Policia Federal obtém gravação sobre aeroporto de Claudio e MP reabre inquérito para investigar Aécio Neves


Uma gravação e conversa obtida pela Policia Federal em 2017 resultou na reabertura da investigação sobre a construção do aeroporto de Claudio, feita pelo governo de Minas durante a gestão de Aécio Neves (PSDB), em 2010. O Aeródromo, na região Centro-Oeste do Estado, foi instalado dentro de uma propriedade que pertencia a parentes do tucano.

Na semana passada, o promotor Eduardo Nepomuceno, da 17ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), solicitou a reabertura da apuração em consequência de novas informações sobre o aeródromo que já foi alvo de inquérito entre 2009 e 2015.

O inquérito que já havia sido arquivado em dezembro de 2015 por falta de provas deve ser retomado por conta da conversa grava as 15h42min do dia 13 de abril de 2017, entre Frederico Pacheco, primo de Aécio Neves e um interlocutor ainda não identificado em grampo da Policia Federal. O áudio conteria indícios de que o aeroporto, de fato, mesmo tendo sido construído com o dinheiro público do Governo de Minas, poderia servir apenas para atender interesses particulares de Aécio e de sua família.

No diálogo, o interlocutor ainda não identificado pergunta ao primo do senador tucano se alguém poderia abrir o portão do que seria um aeroporto para uma pessoa chamada “Duda” que estaria chegando ao local de avião.

“Se Duda tá descendo no avião, alguém vai abrir o portão pra ele ou não?”, questiona o interlocutor, enquanto Frederico Pacheco responde: “sim, já deve ter aberto. Ele já deve ter saído e já deve ter fechado”. Na sequência, o interlocutor pergunta a identidade do visitante. “E quem é essa benção de pessoa?”, indaga. “Deve ser o segurança do Aécio”, replica Pacheco. “Ah, ele tem a chave?”, questiona novamente o interlocutor. “Deve ter, estou imaginando na condição de alguém ir lá abri-lo. Eu não sei nem se vai, mas deve. Passa lá na porta” Concluiu o primo do senador tucano.

No pedido de reabertura do inquérito, é colocado que a conversa mostra, “prima facie (de imediato), que o aeroporto não cumpre sua finalidade pública, sendo, ao contrário, destinado ao uso restrito daqueles que, inclusive, detêm as chaves do espaço”. “Tal suspeita, se verdadeira mostra a inconveniência e inoportuníssimo do investimento público”, diz o documento.

Por conta da gravação obtiva pela Policia Federal, o MPMG também intimou Frederico Pacheco a prestar depoimento nesta próxima quinta-feira (13)

Inicialmente, o inquérito foi aberto pelo MPMG em 2009 com o intuito de apurar denúncias de suposto superfaturamento na construção. O terreno em que o empreendimento foi construído, desapropriado em 2008, pertencia a parentes do tucano. As obras no local custaram cerca de R$ 14 milhões e foram concluídas em 2010.

A defesa do tucano classificou a reabertura do inquérito como “despropositada e indevida”, lembrando que a PGR e o MPMG já tinham constatado a inexistência de irregularidades e tinham determinado o arquivamento dos procedimentos.

Disse ainda, através de nota, que foi reconhecido pelo MP que a reforma da pista de Claudio fez parte de diversas outras obras do Estado, que não houve qualquer indicio de propósito de violação aos princípios que norteiam a administração pública em especial o da impessoalidade.

A defesa do senador também fez críticas ao promotor Eduardo Nepomuceno e disse que “em razão de mais essa arbitrariedade, tomará as providências necessárias para levar os fatos ao conhecimento dos órgãos responsáveis do Ministério Público, alertando para o uso político da instituição por parte de um de seus membros.

 

Fonte: O Tempo

 

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