Na segunda-feira (18), no Buritis, zona rural de Divinópolis – MG, aconteceu uma audiência Pública para se discutir a implantação do Hospital Público. Durante as discussões, uma fala do secretário adjunto de saúde, teria causado polêmica. Gilmar Santos, sob o contexto da discussão da falta de leitos e as situações degradantes por ela ocasionadas soltou a infeliz frase: “quando morre eu acho melhor”.
O tabu da palavra morte pode ter deixado algumas pessoas assustadas e rumores de que o subsecretário preferia a morte daqueles que necessitavam do Sistema único de Saúde tomaram a Câmara Municipal, durante a reunião ordinária.
O vereador Edson Sousa (PDT), quem denunciou a fala e levantou a polêmica, disse, em plenário, achar que a esperança era algo inerente as pessoas e não a morte.
No entanto, afirmou que entendia o que o secretário adjunto quis dizer, mas achava que ele deveria tomar cuidado por ele ser um homem público. O parlamentar parecia querer morder e assoprar, criticando a atitude e exaltando a pessoa de Gilmar.
Gilmar explicou que sua fala estava dentro do contexto da discussão do hospital e queria retratar a urgência dos leitos, pois a falta deles causava enfermidades e deficiências desnecessárias. Ainda disse que se referia a uma situação particular específica, pois passou pela experiência de ter sua esposa em coma por 9 anos.
“Se eu que recebo um bom salário do estado tive dificuldades em criar meus filhos com a enfermidade da minha esposa, imagine quem não tem condições” explica ele, e emendou dizendo que assume o ônus de sua fala e que realmente às vezes a dor causada por uma deficiência é ainda pior do que a morte. No entanto, depois se desculpou.
A maioria dos vereadores concordou que a fala do secretário adjunto foi infeliz, mas também acredita que se tratava de uma má colocação, feita de forma inocente.
O enredo da “fábrica de deficientes”
Toda a discussão, inclusive a audiência no Buritis, foi gerada para se chegar a melhor opção para a implantação do Hospital Público em Divinópolis. As propostas em questão eram a compra do Hospital Santa Mônica ou a construção de uma unidade na horizontal.
O secretário adjunto afirmou que sem dúvidas era melhor que fosse construído um hospital já com um formato adequado, que não necessitasse escadas e que sairia bem mais barato. No entanto, disse que a situação era emergencial e que a compra era a opção mais rápida, “nós estamos em uma situação de guerra e não podemos deixar as pessoas morrerem. Temos que estudar a viabilidade, mas não podemos discutir eternamente”.
Gilmar disse que a questão dos leitos sempre foi prioridade e que, ano passado, a situação se apresentava tão caótica que o Conselho Municipal de Saúde, a Gerencia Regional, o Hospital São João de Deus e Ministério Público fizeram um tipo de acordo para a liberação de 20 vagas pelo SUS sem que tivesse de passar pela vigilância sanitária.
“Estamos fabricando deficientes, sem necessidades”, afirmou o secretário sobre a demora na escolha da melhor opção para o aumento dos leitos e os entraves políticos colocados.
Devido a essa situação ele questionou o fato de se ficar discutindo a questão, e, durante a audiência, disse que pessoas ligavam em seu celular pedindo uma vaga para um pai que estava morrendo e ele não podia ajudar, e continuou “quando morre eu acho melhor, o que não dá pra ver é um pai de trinta e poucos anos, que quebrou um braço ou uma perna, precisou fazer uma cirurgia e não conseguiu vaga a tempo e a hora, vai ter que quebrar denovo e ficar deficiente, isso pra mim é pior”
A fala da forma como foi colocada poderia causar revolta se não se conhecesse a história de dificuldades pessoais enfrentadas por Gilmar. E, descontextualizada, como foi, do fato de que ele falava de uma visão pessoal, por um fato particular.





