MUDANÇAS NA MÍDIA IMPRESSA EM DIVINÓPOLIS: GAZETA deixa de circular; proprietário vai para o AGORA; Sonia Terra deixa jornal


A primeira grande mudança no mercado de comunicação de Divinópolis em tempos de internet, é o encerramento da versão impressa do Jornal Gazeta do Oeste; a segunda, e a quase inacreditável ida de Fernando Rodrigues, dono do Gazeta, para ser diretor do Jornal Agora; a terceira é a saída da jornalista Sonia Terra, que há algum tempo, desde que Daniela Faria Outubo comprou o jornal,  já não detinha função de comando, era somente colunista do periódico impresso – O fato é que, segundo informações do próprio Fernando Rodrigues, no dia 28 de fevereiro, ou seja, na próxima quinta circulará a última edição impressa do Jornal Gazeta do Oeste, que passará a ser somente na internet, mas sob uma nova direção, ainda está em discussão o formato de administração do site  – Conforme informações alguns jornalistas do Gazeta do Oeste serão transferidos para trabalhar no Jornal Agora, junto com os que já são funcionário da empresa, divididos por editorias. Fernando será o diretor, Flavio, o editor, e os demais cobrirão pautas de polícia, política, cultura e outros assuntos. No total, devem permanecer no Agora, aproximadamente dez profissionais – Quanto ao futuro dos colunistas incluindo os sociais que escrevem para os dois jornais, ainda não teria sido decidido. Há rumores no mercado que o colunista Giovanni Lima, quer criar o seu próprio jornal impresso – Para se despedir, a jornalista Sonia Terra, inicialmente publicou em sua página no Facebook e posteriormente no próprio jornal, um texto com o título: “Tchau Queridos”, onde claramente, em algumas frases, expõe desconforto com o término da sua coluna no jornal – E Na sessão ordinária da Câmara de Divinópolis, desta última terça (20), alguns vereadores teceram elogios à Sonia e propuseram fazer uma homenagem à jornalista – ATUALIZAÇÃO: Giovanni Lima afirmou para o Divinews que voltará para o Agora.  

“Há tempos venho me sentindo desconfortável no impiedoso mercado do jornalismo, com seus contornos de guerra e táticas desleais de vale-tudo”

“Tentei sair ilesa da guerra de egos do mundo onde poucos conseguem sobreviver com integridade”

“Saí dali, arrependida pela demora na decisão – deveria tê-lo feito no fim do ano passado”

“Por seu lado, o “Agora”, estrangulado por governos corruptos que só pensam em amordaçar a imprensa e, às turras para sobreviver de anunciantes e assinantes, é comandado por um grupo que prioriza um pouco mais que gostaria, o entretenimento e, mesmo que continuasse no jogo, nunca abriria mão de quem sou para me tornar o que os outros desejam que eu seja”

A seguir, Sonia passa a criticar os poderes constituídos, quando diz: “Vêm eleições por aí, com a possibilidade ímpar de discutir e mudar o processo e o padrão moral estabelecido no Executivo, Legislativo e Judiciário. Não podemos continuar em um país dominado por organizações criminosas, a viver na mão de bandidos, sermos saqueados, sem cidadania, sem nada, sem respeito, por isso nossa única arma é o voto”


Tchau, queridos!

A última vez que entrei na Redação do “Agora”, onde dediquei 37 anos da minha vida, foi em 24 de janeiro, para o “tète à tète” com o editor Flávio Roberto Pinto, pois o melhor investimento continua sendo a verdade e a transparência. 

Há tempos venho me sentindo desconfortável no impiedoso mercado do jornalismo, com seus contornos de guerra e táticas desleais de vale-tudo.

Naquele dia saí com a sensação do dever cumprido e nem um pouco desamparada. Em todas as fases da vida tive rotas de fuga, desta vez, minha mãe me esperava no carro e os cuidados posteriores com ela me absorveram total e completamente. 

Tentei sair ilesa da guerra de egos do mundo onde poucos conseguem sobreviver com integridade. Não tive dúvidas e, num passe de mágica, me despi do carinho pela função que ocupou boa parte da minha vida. Saí dali, arrependida pela demora na decisão – deveria tê-lo feito no fim do ano passado – mas prevaleceram o “Manual da Prudência” e o bom senso. É cada vez mais nítida a percepção de como as pessoas se indispõem ao conhecimento consistente, que exige demora.

É mais confortável ler resumos, resenhas, manchetes e conteúdo rápido, ou pago. Sou de um tempo em que havia menos grupos de inteligência e mais sofisticação no debate. A formação adquirida nos clássicos abre o horizonte para ramagens da complexidade humana e os livros ajudam o autoconhecimento, por isso me sinto livre e forte. 

Por seu lado, o “Agora”, estrangulado por governos corruptos que só pensam em amordaçar a imprensa e, às turras para sobreviver de anunciantes e assinantes, é comandado por um grupo que prioriza um pouco mais que gostaria, o entretenimento e, mesmo que continuasse no jogo, nunca abriria mão de quem sou para me tornar o que os outros desejam que eu seja.

Estamos cada vez mais deselegantes, sem cerimônia, não posso me submeter à guerra de egos, disputa territorial onde o poder é mais importante que a preservação da dignidade e memória. Mudamos eu e o público consumidor de notícias e reportagens, que não é mais um leitor passivo a compreender o mundo em parágrafos curtos e sem adjetivos. Ele quer participar, reconhecer algo próximo de sua própria experiência e, neste campo, continuo contribuindo com minha experiência. Sempre disposta a me engajar e inspirar, mas em novo formato. Entusiasmada, apaixonada e interessada em ir além, a flertar com o mundo e encontrar o melhor meio para cada mensagem – tudo é possível para o live journalism, – fluido, não o que tradicionalmente chamamos de jornalismo, mas ajuda a entender o mundo ao nosso redor, de acordo com as novas tecnologias. 

É na percepção das escolhas que fazemos diariamente que identificamos se estamos construindo o céu ou o inferno. Não saberia seguir dissimulando e a vida só é suportável quando trazemos para nossa rotina a realidade que nos ajuda a sorver o cálice. Minha formação moral e herança familiar me obrigam a esta honestidade intelectual com você, leitor, que me acompanha há décadas. Por isso agradeço aos colegas de jornada, a quem leu, comentou, compartilhou e desabafou comigo e principalmente às “fontes”. 

O mundo somos nós, e desta história saio com a consciência leve de que, no impresso, deixei um legado que meus filhos, os biológicos, e os “adotados”, as dezenas de estagiários e amigos que passaram pelo meu caminho se orgulham. Aprendi muito com eles e cada um deixou mais ainda de si. Sou grata demais a todos! 

Aos dirigentes do “Agora” desejo sorte e que continuem informando, sem medo das ameaças tarja brancas; que mantenham a população a par das burlas, trapaças, dos jeitinhos travestidos de “benefícios”, “ajudas moradia” a excelências e suas obscenas imunidades e impunidades. São excrescências da vida local e nacional que precisam ser banidas. Não percamos o foco, pois o Brasil é muito maior do que isso a que estamos assistindo. 

Da minha trincheira continuo atenta. Vêm eleições por aí, com a possibilidade ímpar de discutir e mudar o processo e o padrão moral estabelecido no Executivo, Legislativo e Judiciário. Não podemos continuar em um país dominado por organizações criminosas, a viver na mão de bandidos, sermos saqueados, sem cidadania, sem nada, sem respeito, por isso nossa única arma é o voto.

Valeu muito, demais! Tchau, queridos e continuem comigo nas redes sociais.

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