Bolsonaro com comportamento parecido ao de Aécio Neves em 2014, diz que foi alvo de fraude e pede mobilização a eleitores


Repetindo comportamento do tucano Aécio Neves que em 2014, não aceitou o resultado das urnas, e no segundo turno pediu recontagem dos votos, Bolsonaro vai pelo mesmo caminho, só que antes, já no primeiro turno, ao  fazer um pronunciamento na internet após a definição do segundo turno contra Fernando Haddad (PT), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse suspeitar que só não foi eleito no domingo (7) devido a fraudes nas urnas eletrônicas.

Bolsonaro, contudo, não disse que irá questionar o resultado do pleito. Afirmou que vai “exigir soluções” do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para as “inúmeras reclamações” que ouviu sobre funcionamento de urnas. “Lamentavelmente, o sistema derrotou o voto impresso”, afirmou, em referência a uma de suas bandeiras.

“Se tivéssemos confiança no voto eletrônico, já teríamos o nome do futuro presidente da República decidido no dia de hoje”, afirmou, repetindo críticas às urnas.

Ele disse que “todos que estiveram comigo terão de continuar mobilizados até o dia 28”, data do segundo turno. Agradeceu pela votação e prometeu que sua vitória irá garantir “a manutenção da Operação Lava Jato” e a venda ou extinção de 50 estatais no primeiro ano.

A seu lado estava o economista Paulo Guedes, já anunciado como seu ministro da Fazenda em caso de vitória, e não o vice, general da reserva Hamilton Mourão (PRTB).

Bolsonaro repreendeu publicamente o vice por uma série de declarações desastradas nas últimas semanas, como chamar o 13º salário de “jabuticaba”. Ele estava presente na casa do presidenciável durante o dia todo.

O deputado pediu o apoio de grupos que mais o rejeitam, como nordestinos e homossexuais. Atacou, sem dar nome, o adversário Haddad. “Não queremos a volta desse tipo de gente”, afirmou.

O núcleo da campanha viveu uma montanha-russa de expectativas ao longo do dia.

Baseado nas pesquisas do sábado, a vitória em primeiro turno era considerada remota e o candidato já começou a gravação de programas de TV —o horário eleitoral gratuito começa em 48 horas, e agora o deputado terá 5 minutos, e não 8 segundos, por bloco.

Ao longo do domingo, contudo, a maré mudou. A sucessão de bons resultados de aliados de Bolsonaro em estados-chave do Sudeste alimentou a esperança de que a onda em favor do deputado se convertesse em vitória.

Animou especialmente o desempenho de bolsonaristas no Rio e Minas. A divulgação da pesquisa de boca de urna e subsequente acompanhamento da divulgação de números do TSE derrubaram o otimismo.

“Desbancamos figurões que achavam que, fazendo parcerias e acordos com grandes partidos, via televisão, ganhariam as eleições”, afirmou Bolsonaro em sua primeira aparição pública desde que foi esfaqueado em Juiz de Fora, atentado que o tirou da campanha de rua desde o dia 6 de setembro.

Ele falou por cerca de nove minutos na seção eleitoral em que votou, em um colégio na Vila Militar, no Rio. Chegou sob forte esquema de segurança, pouco antes das 9h. Estava com dois filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado estadual e agora senador eleito Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), e por um enfermeiro.

Pai e filhos usavam coletes à prova de balas. Sua entrevista foi encerrada por um dos fiscais da zona eleitoral, que pediu que ele concluísse sua fala para não atrapalhar o andamento das votações.

Bolsonaro repetiu que, se for eleito, não vai fazer negociação partidária. “No varejo, temos aproximadamente 350 parlamentares que querem estar conosco. Grande parte deles é de deputados honestos”, afirmou.

Ele disse que não poderá manter agenda de campanha na rua. “Estou bem, eu acho que estou 60% curado.”

Bolsonaro passou a tarde de domingo em casa, com Guedes, Mourão e outros integrantes de seu núcleo duro de campanha: os filhos e o ruralista Luiz Nabhan Garcia.

Apoiadores, perto de 300 no momento de maior presença, fizeram um ato em frente ao seu condomínio. Eles expulsaram um repórter da TV Globo no local.

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