Por semelhanças com os anos 80, jogo político no Brasil vive dias de ‘Stranger Things’


A segunda temporada da série americana “Stranger Things” foi disponibilizada pela Netflix no último dia 27 – A série, uma mescla de terror e ficção científica, de bastante sucesso por aqui, é ambientada em 1984. Como nela, o cenário político brasileiro atual convida a uma volta aos anos 1980, graças às semelhanças com a eleição de 1989, a primeira depois do fim da ditadura militar – Veja abaixo como a Folha resumiu, em sete episódios, essa saga.

EPISÓDIO 1: Lula lá e cá
Em 1989, o petista disputou com discurso fortemente de esquerda. Depois, suavizou a plataforma, conquistou a classe média e foi eleito em 2002. Agora, deixou de lado o tom “paz e amor” e em alguns momentos parece ter voltado às origens, com falas mais fortes e voltadas a sua base social. As caravanascom que tem percorrido o país não raro retomam o jingle “Lula lá”, de sua primeira campanha –o refrão nunca o abandonou de fato, mas ajuda a aguçar a memória oitentista.

EPISÓDIO 2: O outsider
Collor construiu sua imagem em 1989 como o “caçador de marajás” da política tradicional. Era presença constante na imprensa –em festas, divulgando sua agenda, andando de jet ski. Doria tem discurso com algumas semelhanças (“não sou político, sou gestor”) e também investe em seu marketing pessoal para se viabilizar como o candidato da antipolítica e, sobretudo, do antipetismo. No campo de fora da política, surgem também nomes como o do empresário João Amoêdo, fundador do Partido Novo.

EPISÓDIO 3: Um programa de auditório
Antes e agora, havia um empresário e apresentador de TV tão popular que um partido chegou a cogitar sua candidatura. Setores do PFL quiseram lançar Silvio Santos. Um mês antes da eleição, o Homem do Baú entrou na disputa pelo PMB (Partido Municipalista Brasileiro), mas sua candidatura acabou barrada pela Justiça Eleitoral. Hoje, o PFL se chama DEM e quer convencer Luciano Huck, apresentador de TV e empresário, a disputar a Presidência.

EPISÓDIO 4: Os militares
Em 1989, o Brasil votava pela primeira vez após duas décadas de ditadura militar. Pois em 2018, os militares podem voltar ao poder por meio do voto –é o que o deputado federal e militar da reserva Jair Bolsonaro, em segundo lugar nas pesquisas, afirmou durante sua viagem a Nova York, em outubro. Bolsonaro diz se inspirar em Enéas Carneiro, candidato do Prona que despontou em 1989 e ficou famoso pela barba, pelos óculos de armação grossa e pelos seus poucos segundos de propaganda na TV: “Meu nome é Enéas, 56”.

EPISÓDIO 5: Os impopulares
Se Temer continuar no Planalto até passar a faixa para o presidente eleito em 2018, parte da história se repetirá. Em 1989, quem estava na Presidência era um político do PMDB que enfrentava suspeitas de corrupção, mas o Congresso evitou que as acusações fossem levadas adiante: José Sarney. O maranhense atravessou o mandato com uma crise política (nepotismo, denúncias de superfaturamento e propinas na licitação da Ferrovia Norte-Sul) e econômica, com a volta da inflação. E, assim como Temer, tinha sido eleito como vice.

EPISÓDIO 6: Os conciliadores
Mario Covas, um dos fundadores do PSDB, tinha governado São Paulo, era uma indicação de consenso dentro do partido para disputar a Presidência e tinha um discurso de conciliação nacional. Há algo que lembra o discurso que Geraldo Alckmin, atual governador paulista, quer construir para 2018: o de que é um político experiente, capaz de superar a polarização no país. Alckmin, não por acaso, apresenta-se como pupilo de Covas, de quem foi vice.

EPISÓDIO 7: Muito além do PT
Ex-ministros de Lula, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) devem voltar a disputar a Presidência pela esquerda não petista. Marina levanta a bandeira do ambientalismo, como fazia Fernando Gabeira (PV) em 1989. Ciro tem discurso nacionalista que lembra o de Leonel Brizola (também do PDT). Na extrema esquerda, o PSOL deve lançar candidato, ocupando o lugar que foi de Roberto Freire (à época no PCB).

 

Por Folha

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