo turístico e comercial, sediando intenso fluxo de viajantes internacionais. Embora a poliomielite esteja erradicada do Brasil desde 1989, é preocupante o fato de ainda existirem locais em que os poliovírus selvagens estão circulantes como Índia, Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Com a agilidade atual dos meios de transportes, particularmente o aéreo, torna-se acentuado o risco de reintrodução e disseminação do poliovírus em regiões com baixas coberturas vacinais, até onde o mesmo tenha sido erradicado, como é o caso do Brasil.
Deste modo, as campanhas nacionais de vacinação são essenciais para a manutenção da erradicação da poliomielite no País, mas para isso são necessárias altas e homogêneas coberturas vacinais.
Adriana Gomes reforça essa visão, já que ao longo dos anos, mesmo com todo o esforço da secretaria municipal de Saúde em divulgar as campanhas, o número de crianças vacinadas tem caído gradualmente. “Por maior que seja nosso esforço em divulgar as campanhas e montar esquemas de coberturas vacinais diferenciados para alcançar as metas, é importante que os pais também se conscientizem e levem seus filhos para serem imunizados. São apenas duas gotinhas que podem evitar conseqüências gravíssimas para as crianças”, finaliza.
Segundo Osmundo Santana Filho, epidemiologista da SEMUSA, é extremamente importante que se atinja o índice de vacinação de 95% preconizados pelo ministério da Saúde, para manter a doença erradicada. “É inadmissível que, depois dos esforços extraordinários realizados nas ações de vigilância para a erradicação da poliomielite no país e nas américas, fosse permitido que a paralisia infantil se estabelecesse outra vez na nossa região”, lembra.
ESTRATÉGIAS
Objetivando facilitar o acesso à vacinação, a SEMUSA adotou estratégias diferenciadas para esta segunda etapa da campanha, como a antecipação do início das atividades de imunização, que começa na segunda-feira (14/09), para as crianças residentes na zona rural do município, nas regiões atendidas pelas equipes do Programa de Saúde da Família – PSF e também nas creches, berçários e escolas, mediante autorização prévia dos pais ou responsáveis.
No próximo sábado (19/09), todos os esforços estarão concentrados na vacinação das crianças da zona urbana, quando funcionarão, no horário de 08h da manhã até às 17h, todos os 14 centros de saúde, além de 2 postos avançados, localizados na Praça do Santuário e na Policlínica.
Além da vacina contra a paralisia infantil, que será aplicada indiscriminadamente a esse grupo, inclusive nos recém-nascidos, também serão oferecidas as demais vacinas do calendário de imunização, visando atualizar o cartão de vacinação, daí a importância de se levar o cartão de vacinas da criança.
SOBRE A VACINA
Oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra a poliomielite está disponível durante todo o ano nos postos de saúde e é também oferecida durante as campanhas de vacinação de rotina. Os bebês devem receber a vacina aos dois, quatro e seis meses. Aos 15 meses, as crianças recebem o primeiro reforço. Mesmo assim, é importante que os menores de cinco anos de idade tomem anualmente as duas doses distribuídas na Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite.
Não existem contra-indicações para a aplicação da vacina e as crianças, incluindo os recém-nascidos, devem ser vacinadas mesmo na presença de gripe, resfriados, coriza, alergia respiratória, diarréia, febre, vômito, tosse ou em uso de antibióticos.





