Já está nas mãos do Prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) e do Secretário Municipal de Esporte e Lazer, Rômulo Duarte, a elaboração de um projeto apresentado pelo vereador Anderson Saleme (PR), em forma de anteprojeto, que cria, no Município, os Jogos Paraolímpicos de Integração do Centro Oeste Mineiro. De acordo com o Parlamentar, o objetivo é incentivar a motivação e competição da prática esportiva entre os atletas com deficiências física, mental e/ou sensorial e, conseqüentemente, possibilitar a interação e aperfeiçoamento destes.
“Trata-se de uma matéria que pretende propiciar aos jovens e adultos a oportunidade de desenvolver suas aptidões para o esporte. Aqueles que se destacarem terão maiores chances de participar de competições nacionais e internacionais, pois contarão com o apoio de seu município. O próximo passo será fazer um convite para todas as entidades voltadas para pessoas com deficiências físicas para aprimorarmos a idéia, trocar conhecimento e preparar um cronograma de execução do projeto”, afirmou o parlamentar.
O anteprojeto prevê que os jogos sejam realizados a cada dois anos entre os
atletas com deficiência da região do Centro Oeste mineira. A participação dos interessados acontecerá obrigatoriamente mediante comprovação de aptidão para tais práticas, que deverá ser apresentada no ato da inscrição, sob a responsabilidade das associações e/ou entidades a que são vinculados.
O intuito do projeto vai além dos jogos paraolímpicos de integração do Centro Oeste. De acordo com o vereador Anderson Saleme, as pessoas com deficiência ainda são discriminadas pela sociedade, assim, se sentem desmotivadas pela sua própria condição existencial. “Tais competições poderão ser uma oportunidade de elevar sua auto-estima direta ou indiretamente, além de provar todo o seu valor como atletas e cidadãos”.
De acordo com Cláudio César, coordenador da equipe de basquete sobre rodas “Os bravos”, o projeto possibilitará o intercambio com outras pessoas e habilidades, “os bravos, por exemplo, irão interagir com outras equipes”, Cláudio se atenta aos reflexos para além do município “Cidades que ainda não se alentaram para essa prática podem se interessar pelo esporte coletivo e individual”, diz ele. Confiante no mérito da proposta afirma: “A preocupação é pela qualidade de vida. Poderemos inclusive levar atletas que se despontarem às olimpíadas, mas para isso precisamos criar uma cultura da prática de esportes para encontrarmos essas pessoas”.
De acordo com Anderson Saleme, o projeto propiciará a superação de dificuldades, não só físicas, mas de barreiras de incentivo financeiro do esporte, além de contribuir para a construção de um mundo que sabe respeitar e conviver com as diferenças.
O parlamentar explicou que existem incentivos do Estado e da União para esse tipo de prática, que faz com que o município receba verba desses entes federativos. Além disso, entidades, empresas e organizações podem ser parceiras na iniciativa. Saleme afirma que, também por esse motivo, o Executivo se interessou e logo deve apresentar o projeto.
Se aprovada, a proposição poderá ajudar a mudar realidades como a do Brasil na última paraolimpíada. O país enviou somente 70% do número de atletas em comparação aos atletas sem deficiência que foram às Olimpíadas. No entanto, mesmo em menor número, os atletas paraolímpicos conseguiram a 9º classificação enquanto que os outros ficaram em 23º lugar. Dos 188 participantes da última paraolimpíada, nenhum representou Divinópolis.
De acordo com Cláudio César, infelizmente não basta ter apenas um lugar e cadeiras para treinar é preciso que o deficiente queira e tenha vontade de participar. “Nós temos a estrutura, falta o material humano, que hoje é o nosso caso. Precisamos que as pessoas se interessem, saibam que isso é importante. É necessário um trabalho integrado com a ajuda de instituições, escola, pais”, conclui.
| A Organização Mundial de Saúde estima que no mundo existam 750 milhões de pessoas com deficiências e que cerca de 80% delas estão em países em desenvolvimento, vitimadas pela ineficiência no combate a doenças como poliomielite, por amputações causadas por conflitos armados e acidentes diversos, inclusive de trânsito. |


